O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta segunda-feira (12) o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques. No domingo (11), o ministro mandou tirar do ar o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, acusado de espalhar fake news contra Flávio Bolsonaro (PL). “O que não pode é o presidente da Suprema Corte Eleitoral ter lado na política”, disse Lula a jornalistas nos jardins do Palácio da Alvorada, em Brasília.
Foi o segundo dia seguido de ataque ao tribunal. No domingo, em São Paulo, Lula já tinha chamado a suspensão do canal de absurda e acusado a Justiça Eleitoral de tomar decisões tendenciosas contra a candidatura dele, como o Jornal Razão mostrou.
Desta vez, a pergunta era sobre as novas medidas de Nunes Marques, que mandou a área técnica do TSE analisar o canal e chamou as duas campanhas para uma reunião. Lula começou dizendo que não sabia do assunto. “Não tô acompanhando essa decisão, de qualquer forma, o departamento jurídico da campanha vai cuidar disso”, afirmou. Na frase seguinte, deu o veredito: “Eu acho que eles estão extrapolando em algumas decisões contra a minha campanha. Isso é visível, isso já foi denunciado”.
“Exército, a Marinha e Aeronáutica do Lula”
Em vez de recuar, Lula prometeu aumentar a tropa digital. “Eu não vou criar só o Exército do Lula, eu vou criar agora o Exército, a Marinha e Aeronáutica do Lula, sabe? No WhatsApp”, disse. “É a forma mais barata da gente fazer campanha. E nós vamos continuar criando os nossos exércitos”.

O presidente também cobrou explicações do ministro. “Pra ele achar que ele tem que cortar, ele tem que mostrar qual é a ilegalidade que tem, onde é que estamos transgredindo a lei”, afirmou. Para Lula, o lado do presidente do TSE “tem que ser o lado da igualdade de comportamento, da igualdade de procedimento”. “Todos têm que ter o mesmo direito diante da Justiça Eleitoral. É isso que eu quero. Só isso, nada mais do que isso”, completou.
O que derrubou o canal
O “Exército do Lula” é coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e tem mais de 3 milhões de seguidores. No domingo, Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro e mandou a Meta suspender o canal até a homologação do resultado do segundo turno. Na decisão, o ministro escreveu que o canal era usado, sob comando único, para replicar a milhões de pessoas conteúdos que o TSE já tinha reconhecido como falsos.

A ordem durou poucas horas. Na tarde do mesmo domingo, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, restabeleceu o canal e disse não ver, por enquanto, provas que justifiquem uma restrição tão ampla. Continua proibido republicar o que a Justiça Eleitoral já considerou ilegal. A palavra final será do plenário do TSE.
Área técnica não achou as fake news citadas
Nesta segunda, a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE entregou a análise pedida por Nunes Marques. Segundo a colunista Manoela Alcântara, do Metrópoles, em coluna publicada nesta segunda-feira (12), os técnicos examinaram as mensagens públicas do canal entre 2 e 11 de outubro. Eles não encontraram publicações que repetissem as afirmações investigadas no processo, sobre corte de benefícios sociais, aposentadorias e temas religiosos.
O relatório tem ressalvas. Mensagens de setembro foram apagadas antes da verificação e os vídeos ligados às postagens não puderam ser transcritos por inteiro, por causa da urgência do pedido, ainda segundo a coluna de Manoela Alcântara no Metrópoles. Os técnicos também apontaram “evidências de atuação coordenada e centralizada para inflar conteúdos digitais”. O canal saltou de cerca de 55 mil seguidores, em 5 de outubro, para 3,3 milhões no dia 11.
De acordo com o Estadão Conteúdo, o documento é assinado pelo chefe do setor, Frederico Alvim, e cita ainda o uso recorrente de linguagem polarizadora no canal.
O que vem agora
Nunes Marques chamou representantes das campanhas de Lula e de Flávio para uma reunião nesta terça-feira (13), segundo o Poder360. O caso do canal ainda será julgado pelo plenário do TSE, sem data marcada. O segundo turno será em 25 de outubro.
Fontes: coluna de Manoela Alcântara, no Metrópoles, Estadão Conteúdo, em O Liberal, reportagem do Poder360 e Metrópoles.
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