O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), escolheu a palavra “irracionalidade” para comentar o resultado da eleição ao Senado em Santa Catarina. Neste sábado (10), seis dias depois de Carlos Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, conquistar uma das duas vagas do estado, o ministro publicou no X um longo texto exaltando Esperidião Amin (PP), o senador que ficou de fora.
“Diante da derrota de Djalma Marinho na eleição para senador, em 1974, Jarbas Passarinho observou que os movimentos populares têm sua lógica e sua irracionalidade. Essa reflexão ecoa agora, com a não reeleição de Esperidião Amin para o Senado Federal”, escreveu Gilmar.
O ministro não citou nenhum dos dois eleitos. Carlos Bolsonaro teve 25,35% dos votos válidos e ficou com a segunda vaga. A primeira foi de Carol de Toni (PL), com 33,46%. Amin terminou em terceiro, com 15,31%, cerca de 1,2 milhão de votos.



O silêncio sobre o vencedor chama atenção pelo histórico entre o tribunal e a família Bolsonaro. Em setembro de 2025, o STF condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. A partir de 2027, o filho do ex-presidente vai ocupar a cadeira que era de Amin no Senado, a Casa que aprova as indicações ao Supremo e julga pedidos de impeachment de ministros.
No resto da publicação, Gilmar fez a lista dos feitos do senador derrotado. “Poucos nomes marcaram tanto a política catarinense. Foram quase seis décadas de vida pública”, escreveu. Lembrou que Amin foi duas vezes prefeito de Florianópolis, governador aos 35 anos e de novo em 1998, três vezes deputado federal, duas vezes senador, presidente nacional do partido e candidato à Presidência da República em 1994.
“Santa Catarina e o Congresso Nacional deixarão, lamentavelmente, de contar, a partir de 2027, com a experiência e o talento político de Amin. Permanece, porém, todo o legado de uma atuação séria e comprometida com o melhor interesse público”, concluiu o ministro, que se disse certo de que o senador “continuará a desempenhar um papel fundamental para os catarinenses e para o país”.
A homenagem é a um senador que passou o mandato criticando o próprio Supremo. Na campanha, Amin disse ter votado contra as indicações de Flávio Dino e Cristiano Zanin para o STF. Depois da derrota, contou em entrevista à repórter Gabrielle Tavares, do portal ND+, que, se fosse reeleito, pretendia disputar a Presidência do Senado para buscar “a autocontenção, especialmente do Judiciário”.
Na mesma entrevista ao ND+, Amin atribuiu a derrota ao peso do sobrenome que venceu. “O nome Bolsonaro é muito forte no estado. A gente está vendo aí a Carol De Toni e o próprio filho dele”, disse. Ele reconheceu o resultado e desejou que os eleitos “correspondam à expectativa do povo catarinense”.
Até o início da tarde, a publicação de Gilmar tinha mais de 2 mil respostas e cerca de 170 mil visualizações. Perfis de direita compartilharam o texto e leram a comparação com 1974 como um recado aos eleitores catarinenses, e nas respostas eleitores comemoravam a derrota do senador.
Fonte: entrevista de Esperidião Amin à repórter Gabrielle Tavares, no portal ND+.
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