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Eleições 2026

Jorginho Mello e Adriano Silva apresentam plano de governo para SC: “fé no trabalho e pé na tábua”

Metade do plano de governo que Jorginho Mello entregou ao TSE lista o que a gestão já fez. Nos sete eixos de propostas, 34 dos 36 compromissos são de continuidade e nenhum traz valor em reais ou prazo de conclusão.

Jorginho Mello e Adriano Silva apresentam plano de governo para SC: “fé no trabalho e pé na tábua”
Foto: Reprodução
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Das 22 páginas que Jorginho Mello entregou à Justiça Eleitoral como plano de governo, quase metade olha para trás. A primeira parte do documento é uma lista numerada de 22 realizações da gestão que termina em dezembro. A segunda parte, que apresenta o que ele pretende fazer entre 2027 e 2030, tem sete eixos, e todos os sete carregam o mesmo cabeçalho: “Compromissos e ações de continuidade (+22)”. Leia aqui o PDF original entregue ao TSE.

Candidato à reeleição ao Governo de Santa Catarina, Jorginho dos Santos Mello tem 70 anos, nasceu em Ibicaré, no Meio-Oeste catarinense, e declarou ocupação de governador ao TSE. Concorre pelo PL com o número 22, tem Adriano Silva (Novo) como candidato a vice e encabeça a coligação “Fé no Trabalho e Pé na Tábua”, formada por oito legendas: PL, Avante, Agir, DC, Federação PSDB Cidadania, Novo, Republicanos e Pode. Declarou R$ 2.818.037 em bens à Justiça Eleitoral, distribuídos em 11 itens. O registro está na situação “aguardando julgamento” no TRE-SC.

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Um plano dividido ao meio

O documento se chama “Plano de Governo Fé no Trabalho e Pé na Tábua 2027-2030” e é estruturado em duas metades. A primeira apresenta o que o texto chama de “resultados que preparam o futuro” e enumera 22 entregas do mandato atual, de 1 a 22, com números fechados: mais de 71 mil estudantes no programa Universidade Gratuita, mais de 300 novos leitos de UTI, ar-condicionado em 14.100 salas de aula, R$ 5 bilhões no programa Estrada Boa, R$ 267 milhões em desassoreamento de rios e o que o plano descreve como “maior investimento já realizado por um Governo do Estado em 200 anos”, de mais de R$ 18 bilhões.

A segunda metade traz as propostas, organizadas em sete áreas: infraestrutura e mobilidade; segurança pública e defesa civil; saúde e bem-estar; educação e tecnologia; agro, pesca e meio ambiente; liberdade econômica e municipalismo; e cultura, turismo e esporte.

34 de 36 compromissos

Somados, os sete eixos reúnem 36 compromissos. Em 34 deles, o verbo que abre a ação é de continuidade: dar continuidade, manter, ampliar, expandir, fortalecer, consolidar, concluir, perenizar, aperfeiçoar, reforçar ou modernizar. O próprio documento assume esse desenho ao classificar todos os sete blocos como “ações de continuidade” e ao carimbá-los com o selo “+22”, trocadilho com o número do candidato na urna.

“A proposta é melhorar e ampliar tudo o que já vem sendo feito, só que com a casa arrumada, preparada para avançar em outras frentes.”

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Sem cifra e sem prazo

Há uma diferença de linguagem entre as duas metades do plano. Na parte que trata do passado, os números aparecem em quilômetros, reais, percentuais e unidades. Na parte que trata do futuro, não há um único valor em reais, nenhuma data de conclusão e nenhuma meta quantificada, com uma exceção: a promessa de levar o programa habitacional Casa Catarina à adesão de 100% dos 295 municípios catarinenses.

Entre as ações listadas estão a continuidade das obras do Estrada Boa e a aceleração da Viamar, corredor expresso paralelo à BR-101; a conclusão da dragagem da Baía da Babitonga e investimentos nos portos de Imbituba e São Francisco do Sul; a expansão do videomonitoramento com reconhecimento facial para as maiores cidades do estado; a continuidade dos concursos das forças de segurança; o fortalecimento da Tabela Catarinense de Cirurgias no programa Fila Zero; a ampliação do ensino em tempo integral e do número de professores efetivos; a expansão do crédito sem juros do Financia Agro SC; e a ampliação do Pronampe SC.

O que não aparece

Algumas expressões não constam em nenhuma das 22 páginas. O plano não cita saneamento, esgoto, creche, ICMS, Celesc ou Casan. A palavra “imposto” aparece uma única vez, no décimo segundo item da retrospectiva, para registrar “quatro anos de gestão sem nenhum aumento de impostos”. Não há capítulo sobre reforma administrativa, previdência estadual ou política salarial do funcionalismo.

Na área de segurança, a diretriz central é “manter Santa Catarina como o Estado mais seguro do Brasil”, afirmação que o documento apresenta como resultado da gestão atual. Na de economia, a meta declarada é “manter o ambiente de negócios mais próspero e livre do Brasil”.

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“100% dos compromissos”

A justificativa que o plano oferece para a estratégia de continuidade é o cumprimento do programa anterior. Segundo o documento, “100% dos compromissos assumidos no Plano de Governo de 2023 foram concluídos ou encontram-se em execução”. A afirmação é do próprio material de campanha e não vem acompanhada de detalhamento item a item.

O documento encerra com a frase que dá o tom da candidatura: “Santa Catarina não pode parar. O trabalho continua: agora é +22!”

São oito as candidaturas registradas ao Governo de Santa Catarina nestas eleições, e todas entregaram plano de governo ao TSE. O de Jorginho Mello cita “Santa Catarina” ou “catarinense” 42 vezes ao longo do texto. No outro extremo da série, o plano de governo de Bruno Pedreiro do PCO, primeiro documento analisado pelo Jornal Razão, não cita o estado uma única vez e é o mesmo arquivo protocolado pelo partido em outros seis estados. Na outra ponta, o plano de Marcelo Brigadeiro (Missão) é o mais detalhado dos oito, com 111 propostas numeradas em 18 áreas, enquanto o plano de Gelson Merísio (PSB) é o mais longo, com 74 páginas organizadas em 14 missões. Já o plano de João Rodrigues (PSD) é o único que fixa um valor de investimento, R$ 40,5 bilhões até 2030. Todos os registros seguem aguardando julgamento no Tribunal Regional Eleitoral. A ficha completa da candidatura, com trajetória eleitoral, detalhamento dos bens e evolução patrimonial, está no especial Eleições 2026 do Jornal Razão.

Esta é a segunda reportagem de uma série do Jornal Razão sobre os planos de governo das oito candidaturas ao Governo de Santa Catarina. Leia também a primeira, a terceira a quarta e a quinta reportagens da série.

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