O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a gravar vídeos no celular, em formato selfie, para falar direto com o eleitor no segundo turno. No vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (7), ele cobra o adversário Flávio Bolsonaro (PL) sobre o fim da escala 6×1, proposta que está em discussão no plenário do Senado.
“Você percebeu que o Congresso Nacional começou a votar o fim da escala 6×1. Eu quero saber como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu quero saber como é que ele vai orientar o PL pra votar”, diz Lula na gravação, de 45 segundos, feita com o celular na mão.
O presidente explica a proposta com as próprias palavras: “É o trabalhador deixar de trabalhar seis dias e descansar só um, pra trabalhar só cinco dias e ficar dois em casa”. E encerra com um recado ao adversário: “Chegou a hora do povo saber a verdade, quem é quem nesse país”.
Mudança depois do primeiro turno
A mudança de tom veio depois do primeiro turno, no domingo (4). Flávio Bolsonaro terminou na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença, de 1,87 ponto percentual, levou a disputa para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Na segunda-feira (5), em reunião com a cúpula da campanha, Lula admitiu que precisa mudar a comunicação, segundo o portal Poder360. “Eu acho que tenho que fazer mais rádio. Eu fiz muito pouco rádio nessa campanha, vou ter que fazer mais rádio. Vou ter que fazer mais selfies, vou ter que conversar mais”, disse o presidente.
Ainda segundo o Poder360, Lula afirmou na mesma reunião que vai participar dos debates na televisão. “Agora é um contra um, é cada um poder explicar qual é a sua proposta”, disse. O primeiro ato de rua do segundo turno está marcado para sábado (10), em Natal (RN).
O que diz a PEC
A proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6×1 reduz a jornada de 44 para 40 horas por semana, com dois dias de descanso remunerado e sem corte de salário. O texto foi aprovado na Câmara dos Deputados em maio, em dois turnos, e passou pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em setembro.
No plenário do Senado, a PEC precisa de pelo menos 49 votos favoráveis, o equivalente a três quintos dos 81 senadores, em cada um dos dois turnos de votação. As sessões de discussão começaram na terça-feira (6).
O que diz Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro, que é senador, não disse como vai votar. Na terça-feira (6), ele chamou a cobrança de oportunismo. “Lula, em quatro anos de governo, não faz. Agora, no meio do segundo turno, ele vem de uma forma oportunista querer fazer um movimento achando que isso vai dar voto pra ele”, afirmou.
O candidato do PL defende outra proposta, em que o trabalhador escolhe a própria carga horária. “Nossa proposta é dar essa liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada de trabalho conforme a sua possibilidade, a sua necessidade”, disse.
Fonte: Poder360.
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