O Complexo Estadual de Saúde que será implantado no antigo campus da Univali, no bairro Sertão do Maruim, em São José, na Grande Florianópolis, terá parte do atendimento reservada a moradores da cidade. A Lei Municipal 6.613/2026 prevê que no mínimo 20% das vagas mensais para procedimentos ortopédicos de alta complexidade, exames laboratoriais especializados e consultas ambulatoriais sejam destinadas a pacientes encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde.
A lei, sancionada pelo prefeito Orvino Coelho de Ávila (PSD) e publicada no Diário Oficial do município em 17 de julho, autoriza a doação ao Governo do Estado do imóvel onde funcionava a universidade. A área tem 50.906 metros quadrados, com mais de 20 mil metros quadrados construídos, e fica vinculada exclusivamente a serviços públicos de saúde pelo SUS.
O texto também estabelece que, se novos serviços e especialidades forem incorporados ao complexo no futuro, a reserva de vagas deve acompanhar essa ampliação conforme a demanda do município. Em caso de descumprimento das obrigações ou mudança de finalidade, o imóvel volta ao patrimônio de São José com as benfeitorias, sem direito a indenização.
O projeto prevê uma Unidade Estadual de Referência em Ortopedia de Alta Complexidade, além de hospital especializado, leitos de internação, UTI, centro cirúrgico, diagnóstico por imagem, serviços laboratoriais e a nova sede do Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen/SC). A parceria foi anunciada em maio pelo governador Jorginho Mello (PL) e pelo prefeito, depois de uma vistoria no local. Antes do acordo, a prefeitura planejava instalar ali um hospital municipal.
Pelo acordo, a Secretaria de Estado da Saúde fica responsável pela licitação que vai definir a entidade encarregada das reformas e da gestão da unidade.
O vice-prefeito Michel Schlemper afirma ter atuado na articulação entre o município e o governador para incluir a contrapartida aos moradores. “Eu não queria que São José simplesmente entregasse um imóvel e assistisse de longe o Estado construir um equipamento de saúde. A gente precisava garantir que São José também tivesse retorno. Por isso, fiz questão de conversar com o governador Jorginho e defender que os josefenses tivessem prioridade nesse atendimento”, disse.
Segundo Michel, o resultado mostra a importância da negociação direta com o Governo do Estado. “São José precisa deixar de ser coadjuvante. Quando existe diálogo, força política e alguém que briga pela cidade, as coisas acontecem. Fomos conversar com o governador Jorginho Mello e mostramos que esse projeto precisava sair do papel e beneficiar diretamente os josefenses. E conseguimos colocar isso na lei”, afirmou.
As datas de início das obras e dos atendimentos no novo complexo ainda não foram divulgadas.























