“Estamos enfrentando um momento difícil, que jamais desejaríamos.” A frase é da Bóca Mafra, loja de supercarros com matriz em Brusque e unidade premium em Balneário Camboriú, em nota enviada com exclusividade ao Jornal Razão nesta quarta-feira (4). A empresa, que declarou dívidas de R$ 156,4 milhões, levou o caso à Justiça e pediu 60 dias para negociar com todos os credores.
Na nota, a Bóca Mafra garantiu que vai cumprir a ordem do juiz que analisa o pedido. Na sexta-feira (30), o juiz Uziel Nunes de Oliveira, da Vara Regional de Falências de Jaraguá do Sul, pediu mais informações sobre as dívidas e a mediação e deu 15 dias para a empresa completar o pedido. “Sim. A empresa cumprirá o despacho. Serão sanados todos questionamentos e dúvidas”, afirmou a Bóca Mafra.
Enquanto negocia, a loja quer evitar que uma factoring de São Paulo leve 22 carros do estoque, avaliados em R$ 25 milhões.
















Acordo com os credores
Segundo a Bóca Mafra, a câmara de mediação já fez contato com todos os credores e está agendando as reuniões para os próximos dias. “A intenção e esforço é para que todos participem”, afirmou a empresa. A mediação foi aberta no dia 21 de outubro na Câmara de Mediação e Arbitragem ACIF, antes mesmo do pedido à Justiça.
Na nota, a empresa afirma que a decisão de pedir ou não a recuperação judicial depende do resultado dessa negociação. “Se as negociações forem exitosas, não será necessário um pedido de recuperação judicial, ou extra, todavia, caso não avancemos no caminho da composição, está em pauta sim uma medida judicial”, diz o texto.
Dos R$ 156,4 milhões declarados à Justiça, R$ 81,1 milhões entrariam numa eventual recuperação judicial. Os outros R$ 75,3 milhões ficam de fora, porque têm garantias como a alienação fiduciária.
Os 22 carros
Sobre a busca e apreensão dos 22 carros, movida pela Redfactor na Justiça de São Paulo, a loja disse que se trata de “uma divergência decorrente de relações comerciais, que está sendo discutida na Justiça”. A empresa afirmou que vai apresentar a posição dela no processo, “com respeito às partes envolvidas e às decisões judiciais”.
O que diz a empresa
A Bóca Mafra afirmou que reconhece a preocupação de colaboradores, clientes e credores e que busca “uma solução justa, por meio do diálogo e da transparência”.
“Nossa história foi construída com muito trabalho e relações de confiança”, completou a nota. A história da revenda começou em 1973, em Brusque, e leva o apelido do fundador, Ambrósio Mafra Filho, o Bóca. A empresa tem 28 empregados diretos, segundo a decisão judicial.
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