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Do bairro em São José ao pódio nacional: o projeto de boxe que mira um ouro olímpico desde 2005

Criado em 2005 por Wesley Santos na comunidade de Forquilhinha, em São José, o Projeto Social Soldados de Cristo revelou Luis Gustavo “Cirilo”, de 16 anos e 19 medalhas, e Silvana Duque Jaramilo, bronze no Campeonato Brasileiro de Boxe.

Do bairro em São José ao pódio nacional: o projeto de boxe que mira um ouro olímpico desde 2005
Foto: Reprodução
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Aos 16 anos, Luis Gustavo, conhecido como Cirilo, já soma 19 medalhas no boxe. Apenas uma delas não é de primeiro lugar. Ele entrou aos 12 no Projeto Social Soldados de Cristo, em São José, e hoje divide o tempo entre a escola e os treinos: “Eu me sinto mais aliviado, me sinto tendo trabalho a fazer, melhor do que ficar preguiçoso na cama, e vir treinar é sempre bom.”

O projeto começou em 2005, na comunidade de Forquilhinha, e usa o boxe para afastar crianças e adolescentes do caminho que o próprio treinador percorreu. Wesley Santos conta que cresceu sem nenhuma estrutura parecida por perto e que isso o empurrou para o pior lado da rua, com envolvimento com drogas e com o crime.

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“Não tinha nenhum projeto social que nos incentivasse a estar longe dos caminhos errados, e onde eu tive o desprazer de passar por tudo que um adolescente não tem que estar passando na rua”, diz. “Foi onde surgiu essa vontade no meu coração, e desde lá eu venho executando esse trabalho com muita maestria e com muito amor no coração, e o resultado tá aí.”

A sustentação é local. Segundo Wesley, a maior parte do apoio vem de empresários da própria comunidade, gente que o viu crescer ali. Não há grandes patrocínios: o projeto se mantém com quem mora ao lado.

Neste ano, o Soldados de Cristo trabalha com cerca de 30 a 40 crianças e adolescentes. Já foi maior. Em outras temporadas, o projeto chegou a atender 100 alunos ao mesmo tempo.

Do bairro para o Brasileiro

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Os resultados começaram a aparecer nas competições nacionais. Cirilo conquistou o cinturão na categoria até 54 kg em Brusque e, no Campeonato Brasileiro de Boxe, subiu para o peso até 57 kg. Silvana Duque Jaramilo, da mesma equipe, ficou com o bronze na categoria cadete até 54 kg, o que a colocou entre as três melhores do país no peso.

Em agosto, os dois representaram São José no Campeonato Brasileiro de Boxe, em Cuiabá (MT), entre os dias 22 e 26, ao lado de Yosuar Ramos, o Joujou, na categoria juvenil até 65 kg, segundo a Prefeitura de São José. Os atletas treinam na Dreams Fight School, e Wesley Santos comandou a delegação josefense. Ele também é vice-presidente da Fecaboxe.

O alvo é o ouro olímpico

Para o treinador, nada disso é acaso. “É um trabalho que eu sinto todo o processo, na verdade, eu não sinto agora só esse acontecimento, porque tudo isso aconteceu decorrência de um processo”, afirma. A meta declarada não é modesta: “entender como que a gente vai transformar um ouro olímpico dentro da nossa academia, que esse é o grande objetivo”.

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O caminho passa por observar quem já domina a modalidade no país. Assistindo às lutas dos campeonatos brasileiros, o grupo montou uma leitura de como chegar lá e “bater de frente com as maiores potências, que é Bahia, São Paulo, Rio”. A avaliação de Wesley é que a região já tem condição de disputar de igual para igual.

Para Silvana, o nervosismo antes da luta continua ali, e ela não esconde. “É muito nervosismo, mas é algo que eu amo, então a gente passa por tudo isso e sempre tenta sair da melhor forma”, diz. “Eu me sinto muito bem, ainda mais quando a gente está sobressaindo, é uma sensação muito gostosa.”

Entre os alunos, a mudança aparece antes do pódio. “O boxe me transformou em uma pessoa mais disciplinada, me deu um rumo”, conta outro atleta do projeto, que diz não se ver longe do ringue: “não me vejo fazendo outra coisa”. Cirilo pensa no mesmo caminho. “Quero levar adiante, levar para a vida, tem mais coisa por vir ainda.”

Vinte e um anos depois da primeira turma, o projeto segue com as portas abertas na comunidade e com a mesma promessa do começo. “O trabalho não para”, resume Wesley Santos. “Com certeza nós vamos ter muitas mais vidas transformadas ainda por esse trabalho.”

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