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Com a casa tomada pela água e prestes a ceder, idosa se recusa a sair em Chapecó

Moradores do bairro São Pedro dizem que um açude teria estourado na parte alta e a água desceu pela rua, invadindo casas. Chapecó registrou 46 milímetros de chuva, cerca de 40 deles em menos de uma hora.

Com a casa tomada pela água e prestes a ceder, idosa se recusa a sair em Chapecó
Foto: Reprodução
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No final da rua Barão do Rio Branco, no bairro São Pedro, em Chapecó, uma idosa se recusava a deixar a própria casa na manhã desta sexta-feira (11), mesmo com a água passando por dentro do imóvel e a estrutura já visivelmente inclinada. Vizinhos se revezavam na tentativa de convencê-la a sair. Ela resistia.

A casa fica no trecho mais baixo da rua, justamente onde a enxurrada se acumulou. A construção está deteriorada e pende para um dos lados. Do lado de fora, o nível da água continuava subindo enquanto a conversa acontecia.

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A Defesa Civil chegou ao local e passou a conversar com os moradores. Equipes do Corpo de Bombeiros entraram a pé pelo trecho alagado, caminhando pelo que antes era a rua, para chegar até as casas ilhadas e avaliar quem precisava ser retirado. Em uma das residências, um morador deixou o imóvel pela janela porque a porta já não abria.

Capa do vídeo do YouTube

Em outro ponto do mesmo bairro, na rua Pará, uma família pediu auxílio para deixar a residência depois que a água começou a entrar no imóvel e o pátio ficou alagado. O Corpo de Bombeiros registrou o chamado como ocorrência de salvamento, busca e resgate.

Entre os moradores, a explicação que circulava era a de que um açude na parte alta teria estourado. A água desceu de uma vez pela rua e entrou em várias residências do trecho final. A Defesa Civil ouvia os relatos no local para identificar a origem do volume. Os moradores cobravam solução e auxílio.

O bairro São Pedro foi um dos pontos mais afetados da cidade. Conforme a NSC TV, três famílias precisaram ser retiradas de uma área alagada na região. A Defesa Civil municipal, em balanço divulgado ainda pela manhã, informou que até aquele momento não havia registro de famílias desalojadas ou desabrigadas, nem de pessoas feridas.

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A chuva que provocou o estrago foi concentrada. A Defesa Civil municipal registrou 46,09 milímetros, sendo cerca de 40 milímetros em um intervalo inferior a uma hora. O volume não teve vazão e transformou ruas inteiras em corredores de água.

A Prefeitura acionou a sala de crise para centralizar o atendimento. Equipes coordenadas pela Defesa Civil atuam com máquinas e equipamentos em diferentes regiões. No balanço mais recente, são 18 atendimentos ligados a alagamentos em vias públicas e garagens, cinco quedas de muros e dois destelhamentos de residências. As equipes também distribuíram 37 lonas, 15 para moradores e 22 para escolas.

Entre os locais mais prejudicados estão as imediações da Praça da Família, no São Pedro, ruas do bairro Santa Maria, a baixada da rua Israel, no Esplanada, a avenida São Pedro no sentido Efapi, as imediações do Ecoparque e o cruzamento das ruas Clevelândia e Rui Barbosa.

A rede municipal de ensino também sentiu. A Secretaria de Educação informou que foram identificadas ocorrências em aproximadamente 23 instituições, com entupimento e transbordamento de calhas, goteiras e alagamentos. Em 11 unidades, os danos comprometeram as condições de atendimento e obrigaram ao cancelamento total ou parcial das aulas no período da tarde.

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Nas demais escolas afetadas, a orientação é que as famílias que tiverem condições mantenham as crianças em casa, sem prejuízo em faltas, atividades ou avaliações. Equipes técnicas trabalham para restabelecer o atendimento regular.

O temporal veio depois de uma sequência de avisos. A Defesa Civil de Santa Catarina emitiu quatro comunicados para o Oeste antes das oito da manhã, e Chapecó chegou a ficar sob alerta roxo, a faixa de maior severidade. Enquanto a chuva caía, o sistema antigranizo entrou em operação e o estouro dos canhões foi ouvido de bairros diferentes.

Todo o estado segue em alerta. A atualização do Aviso Especial Hidrometeorológico, elaborada às 10h, colocou praticamente Santa Catarina inteira em risco muito alto até as 23h59, por causa de um ciclone extratropical formado no mar entre o litoral catarinense e o gaúcho. A orientação é não atravessar ruas alagadas, manter distância de rios e córregos e acionar a Defesa Civil pelo 199 ou os Bombeiros pelo 193.

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