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Eleições 2026

“Me chamavam de genocida e negacionista, hoje está todo mundo de boca fechada”

Candidata a deputada estadual pelo PL e ex-prefeita de Rancho Queimado, Cleci Veronezi defendeu no estúdio do Jornal Razão o tratamento precoce que distribuiu na pandemia, disse que não se vacinou contra a covid, orienta outras pessoas a não se vacinarem e apontou Anthony Fauci como responsável pelas medidas adotadas no mundo.

“Me chamavam de genocida e negacionista, hoje está todo mundo de boca fechada”
Foto: Reprodução
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Rancho Queimado tem 5 mil habitantes, nenhum hospital, nenhum leito de UTI e dois postos de saúde. Quando a covid-19 chegou, a prefeita da cidade decidiu distribuir ivermectina, hidroxicloroquina e azitromicina, e fez isso, no começo, às escondidas, com medo dos órgãos de controle. Cinco anos depois, sentada no estúdio do Jornal Razão como candidata a deputada estadual, ela não recuou de nada. E foi além: disse que nunca se vacinou contra a doença e que orienta outras pessoas a não se vacinarem.

Cleci Veronezi (PL) foi vereadora, presidente da Câmara e prefeita de Rancho Queimado por dois mandatos, no município que ela chama de capital catarinense do morango. Diz ter deixado o cargo com o sucessor eleito e mais de 90% de aprovação, número que, segundo ela, está entre os maiores do país para uma mulher gestora. Agora disputa uma vaga na Assembleia Legislativa de Santa Catarina.

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A pandemia e o embate

O trecho mais duro da conversa foi sobre a pandemia. Sem estrutura hospitalar no município, Cleci afirma ter adotado o chamado tratamento precoce por indicação do médico da cidade, Armando Taranto. “Quando você está numa guerra, você precisa achar as armas que você tem”, declarou. Na versão dela, a distribuição começou discreta, por medo dos órgãos de controle e da repercussão na imprensa, que apontava a ausência de base científica.

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A ex-prefeita sustenta que a estratégia funcionou, que Rancho Queimado registrou índice muito baixo de óbitos e que a cidade evitou ocupar leitos de UTI da Grande Florianópolis, chegando a receber moradores de outros municípios atrás do mesmo tratamento. São afirmações da entrevistada. O Jornal Razão registra que órgãos sanitários e a literatura médica predominante não reconhecem eficácia do tratamento precoce contra a covid-19.

Ela relata ter recebido recomendações e o que classificou como ameaças judiciais e intimidações, e cita como exemplo a exigência de receita controlada para a ivermectina. “Pasme, receita controlada para ivermectina foi exigida. Receita controlada é para remédios de controle, tarja vermelha”, disse, lembrando que hoje o medicamento é vendido sem essa exigência. Ainda assim, fez uma ressalva ao Ministério Público: na avaliação dela, não houve má-fé, porque o órgão segue cartilha e cumpre o papel institucional de fiscalizar.

Para vencer a resistência interna, sobretudo dentro da própria saúde, contou que convocou um fórum com a Câmara de Vereadores, o Conselho Municipal de Saúde, a Polícia Militar, a Polícia Civil e a Defesa Civil. “Eu como prefeita me coloco na frente e tenho coragem para segurar isso”, afirmou.

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Me chamavam de bolsonarista, genocida, negacionista. E hoje todo mundo com a boquinha fechada.

“Não, jamais”

Perguntada se havia se vacinado, respondeu que não, e que não pretende. “Não, jamais. E oriento para que não faça”, disse. A justificativa apresentada é a de que a vacina contra a covid não estaria comprovada, que um imunizante precisa ser preventivo e estava sendo tratado como cura, e que teria sido desenvolvido de forma experimental e rápida demais, preocupação que ela estendeu especialmente às crianças. Cleci delimitou o alcance da posição: é contra a vacina da covid, e não contra as demais.

Ela também defendeu que a decisão de vacinar crianças cabe à família. “Quem tem que decidir isso é o pai e a mãe. Não é Estado, não é governo”, afirmou. As vacinas contra a covid-19 aplicadas no Brasil passaram por ensaios clínicos e registro na Anvisa antes da distribuição, e a orientação para não se vacinar contraria as recomendações das autoridades sanitárias.

A ex-prefeita responsabilizou nominalmente o imunologista Anthony Fauci pelas medidas adotadas no mundo, entre elas máscara, distanciamento social e vacinação, e afirmou que ele hoje está calado, apesar de, segundo ela, seus registros dizerem o contrário. Ao ser questionada se Fauci seria, então, o genocida, respondeu: “Com certeza”. Sobre Jair Bolsonaro, disse que ele foi “um dos homens mais corajosos por falar a verdade”. Durante a entrevista, o Jornal Razão ponderou que o tema vem sendo explorado em ano eleitoral, numa guerra de narrativas em que é difícil cravar quem está certo.

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Sobre a gestão do isolamento no município, foi taxativa: não fechou a cidade, manteve o ginásio aberto, disponibilizou máscaras sem obrigar o uso e classificou como “uma balela” a regra de distanciamento em restaurantes. O saldo, na conta dela, ficou na economia e na cabeça das pessoas. “Olha o que causou na economia do nosso país. Olha o medo que causou”, disparou.

