O senador Esperidião Amin (PP-SC) voltou à tribuna do Senado nesta terça-feira (13), na primeira participação presencial no plenário desde que perdeu a eleição em Santa Catarina. Amin disse que a derrota não abala a confiança dele na democracia e foi homenageado por colegas de vários partidos, inclusive por senadores que estão do outro lado na disputa presidencial.
O discurso aconteceu na sessão que fez a quarta rodada de discussão da PEC 221/2019, a proposta que acaba com a escala 6×1. Amin foi o segundo orador inscrito, logo depois do senador Paulo Paim (PT-RS).
Antes mesmo de Amin entrar no assunto da eleição, Paim pediu um aparte. O petista, que decidiu não disputar a reeleição, lembrou que os dois trabalharam lado a lado por anos e que Amin sempre deixava claro quando podia ou não acompanhá-lo numa pauta. “A sua coerência, a sua história, permita que eu diga: Vossa Excelência vai fazer muita falta, muita falta aqui no Senado da República”, disse Paim.
Amin devolveu o elogio e respondeu com a imagem de uma corrida de revezamento. “Vossa Excelência também vai fazer muita falta. De forma que nós temos que nos convencer de que a política exige a corrida de revezamento”, afirmou. Para o catarinense, quem está na política precisa estar sempre preparado para entregar o bastão e torcer para que o sucessor seja bem-sucedido.

Em seguida, Amin fez o comentário sobre a eleição no estado. “O insucesso eleitoral em nada abala a minha confiança na democracia e no respeito à democracia, e no respeito à vontade popular”, disse. O senador afirmou que participou de “uma eleição alegre”, em que a proposta dele “sempre foi construir”, e citou os aliados da campanha: João Rodrigues, candidato a governador, Carlos Chiodini, candidato a vice, e o deputado estadual Antídio Lunelli, parceiro da coligação.
“Como esta é a minha primeira participação presencial depois da eleição, é para agradecer a confiança daqueles que optaram pelo meu nome”, disse Amin. Ele estendeu o agradecimento a quem fez “outra opção democrática”, reafirmou o “absoluto respeito ao resultado das urnas” e desejou que, nessa corrida de revezamento, Santa Catarina e o Brasil ganhem.
Na mesma fala, Amin reforçou o apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial. O senador lembrou que declarou voto no colega em dezembro do ano passado e que defendeu a senadora Tereza Cristina como vice. Segundo Amin, o partido e a federação pensaram diferente naquele momento, mas agora o Progressistas e a Federação União Progressista estão alinhados com a candidatura de Flávio.
Amin também apresentou uma indicação, assinada pela senadora Ivete da Silveira (MDB-SC), que pede ao Ministério das Comunicações e aos Correios um selo comemorativo em homenagem ao artista Juarez Machado. Nascido em Joinville em 16 de março de 1941, o pintor morreu no último dia 6, aos 85 anos. Amin pediu que o senador Jorge Seif (PL-SC) também assine o pedido.
“Tomara Deus que Santa Catarina não se ressinta”
Quem presidia a sessão naquele momento, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), lamentou a saída de Amin. “Mais do que pela sua ausência, que será muito notada, muito sentida por todos desta Casa, tomara Deus, tomara Deus, que Santa Catarina não se ressinta da mesma”, disse. Veneziano afirmou que falava “do fundo do coração”, mesmo achando que essa torcida não seria atendida, se colocou à disposição dos dois novos integrantes da bancada catarinense e se despediu de Amin com um “grande abraço, meu professor”.
Mais tarde, no próprio discurso, em que defendeu a reeleição do presidente Lula, Veneziano voltou a falar do catarinense. Disse que Amin, “mesmo pensando diferente”, é “altamente equilibrado, competente, democrata”.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), próxima oradora inscrita, abriu a fala com a homenagem. “O Brasil perdeu. Parlamento perdeu”, disse. Damares afirmou que não sabe como vai viver no plenário “sem o Amin, sem a alegria dele, sem o companheirismo, sem a serenidade, a maturidade”, e prometeu um discurso só sobre o legado do colega. “Senador Amin, lhe amo, lhe amo, lhe respeito”, completou.
Amin segue no mandato até a posse da nova legislatura, em fevereiro de 2027, quando Santa Catarina passa a ter dois novos senadores. A PEC do fim da escala 6×1, pauta da sessão desta terça, tem votação prevista para esta quarta-feira (14) no plenário do Senado.
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