O desembargador João Marcos Buch, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), publicou um vídeo nas redes sociais nesta quarta-feira (7) em que afirma sentir medo de ameaças aos direitos da população LGBT. A gravação foi ao ar três dias depois do primeiro turno das eleições.
“São factíveis as ameaças aos direitos LGBT conquistados ao longo dos anos. Ameaças essas que atingem outras minorias políticas também”, diz o magistrado na abertura do vídeo, gravado de terno e gravata.
Em seguida, Buch fala de si. “Eu sinto aflição, eu sinto angústia e, como homem gay, eu confesso, eu sinto medo. Medo do que há por vir. Mas eu não deixarei que me controlem”, afirma.
O desembargador não cita candidato, partido nem a eleição. O primeiro turno, no domingo (4), levou Flávio Bolsonaro e Lula ao segundo turno da disputa pela Presidência da República.
Na sequência, ele diz que vai usar o medo como combustível. “Eu usarei esses sentimentos, inclusive o medo, para me fortalecer”, declara. “No mundo real, a dignidade da pessoa humana pode ser violada, mas jamais ceifarão a nossa vontade de fazer do mundo um lugar melhor.”
O vídeo termina com uma defesa da Constituição. “Direitos humanos e garantias fundamentais não admitem retrocessos. A Constituição não admite retrocessos. E vamos lembrar: esperançar não é uma opção, é um dever”, conclui.
Na legenda da publicação, o magistrado repete o tom: “Confesso que estou com medo. Mas só conheço um caminho: usar esse medo para me fortalecer e não admitir retrocessos”.
Nos comentários, a maior parte das mensagens é de apoio ao desembargador, e alguns seguidores aproveitaram para declarar voto. Também houve crítica: um perfil questionou se o Judiciário catarinense estaria “levantando bandeira”.
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