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“Eu fui preso por uma foto”, diz Juliano Martins sobre o 8 de janeiro; processo no STF terminou em acordo

Candidato a deputado estadual pelo PRD, o empresário de São Francisco do Sul ficou quase quatro meses preso em 2023 por ordem de Alexandre de Moraes; em 2025, fechou acordo com a PGR e não foi condenado

“Eu fui preso por uma foto”, diz Juliano Martins sobre o 8 de janeiro; processo no STF terminou em acordo
Foto: Reprodução
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Juliano da Silva Martins (PRD), empresário de São Francisco do Sul e candidato a deputado estadual, disse nesta quinta-feira (1º) que foi preso em 2023 por ter repostado uma foto dos atos de 8 de janeiro daquele ano. A fala foi em entrevista ao Estúdio JR, do Jornal Razão, ao apresentador Kaiann Barentin. A versão é dele: no Supremo Tribunal Federal (STF), a acusação foi além da postagem, e o processo terminou em 2025 com um acordo em que ele admitiu ter se associado a outras pessoas e incitado a animosidade das Forças Armadas contra os Poderes, sem condenação.

“Eu fui preso por uma foto”, afirmou. Segundo Juliano, a imagem havia sido publicada por um portal de notícias e ele a repostou com a frase “Orgulho de ser brasileiro, foram anos de luta”. A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), apresentada ao STF em 6 de junho de 2024, cita a publicação de 8 de janeiro de 2023, com imagem da invasão do Congresso e legenda em que ele dizia ter orgulho de ser brasileiro. A mesma denúncia lista outras postagens: um aviso de que sete ônibus de Blumenau estavam completos, vídeos de dezembro de 2022 chamando seguidores para o quartel-general do Exército e pedidos de intervenção das Forças Armadas.

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Juliano disse que não estava em Brasília no dia das invasões. “Detalhe: eu não estava no oito de janeiro”, declarou. “Eu não estava, eu estava em São Paulo atendendo um cliente.” O gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do STF, informou ao portal Metrópoles, em dezembro de 2023, que a Polícia Federal (PF) o apontava como um dos organizadores de caravanas, dizia que ele participou de um vídeo coletivo de convocação para o dia 8 e citava registros dele no gramado do Congresso Nacional. A PGR o denunciou por incitação ao crime e associação criminosa, sem acusá-lo de invadir os prédios nem de ter estado neles.

Na entrevista, o candidato atribuiu a prisão a uma iniciativa do ministro. “O Alexandre de Moraes pediu quatro vezes a minha prisão pra PGR. A PGR as quatro vezes negou”, disse. Em seguida, afirmou que Moraes “passou por cima da PGR e mandou me prender da mesma forma”.

Os registros do STF mostram outra sequência: o pedido de prisão partiu da Polícia Federal, não de Moraes. A PGR concordou só com parte do que a PF pediu e, segundo o Metrópoles, se manifestou contra a prisão preventiva em pelo menos três ocasiões. Moraes decretou a prisão em 8 de agosto de 2023. Juliano foi preso no dia 17 e ficou em Joinville até 6 de dezembro, pouco menos de quatro meses. Saiu com tornozeleira eletrônica e proibido de usar redes sociais.

Juliano contou que perdeu dois familiares nesse período. “Nesses quatro meses, eu perdi meu irmão com dez dias, meu irmão infartou”, disse. “Com noventa dias, eu perdi meu pai que eu cuidava.” Segundo ele, o pai tinha depressão, foi levado para a UTI e morreu. O relato é do candidato, que em dezembro de 2023 já havia dito ao Metrópoles ter perdido o pai, o irmão e um cunhado enquanto estava preso.

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O candidato não mencionou na entrevista como o processo terminou. A 1ª Turma do STF recebeu a denúncia em agosto de 2024 e ele virou réu. Em 19 de fevereiro de 2025, Moraes homologou um acordo de não persecução penal entre Juliano e a PGR, no qual ele admitiu ter se associado a outras pessoas e incitado a animosidade das Forças Armadas contra os Poderes.

Pelo acordo, Juliano cumpriu 150 horas de serviço comunitário, pagou R$ 5 mil e fez um curso sobre democracia. A ordem de usar tornozeleira foi revogada no dia da homologação. Em 25 de setembro de 2025, com o acordo cumprido, o STF declarou extinta a punibilidade, e o processo foi arquivado. Juliano não foi condenado nem absolvido e não é mais réu.

Juliano também afirmou ser “uma das pessoas que iniciou o 7 de setembro de 2021” e disse que, por causa da manifestação, teve “a primeira vez a Polícia Federal na minha casa”. Em 20 de agosto de 2021, a pedido da PGR, a PF cumpriu busca e apreensão contra ele e outros nove investigados no inquérito do STF sobre a convocação daqueles atos, relatado por Moraes. Em 2024, a PF o indiciou nesse caso por incitação ao crime, associação criminosa e tentativa de impedir o livre exercício dos Poderes. Não há denúncia conhecida, e o inquérito corre em sigilo.

Ao falar da candidatura, ele afirmou: “eu não tenho medo do Alexandre de Moraes, porque eu tô fazendo o certo, eu não tô fazendo errado”. Em 2022, Juliano concorreu a deputado estadual pelo PTB, teve 2.492 votos e ficou como suplente. Em 2024, ainda de tornozeleira, disputou uma vaga de vereador em São Francisco do Sul, teve 261 votos e não se elegeu. Neste ano, o registro dele como candidato a deputado estadual pelo PRD foi deferido pela Justiça Eleitoral. A eleição é no domingo (4).

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Fonte: portal Metrópoles.

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/politica/juliano-martins-prisao-8-de-janeiro-acordo-pgr

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