O governo Lula disparou na noite de quarta-feira (21) mensagens de WhatsApp para aposentados do INSS dizendo que votar nas eleições vale como prova de vida. O envio aconteceu quatro dias antes do 2º turno, em que o próprio Lula disputa a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O texto sai da conta oficial GovBR, com selo de verificação, e chama o beneficiário pelo nome: “Informamos que votar nas eleições também vale como prova de vida para o INSS”. A mensagem diz ainda que a prova de vida tem validade de 12 meses. Prints das mensagens chegaram à redação do Jornal Razão. Segundo o Poder360, o governo não informou quantas pessoas receberam o aviso. O Brasil tem 24,9 milhões de aposentados.
O público do aviso é justamente o grupo em que Lula aparece com mais folga nas pesquisas. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, Lula tinha 62% contra 33% de Flávio na pesquisa BTG/Nexus de junho. Na Genial/Quaest de agosto, o placar nessa faixa era de 48% a 34%. Os eleitores com 60 anos ou mais somam 23% do eleitorado, segundo a BTG/Nexus. Acima dos 70 anos, o voto é facultativo.





No geral, a disputa está apertada. Na pesquisa PoderData/AYA feita de 19 a 21 de outubro, Flávio aparece com 49% e Lula com 48% no 2º turno.
A campanha de Flávio Bolsonaro foi ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na terça-feira (20) e pede a cassação da chapa de Lula pelo envio de mensagens em massa via WhatsApp. A ação sustenta que a legislação eleitoral proíbe, desde 4 de julho, a publicidade institucional de atos e serviços do governo, salvo exceções previstas em lei. Até a publicação desta reportagem, não havia decisão do TSE. Procurados pelo Poder360, o Ministério da Previdência e a Secom não responderam.
A regra em si não é nova. Uma portaria do INSS de 2022 já previa o voto como uma das formas de prova de vida. Em setembro de 2024, porém, o próprio INSS informou que ainda não havia ferramenta para cruzar os dados com o TSE. Segundo o Ministério da Previdência, o cruzamento começou com os dados de 2024 e atualizou cerca de 5 milhões de provas de vida. O anúncio com força só veio em setembro de 2026, com a campanha eleitoral já nas ruas.
“Se você for votar no dia das eleições, você já terá a prova de vida realizada”, afirmou o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, em nota divulgada pelo governo em setembro.
Quem não votar não perde o benefício só por isso. O INSS usa outros registros do governo, como emissão de documentos e atendimentos, para confirmar que o beneficiário está vivo, e só chama o segurado quando nenhuma fonte confirma. A situação pode ser consultada no aplicativo Meu INSS, em “Prova de Vida”, ou pela Central 135. O 2º turno é neste domingo (25).
Fonte: Poder360.
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