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Tsunami meteorológico em SC: câmeras flagram o mar “engolindo” a Praia do Cardoso

Imagens de segurança de um restaurante no Farol de Santa Marta, em Laguna, mostram a areia desaparecer debaixo da água em pouco mais de 20 segundos na manhã desta segunda-feira (21)

Sequência de imagens de câmera de segurança mostra o mar cobrindo a Praia do Cardoso, no Farol de Santa Marta, em Laguna
Foto: Reprodução
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Câmeras de segurança do Restaurante Brisa do Mar, na Praia do Cardoso, no Farol de Santa Marta, em Laguna (SC), registraram o momento em que o mar avançou sobre a orla na manhã desta segunda-feira (21). As imagens mostram a faixa de areia desaparecer debaixo da água em pouco mais de 20 segundos.

Às 5h49, pelo relógio das câmeras, as ondas ainda quebram perto da beira e a areia aparece seca entre as estacas fincadas na praia. Segundos depois, a água sobe com força, passa pelas estacas e avança em direção ao restaurante. Às 5h50, toda a praia enquadrada pela câmera já está coberta pelo mar.

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A água invadiu o bar e restaurante e chegou a outros estabelecimentos perto da praia, além de áreas usadas por pescadores para guardar barcos e equipamentos de pesca. Pequenas embarcações foram arrastadas pela força do mar. Não há registro de feridos.

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Capa do vídeo do YouTube

A Defesa Civil de Santa Catarina confirmou que o episódio foi um tsunami meteorológico, fenômeno raro e de difícil previsão. O mar avançou no início da manhã em que as instabilidades de uma frente fria chegavam ao Litoral Sul, com alertas de temporal com raios, rajadas de vento, granizo e alagamentos para cerca de 30 cidades do Sul do estado, entre elas Laguna.

Mais cedo, vídeos gravados por moradores já mostravam barcos de pescadores sendo arrastados pela água na mesma praia. Depois que o mar voltou ao nível normal, os pescadores se reuniram na areia para recolher as embarcações e reorganizar os apetrechos atingidos.

O que é o tsunami meteorológico

Apesar do nome, o tsunami meteorológico não tem relação com terremotos. Ele é provocado por mudanças bruscas na pressão atmosférica e por ventos fortes ligados a sistemas que avançam rápido sobre o mar, como as linhas de instabilidade, formadas por tempestades alinhadas. Essa perturbação gera uma onda longa que ganha altura quando chega às águas rasas perto da costa.

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Quando a velocidade da linha de instabilidade coincide com a das ondas que ela produz, o efeito se amplifica e o mar sobe em questão de minutos, como mostram as câmeras do Cardoso. No litoral do Sul do Brasil, o fenômeno costuma aparecer como uma inundação costeira repentina, e não como uma onda gigante. Em praias quase planas e voltadas para o sul, como as de Laguna, a água pode avançar de dezenas a centenas de metros sobre a orla, segundo a Defesa Civil.

Terceira vez no Cardoso desde 2023

A Praia do Cardoso já tinha sido atingida pelo fenômeno em 11 de novembro de 2023. Naquela tarde, depois de um dia de calor forte, uma frente de rajada passou pelo Litoral Sul e o mar invadiu a praia, arrastando carros estacionados na areia. Os veículos chegaram a boiar e bater contra construções da orla. Ninguém se feriu.

Em janeiro deste ano, o mar voltou a subir de repente no Cardoso após um dia de calor intenso, sem danos graves, segundo a Defesa Civil. Em dezembro de 2024, foi a vez de Jaguaruna, onde a estação maregráfica de Balneário Rincão registrou elevação de um metro no nível do mar em poucos minutos. Os registros no litoral catarinense se concentram na primavera, estação que começa nesta terça-feira (22).

Rastro da frente fria

Antes de chegar a Santa Catarina, a frente fria atravessou o Rio Grande do Sul durante a madrugada, com rajadas acima de 100 km/h em vários municípios, queda de árvores e destelhamentos. Os estragos na rede elétrica chegaram a deixar quase 840 mil clientes sem luz no estado gaúcho, segundo as concessionárias. Só em Pelotas, foram mais de 87 mil.

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Em Santa Catarina, a previsão é de que as instabilidades ganhem força durante a tarde, com condições para tempestades severas. A orientação da Defesa Civil é buscar abrigo longe de árvores, placas e postes, não entrar na água e não dirigir em locais alagados. Ocorrências devem ser comunicadas pelo 199, da Defesa Civil, ou pelo 193, do Corpo de Bombeiros.

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