A chuva forte que atingiu Chapecó na manhã desta sexta-feira (11) deixou ruas de vários bairros debaixo d’água e rendeu cenas que rodaram as redes sociais em poucos minutos. Em um dos registros, uma mulher aparece atravessando um trecho alagado com água na altura da cintura, de guarda-chuva na mão, enfrentando a correnteza. Em outro, uma moto é arrastada pela força da água.
A virada do tempo pegou a cidade em pleno início de expediente. O céu escureceu de uma hora para outra, a chuva veio acompanhada de vento forte e o volume concentrado em pouco tempo não deu vazão, alagando ruas inteiras.
A Defesa Civil passou a manhã atendendo chamados em pontos diferentes de Chapecó, com 15 ocorrências classificadas como mais urgentes.
Na região da Rua Lions Club, no bairro Seminário, uma sanga transbordou e a água passou por cima da rua. Imagens feitas no local mostram o trecho com volume alto e correnteza visível, com a água tomando conta do terreno ao redor.
Em outros bairros, moradores registraram carros atravessando com água na altura das rodas e trechos em que o asfalto sumiu por completo. Os vídeos foram enviados a perfis locais e se espalharam ao longo da manhã.
A Defesa Civil desaconselha exatamente esse tipo de travessia. A água esconde buracos, bueiros abertos e a profundidade real do trecho, e a correnteza pode arrastar pessoas e veículos, como mostra o registro da moto levada pela enxurrada.
A chuva veio depois de uma sequência de alertas. Foram quatro comunicados da Defesa Civil de Santa Catarina para o Oeste antes das oito da manhã. O primeiro, às 6h57, em faixa vermelha, de risco muito alto, incluiu Chapecó e outras 18 cidades, com previsão de temporal com raios, rajadas de vento, granizo e alagamentos.
Às 7h23, a cidade voltou à lista em novo alerta vermelho, com validade até 9h23. Às 7h42, a Defesa Civil estendeu o risco de temporais para as regiões do Oeste, Meio Oeste, Planalto Norte e Planalto Sul, com validade até as 10h42.
Enquanto a chuva caía, o sistema antigranizo entrou em operação e o estouro dos canhões foi ouvido de bairros diferentes. Os equipamentos atuam apenas sobre a formação das pedras de gelo e não têm efeito sobre o volume de água que chega ao solo, que é o que provocou os alagamentos.
Nas redes, os vídeos viraram debate sobre drenagem. Moradores apontaram ruas que, segundo eles, alagam há anos toda vez que chove forte e cobraram obras, enquanto outros argumentaram que chuva concentrada em pouco tempo derruba a estrutura de qualquer cidade.
A instabilidade desta sexta está ligada à formação de um ciclone extratropical próximo ao litoral do Rio Grande do Sul, que mantém o tempo carregado em boa parte de Santa Catarina ao longo do dia, com risco de novas pancadas, rajadas de vento e tempestades localizadas.
A orientação é evitar deslocamentos durante os temporais, não atravessar ruas alagadas nem pontes e pontilhões submersos, manter distância de árvores, placas e postes e desligar aparelhos eletrônicos durante as descargas elétricas. Ocorrências devem ser comunicadas pelo 199 ou pelo 193.
