Da lona à prefeitura

A biografia que ela usa para explicar a própria postura começa embaixo de uma lona. O pai trabalhava com erva-mate nativa e a família se deslocava de cidade em cidade atrás da colheita, passando por lugares como Bocaina do Sul e Curitibanos. “Eu fui ter uma casa depois de 10 anos. Eu morei embaixo de uma lona”, afirmou. Perguntada se aquilo se parecia com uma vida de cigano, respondeu que era mais ou menos isso, e que a experiência forjou o que considera sua principal característica: “Coragem não é para qualquer um”.

Formada em Educação Especial, foi professora de séries iniciais, orientadora e diretora antes da política. Na prefeitura, diz que o método para tocar uma cidade de R$ 14 milhões de arrecadação anual não foi ofício, foi projeto. Segundo ela, o município ficou entre as maiores captações do estado em 2020, no auge da pandemia, e a arrecadação saltou de R$ 14 milhões para R$ 57 milhões ao longo da gestão. “Nada cai do céu, Lorran. E se você ficar parado, o carro passa por cima”, resumiu. “Tem recurso para tudo. Só falta fazer projetos.”

O dinheiro, conta, entrou majoritariamente em pavimentação rural, decisão que justifica pela geografia: é da zona rural que escoa a produção, saem as crianças para a escola e as pessoas se deslocam para a saúde, enquanto a área urbana das cidades pequenas já costuma estar asfaltada.

Escola, sindicato e a voz dos professores

Na educação, área em que se formou, afirma que um dos primeiros projetos como prefeita foi adotar um sistema de ensino integrando criança, escola e família e, nas palavras dela, “sem ideologias de gênero”. Cobrada a dar exemplos concretos, citou professores da educação infantil que trocariam cirandas por músicas que classificou como mais sensuais, e a proposta de banheiro único nas escolas. “Não concordo com isso. E é isso que eu tirei de dentro das escolas do meu município”, declarou.

Se eleita, quer ser a voz dos professores na Alesc, e para isso atacou a representação sindical. “O sindicato, na verdade, ele atrapalha”, afirmou, sustentando que não seria preciso parar aula nem ir para a rua se houvesse alguém sentado à mesa com o governo. Questionou a aplicação da hora-atividade, defendeu apoio psicológico e estrutura de trabalho, mas admitiu não chegar com pauta fechada: “Por mais que eu tenha prática na sala de aula, existem muitas realidades diferentes”.

A bandeira da BR-282

A bandeira central da campanha, porém, é asfalto. Cleci aponta a BR-282 como gargalo crônico, com fila de até uma hora para quem sobe a serra depois das 15h30 no trecho de Santo Amaro da Imperatriz, e cobra terceiras faixas sobretudo entre Águas Mornas e Alfredo Wagner. Cita 1.739 acidentes e 100 mortes na via no último ano e alerta que o número real de óbitos seria maior, porque a estatística contabiliza apenas as mortes ocorridas na pista, e não as de quem chegou a ser levado ao hospital.

Diante da contradição de uma candidata a deputada estadual defender obra em rodovia federal, ela respondeu com um argumento fundiário. Afirma ter contado mais de 124 matrículas de faixa de domínio, os 30 metros laterais à pista, que seguem em nome do estado de Santa Catarina, esquecidas ou nunca transferidas à União, no trecho entre Santo Amaro da Imperatriz e Bocaina do Sul. A proposta é usar essas áreas, junto ao Governo do Estado e ao governador Jorginho Mello (PL), para viabilizar terceiras faixas onde for possível, priorizando a descida, onde se concentram os óbitos. “São vidas sendo ceifadas. Se não se importar com vidas, com o que você vai se importar?”, questionou.

Como credencial de articulação, citou o túnel na entrada de Rancho Queimado, obra em área federal que, segundo ela, está sendo finalizada e resolve o ponto onde mais ocorriam acidentes, quando motoristas paravam sobre a pista para acessar a cidade. O impacto, argumenta, também é de imagem: “Rancho Queimado, a primeira coisa que vem é acidente. Águas Mornas, acidente”, disse, sustentando que a busca por essas cidades deveria remeter a água termal e morango, não a colisões.

No turismo, lista o que construiu para exportar como modelo: praça coberta com luzes cênicas, estrutura de gastronomia, música e feira, movimento que segundo ela passa de 4 mil pessoas nos fins de semana, além da maior plataforma de vidro de Santa Catarina, das pousadas, dos cafés coloniais, da colheita de morango e da água mineral centenária. Diz que quer atuar como ponte entre pequenos municípios, o Governo do Estado e a Alesc para montar os projetos que destravam editais. “Sem projeto você não vai para frente”, repetiu.

Nas considerações finais, reconheceu que a disputa é desigual diante de nomes com maior visibilidade estadual, mas afirmou trabalhar há mais de um ano visitando municípios e construindo base com empreendedores. “Eu não estou na política nem por vaidade nem por ambição, mas sim para fazer as coisas chegarem na vida das pessoas”, concluiu.

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