O deputado federal André Janones mudou o tom e pediu à militância do presidente Lula (PT) um segundo turno sem ódio. “Esse segundo turno não vai ser vencido no ódio. É no argumento”, disse numa live transmitida no canal dele no YouTube nesta terça-feira (13).
O pedido veio de quem se apresenta como o oposto disso. “Cês tão ouvindo isso do cara mais bélico que tem”, afirmou Janones. “Vocês sabem que a minha campanha é uma campanha agressiva, é uma campanha de ir pra cima, mas escutem o que eu tô dizendo.”
Na transmissão, Janones deu orientações ao grupo que ele chama de “exército do Lula”, o canal de WhatsApp que ele administra. Uma delas foi sobre como conversar com quem critica o presidente.
Segundo o deputado, Lula “é o maior líder popular da história desse país, mas ele não é Deus”. “Ninguém é Deus, só Deus é Deus. Ele provavelmente toma medidas que algumas pessoas podem entender como equivocadas”, disse.

Janones pediu que os apoiadores não cheguem “discordando de tudo”. Quando a crítica for justa, a orientação é dar razão à pessoa e lembrar o que o governo fez. A frase que ele sugeriu para essas conversas foi: “Eu não tô procurando um santo, eu tô procurando quem tem mais coisas que eu concordo do que a que eu discordo”.
O deputado também saiu em defesa da campanha de Lula contra uma crítica que, na avaliação dele, é injusta: a de que o presidente fala demais do que já fez. “As pessoas não votam só pelo que elas têm a ganhar, elas votam também pra não perder o que elas já têm”, afirmou, citando o Pé-de-Meia, o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida.
Para Janones, a resposta a quem critica o presidente não deve ser um ataque ao adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL). “Não vai com violência, não vai com arrogância”, disse.
O deputado contou ainda que uma pessoa que ele diz ter “muito em consideração” mandou a ele um vídeo com uma declaração de Lula e cobrou uma posição. “Eu também não tenho a mesma opinião que ele em relação àquilo. Minha opinião é totalmente contrária”, respondeu Janones, sem dizer qual era o assunto. “Eu só preciso concordar com a maioria das coisas que ele defende, das coisas que ele faz.”
Logo depois, ele separou o “bolsonarista”, que segundo ele adere a tentativas de golpe, ao negacionismo e a ataques às instituições, do “eleitor do Bolsonaro”, que na visão dele precisa ser conquistado. “Não percam tempo com bolsonarista”, afirmou.
A live foi feita no YouTube por causa da disputa em torno do canal no WhatsApp. No domingo (11), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, mandou suspender o “exército do Lula” a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. No mesmo dia, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, liberou o canal de forma provisória, até o julgamento no plenário.
Na live, Janones disse que a decisão em vigor tira o canal do ar a partir desta terça, por 48 horas, e que os advogados dele estavam no plenário do TSE tentando reverter a medida durante a transmissão. Ele nega que o canal divulgue fake news.
O segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro será no dia 25 de outubro. Janones disse que vai fazer lives diárias no YouTube e que estará com Lula em Minas Gerais duas vezes nesta semana.
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