Três homens de Sarandi, no Paraná, foram condenados pela chacina que matou três pessoas na Meia Praia, em Itapema, em setembro de 2024. Somadas, as penas chegam a 269 anos, três meses e dez dias de prisão, em regime inicial fechado. Uma quarta vítima sobreviveu porque se fingiu de morta.
O júri popular começou em 29 de outubro, na Vara Criminal da comarca de Itapema, e só terminou na madrugada do dia seguinte. O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) divulgou o resultado nesta sexta-feira (6). O processo corre sob sigilo.
As penas
O TJSC fixou penas de 120 anos e seis meses, de 93 anos, cinco meses e dez dias e de 55 anos e quatro meses, sem dizer o nome de cada réu. A divisão por nome foi publicada pelo Plantão Maringá:
- Jhenisson Monteiro dos Santos, o “James”, de 29 anos: 120 anos e seis meses;
- Marcos Paulo Leite da Silva, o “Nego Fi”, de 29 anos: 93 anos, cinco meses e dez dias;
- Vitor Kauan Vieira Lima, de 20 anos: 55 anos e quatro meses.
Dois réus foram condenados por três homicídios e uma tentativa de homicídio com três qualificadoras: motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Para o terceiro, os jurados afastaram o motivo torpe. Os três também responderam por corrupção de menor, posse ilegal de armas de uso permitido e restrito e incêndio. Um deles ainda foi condenado por uso de documento falso, e o tribunal não informou qual.
A soma não quer dizer que alguém vá passar 269 anos preso. Pelo Código Penal, o tempo máximo de cumprimento de pena no Brasil é de 40 anos. O TJSC também não informou se as defesas já recorreram.
Mais de 30 tiros contra o carro
O ataque aconteceu na noite de 28 de setembro de 2024, na Rua 276, esquina com a Terceira Avenida. Quatro homens estavam num Honda Civic estacionado quando três homens encapuzados desceram de um Fiat Palio branco e abriram fogo. Foram mais de 30 tiros.
Edson Matheus de Almeida, de 27 anos, que dirigia o Civic, morreu no banco do motorista. Gabriel Vinicius Santana, de 25 anos, foi achado morto embaixo do carro. Um adolescente de 17 anos tentou correr, mas foi perseguido e morto na rua. O quarto ocupante levou tiros nas pernas e escapou ao fingir que estava morto, segundo a acusação.
A mulher de Edson tinha descido do carro minutos antes para levar a filha do casal a um prédio ali perto. Ela ouviu os disparos enquanto subia para o apartamento. Uma câmera de segurança gravou o ataque, e o vídeo está nesta reportagem.
Carro queimado em Tijucas e prisão no mesmo dia
Depois dos tiros, dois dos réus levaram o Palio até Tijucas e atearam fogo nele para apagar vestígios. De lá, seguiram num Hyundai HB20 dirigido pelo terceiro acusado, que, segundo o Ministério Público, também deu abrigo, apoio e as armas usadas no crime.
A PMSC achou o HB20 na mesma madrugada, num condomínio do bairro Ribanceira do Sul, em São João Batista. No apartamento, os policiais encontraram três pistolas, seis carregadores, dois deles com dispositivo de rajada, balaclavas, luvas e drogas numa mochila. Jhenisson e Vitor foram presos em flagrante e, segundo a polícia, admitiram o crime e apontaram Nego Fi como o terceiro homem (leia a cobertura da época).
Naquela madrugada, um dos presos foi registrado com outro nome. No inquérito, concluído em outubro de 2024, a Polícia Civil identificou os dois como Jhenisson e Vitor.
O adolescente apontado como um dos que atiraram morreu em confronto com a Polícia Militar em Sarandi, em 19 de outubro de 2024, segundo a Polícia Civil. Como ele participou do ataque, os adultos também responderam por corrupção de menor.
Foragido da saidinha, preso na fronteira com o Paraguai
Nego Fi escapou da polícia naquela noite. Ele já era foragido: cumpria pena de mais de 11 anos por tentar matar um policial da Rotam em Sarandi, em 2017, e não voltou à penitenciária de Maringá depois de uma saída temporária.
Ele foi preso em 19 de novembro de 2024, na frente de um hotel da Avenida Brasil, em Ponta Porã (MS), a uma rua de Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A captura foi feita pela PM de Mato Grosso do Sul, com o serviço de inteligência do 32º Batalhão de Sarandi. Ele estava desarmado, não resistiu e disse aos policiais que estava havia 15 dias na cidade tentando “começar uma nova vida”. O delegado Ícaro Malveira, de Itapema, disse na época que a prisão encerrava as investigações.
Guerra pelo tráfico em Sarandi
A polícia liga a chacina à disputa por pontos de venda de drogas na Zona Sul de Sarandi. Edson era apontado pela Polícia Civil do Paraná como uma das lideranças da Tropa do B, grupo investigado por mais de 20 homicídios em Sarandi e Maringá. As vítimas tinham se mudado para Itapema depois de receber ameaças, segundo o TJSC.
O grupo rival era comandado por Nego Fi, que, segundo a polícia, assumiu o lugar de Diego Henrique Valentim, o “Pestinha”, executado a tiros dentro da UTI do Hospital Metropolitano de Sarandi.
Gabriel morava no Conjunto Thaís, em Maringá, e não tinha antecedentes criminais. A família dele afirmou que o jovem não tinha envolvimento com o crime e acabou atingido no ataque.
Fonte: Plantão Maringá.
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