Atualização, 21/09/2026: O avanço do mar na Praia do Cardoso, no Farol de Santa Marta, foi confirmado como um tsunami meteorológico, fenômeno provocado por mudanças bruscas na pressão atmosférica ligadas à passagem de tempestades sobre o mar.
O mar avançou de repente sobre a Praia do Cardoso, no Farol de Santa Marta, em Laguna (SC), na manhã desta segunda-feira (21), e arrastou pequenas embarcações de pescadores para a beira da praia. Vídeos gravados no local e publicados nas redes sociais mostram a água correndo com força pela areia e cercando os barcos que estavam em terra.
Quem registrou a cena descreveu o episódio como um tsunami meteorológico, fenômeno raro que já atingiu a mesma praia em outras ocasiões. Segundo o relato publicado com as imagens, ninguém se feriu. Algumas embarcações foram deslocadas pela força da água e, depois que o mar voltou ao nível normal, os pescadores se reuniram na areia para recolher os barcos e reorganizar os apetrechos atingidos.
Nos casos anteriores registrados na região, a confirmação se apoiou nos dados dos marégrafos instalados na costa catarinense, que medem a variação do nível do mar.
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O avanço do mar aconteceu numa manhã de tempo virado no Litoral Sul. Moradores registraram nuvens carregadas sobre Laguna logo cedo. Segundo a Defesa Civil, a madrugada foi de tempo firme em grande parte do estado, mas as instabilidades ligadas à formação de uma frente fria chegaram primeiro ao Sul catarinense, com condições para temporais com raios, chuva intensa, rajadas de vento e granizo, principalmente perto da divisa com o Rio Grande do Sul.

Rastro de estragos no Rio Grande do Sul
Antes de chegar a Santa Catarina, a frente fria atravessou o Rio Grande do Sul durante a madrugada com uma linha de instabilidade que provocou vendavais em diversas regiões gaúchas. As rajadas passaram de 100 km/h em vários municípios, com queda de árvores e destelhamentos. Uma árvore caída chegou a bloquear a BR-386 nos dois sentidos em Triunfo.
Os estragos na rede elétrica chegaram a deixar quase 840 mil clientes sem luz no estado, cerca de 510 mil na área da CEEE Equatorial e 329 mil na da RGE, segundo os painéis das concessionárias. Pelotas, na Região Sul gaúcha, teve mais de 87 mil clientes sem energia, e Porto Alegre, cerca de 37 mil. O Inmet mantém alerta vermelho para grande parte do território gaúcho, com risco de rajadas acima de 100 km/h, chuva intensa e granizo.
Alertas em Santa Catarina
Em Santa Catarina, a Defesa Civil emitiu ainda na madrugada alerta de risco muito alto para temporal em Araranguá, Balneário Arroio do Silva, Balneário Gaivota, Ermo, Jacinto Machado, Passo de Torres, Praia Grande, Santa Rosa do Sul, Sombrio, São João do Sul e Turvo. Em seguida, vieram avisos de risco alto para Laguna, Capivari de Baixo, Gravatal, Imaruí, Imbituba, Jaguaruna, Pescaria Brava e Tubarão, com validade até as 8h19, e para 16 municípios da região de Criciúma e Araranguá, entre eles Criciúma, Içara, Forquilhinha, Balneário Rincão e Morro da Fumaça, até as 9h48.
O risco de alagamentos, danos na rede elétrica, queda de galhos e árvores e destelhamentos é considerado moderado a alto. A previsão é de que as instabilidades ganhem força durante a tarde, o que aumenta as condições para tempestades severas. A orientação é buscar abrigo longe de árvores, placas e postes, não entrar na água e não dirigir em locais alagados. Ocorrências devem ser comunicadas pelo 199, da Defesa Civil, ou pelo 193, do Corpo de Bombeiros.
O que é o tsunami meteorológico
Apesar do nome, o tsunami meteorológico não tem relação com terremotos. Ele é provocado por mudanças bruscas na pressão atmosférica e por ventos fortes ligados a sistemas que avançam rápido sobre o mar, como as linhas de instabilidade, formadas por tempestades alinhadas. Essa perturbação gera uma onda longa que ganha altura quando chega às águas rasas perto da costa.
Quando a velocidade da linha de instabilidade coincide com a das ondas que ela produz, o efeito se amplifica e o mar sobe rápido, em questão de minutos. No litoral do Sul do Brasil, o fenômeno costuma aparecer como uma inundação costeira repentina, e não como uma onda gigante. Em praias quase planas e voltadas para o sul, como as de Laguna, a água pode avançar de dezenas a centenas de metros sobre a orla, segundo a Defesa Civil.
Não é a primeira vez no Cardoso
A Praia do Cardoso já foi atingida pelo fenômeno em 11 de novembro de 2023. Naquela tarde, depois de um dia de calor forte, uma frente de rajada passou pelo Litoral Sul e o mar invadiu a praia, arrastando carros que estavam estacionados na areia. Os veículos chegaram a boiar e a bater contra construções da orla. Ninguém se feriu. As rajadas medidas no Farol de Santa Marta chegaram a 73 km/h na hora do temporal.
Em dezembro de 2024, foi a vez de Jaguaruna: por volta da 1h de uma segunda-feira, o mar avançou de forma súbita e a estação maregráfica de Balneário Rincão registrou elevação de um metro no nível da água em poucos minutos, conforme a Defesa Civil. Em janeiro deste ano, o mar voltou a subir de repente no Cardoso após um dia de calor intenso, sem danos graves, segundo o órgão. Na mesma época, um episódio parecido na costa da província de Buenos Aires, na Argentina, deixou um morto e cerca de 35 feridos.
A Defesa Civil trata o fenômeno como raro e de difícil previsão, e os registros no litoral catarinense se concentram na primavera, estação que começa nesta terça-feira (22). A Epagri mantém uma rede de marégrafos ao longo da costa e contabiliza ao menos quatro ocorrências em Santa Catarina entre 2014 e 2020, além dos episódios mais recentes em Laguna e Jaguaruna.
Até a publicação desta reportagem, não havia registro de feridos no Farol de Santa Marta. A Defesa Civil segue acompanhando o avanço da frente fria pelo estado ao longo desta segunda-feira.
















