O advogado Lucas Silvy, que teve o nome incluído em uma lista de pessoas ligadas ao PT em Santo Amaro da Imperatriz, na Grande Florianópolis, chamou de “neonazistas” os membros do grupo de WhatsApp onde a lista circulou e afirmou que vai levar o caso ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
A lista começou a circular depois do 2º turno da eleição presidencial. Segundo reportagem de Luana Pfleger no portal ND+, em matéria publicada nesta terça-feira (27), listas com nomes de empresários e profissionais apontados como de esquerda circularam em Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas, Angelina e Palhoça, com sugestão de boicote aos estabelecimentos.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Lucas Silvy disse que vai denunciar “essa horda de nazistas que não aceitaram o resultado das urnas e estão perseguindo famílias trabalhadoras de Santo Amaro da Imperatriz”. O advogado comparou a situação à chegada do nazismo ao poder na Alemanha, em 1933, e afirmou que o grupo de WhatsApp “pretende acabar com famílias”.
“Eu, como advogado, poderia muito bem propor ação, mas eu não vou fazer. Eu vou invocar o poder do Ministério Público, na condição de fiscal da lei”, disse. Lucas Silvy afirmou ainda que teria uma reunião com a promotora de Justiça para exigir uma resposta e que não se trata de censura: “Naquele grupo ninguém tá debatendo ideia, mas a perseguição do pensamento contrário”.

Criador do grupo diz que não fez a lista
O criador do grupo, que se identifica como Cesinha Besen no Instagram, respondeu em outro vídeo. Ele contou que criou o grupo à noite e que acordou com mais de 500 pessoas, além de 70 a 80 pedidos para entrar. Segundo ele, a lista reunia “pessoas relacionadas ao partido do PT aqui da cidade”.
“Não fui eu que fiz a lista. Eu fiz o grupo”, afirmou. De acordo com Cesinha, cada membro incluiu um nome, e ele excluiu o grupo quando viu que a situação estava fora de controle e que estavam colocando “nome de pessoas que não eram”. “Ah, mas a lista tá rolando. Não é mais problema meu”, disse.
No mesmo vídeo, Cesinha chamou Lucas Silvy de “advogadozinho mixuruca” e disse que o advogado pode procurar o Ministério Público “à vontade”. Ele afirmou que é servidor comissionado da prefeitura, que passou em concurso público e que só não foi chamado porque pediu para esperar. Cesinha também acusou o advogado de ter trabalhado como comissionado para prefeitos anteriores.
Ainda segundo a reportagem do ND+, o portal procurou o MPSC para saber se denúncias formais sobre a lista já foram recebidas. O órgão não havia respondido até a publicação daquela matéria.
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