O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (9), no Rio de Janeiro, que “o Bolsonaro pediu um patrocínio e o Lula pediu propina”. A declaração foi dada a jornalistas durante ato de campanha, ao comentar a reportagem da revista Veja sobre áudios e documentos atribuídos a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Segundo a revista, Vorcaro relata ter pago cerca de R$ 30 milhões em dinheiro, “por fora”, para cobrir despesas de um documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dirigido pelo cineasta Oliver Stone e lançado em 2024. No áudio, o ex-banqueiro compara esse repasse ao dinheiro pedido por Flávio para o filme sobre Jair Bolsonaro: diz que o do filme de Lula “foi por fora, foi errado” e que o de Flávio foi “patrocínio normal”.
“Eu fui injustiçado. Você não sabe como é difícil disputar um cargo público tomando tanta pancada com mentira”, disse Flávio. “Muita gente me pré-julgou porque eu fui pedir um patrocínio para um empresário, para um filme privado do presidente Bolsonaro, sem absolutamente nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República.”
Na sequência, o candidato citou o áudio. “O que nós vimos agora, com o áudio do próprio Vorcaro, dizendo o que eu sempre falei desde o dia um: com o filme do Bolsonaro não tem nada de errado. Já com o filme do Lula, foi dinheiro por fora. Esse cara recebeu propina. Então o Bolsonaro pediu um patrocínio e o Lula pediu propina”, afirmou.

Flávio disse ainda que Vorcaro “deu 30 milhões por fora para o Instituto Lula” e acusou intermediários do governo de cobrar 10% de propina para direcionar dinheiro de fundos ligados à Caixa e ao Banco do Brasil a papéis do Banco Master. Ele citou o nome de Alexandre Padilha e fechou a fala com um ataque: “Essa é a digital do governo Lula, é um bando de propineiro, vagabundo e ladrão”.
O senador estava ao lado do governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL).
O que diz a reportagem da Veja
De acordo com a revista, os áudios e documentos descrevem negociações de Vorcaro com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto para que o Banco Master tivesse acesso a fundos de pensão de estatais. A reportagem atribui a Vaccari a cobrança de 10% do que o banco captasse nesses fundos. O dinheiro para o documentário teria sido destinado ao Instituto Lula, dirigido por Paulo Okamotto.
A data da gravação não foi informada, e o áudio não consta dos autos do caso Master.
O que dizem Lula, o PT e os investigadores
Lula afirmou à revista que nunca pediu nem recebeu vantagem financeira e que não autorizou ninguém a receber recursos de Vorcaro em seu nome. A campanha do presidente classificou o material como acusações sem comprovação, feitas para tumultuar a eleição, e informou que vai tomar medidas na Justiça. O PT afirmou que não existe delação aceita nem registro desse depoimento na Polícia Federal, e lembrou que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para o filme sobre o pai.
A Polícia Federal informou que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo relatado e que as propostas de delação dele não foram aceitas por não atenderem aos requisitos legais. A Procuradoria-Geral da República disse que as tratativas foram conduzidas por advogados, sem contato direto com Vorcaro, e que a proposta foi rejeitada.
Alexandre Padilha nega ter relação com Vorcaro. A Previ, fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil, informou que não tem exposição ao Banco Master.
O filme sobre Bolsonaro
O filme citado por Flávio é “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador já havia confirmado que procurou Vorcaro para pedir dinheiro para a produção e sustenta que se tratou de financiamento privado a um filme privado, sem irregularidade. O caso é investigado, e o financiamento do filme também está no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria do ministro Flávio Dino, por suspeita de uso de emendas parlamentares.
Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno da eleição presidencial no dia 25 de outubro.
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