Na manhã desta quarta-feira (5), minutos antes da coletiva marcada por Flávio Bolsonaro (PL) para apresentar o candidato a vice da chapa presidencial, a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) abriu uma live ao lado da também deputada catarinense Carol de Toni e antecipou, ela mesma, o desfecho da especulação em torno do próprio nome. “Não serei eu a anunciada como vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro”, afirmou.
O anúncio oficial estava agendado para as 11h, em Brasília, no último dia do prazo das convenções partidárias. Com PP, Republicanos, União Brasil e Podemos declarando neutralidade na disputa presidencial, a expectativa era de uma chapa formada apenas por integrantes do PL, e o nome de Zanatta circulou entre os cotados ao lado de Michelle Bolsonaro, Rogério Marinho e Priscila Costa.
Defendida por Eduardo Bolsonaro
A deputada disse que nunca trabalhou pela vaga, mas que ficou honrada com a cogitação, e revelou quem bancou a ideia. “Quem me colocou nessa condição foi o meu amigo Eduardo Bolsonaro, que defendeu o meu nome em todos os momentos para que eu pudesse compor com o Flávio”, contou. Em junho, o ex-deputado já havia defendido publicamente a catarinense para a vaga na chapa do irmão.
Zanatta afirmou que aceitaria a missão se fosse escolhida, mesmo abrindo mão de uma disputa mais confortável. “Alguns me consideram louca por querer compor, por ter uma reeleição tranquila”, disse, repetindo o que chamou de lema pessoal: “pronta para o combate”. Segundo ela, não houve pressão de sua parte. “Eu não fiquei enchendo o saco de ninguém, eu não fiquei pressionando, eu não fiquei colocando condicionantes.”
Agora não é o momento de a gente pensar em projetos pessoais, mas sim pensar no resgate do Brasil.
A conta do Supremo
Ao lado dela na transmissão, Carol de Toni, que disputa uma vaga no Senado por Santa Catarina, puxou o argumento que as duas trataram como central na eleição: as indicações ao Supremo Tribunal Federal. Na conta apresentada pela deputada, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Luiz Fux se aposentam no próximo mandato presidencial, que ainda herdaria a vaga aberta por Luís Roberto Barroso, além de cerca de 70 cargos no Judiciário. “Olha a importância da eleição do futuro presidente da República, que seja de direita, para a gente começar a trazer o reequilíbrio dos poderes”, afirmou De Toni, para quem “hoje a maior fonte de insegurança jurídica do país é a Suprema Corte”.
A parlamentar citou episódios recentes de atrito entre Congresso e STF, como a derrubada do decreto do IOF e a desoneração da folha de pagamento, e defendeu mudanças na forma de escolha dos ministros, com mandato e idade mínima. “Que país é esse em que 11 ministros valem mais do que toda a sociedade?”, questionou. “A Constituição é clara ao dizer que todo o poder emana do povo e será exercido por seus representantes, não diz que será exercido por 11 ministros do Supremo Tribunal Federal.”
Santa Catarina como protagonista
Zanatta também usou a live para reposicionar Santa Catarina no tabuleiro nacional. Disse que o estado “é exemplo para o Brasil”, lembrou que é o que mais recebeu migrantes de outros estados e citou um dado simbólico: “Recebemos, inclusive, dois filhos do presidente Bolsonaro para morar aqui. Isso dá um peso muito grande para Santa Catarina”. As duas prometeram cobrar espaço num eventual governo do senador. “Nós vamos pedir para que Santa Catarina seja respeitada, para que Santa Catarina seja protagonista no governo do Flávio”, afirmou a deputada.
“A virada começa agora”
Sobre o cenário eleitoral, Zanatta pregou confiança sem acomodação. “Não podemos ter essa sensação de já ganhou, mas os números mostram que a gente está numa melhor situação do que o Bolsonaro estava em 2022”, avaliou, sustentando que a direita chegará unida ao segundo turno contra Lula. “A virada começa agora”, disse, afirmando ainda que adversários estariam “desesperados” com inquéritos abertos contra pessoas próximas ao presidente. “A casa vai cair.” De Toni acrescentou que, se fossem levadas adiante as apurações da CPMI do INSS, “muita gente já estaria presa”, e defendeu a renovação política como prioridade.
Antes de encerrar, Zanatta parabenizou as demais mulheres que, segundo ela, foram consideradas para a vaga de vice: Bia Kicis, Simone Marquetto, Clarissa Tércio, Priscila Costa e a própria Michelle Bolsonaro. “Apesar do que falam por aí, a direita está unida para tirar o Lula”, garantiu.
O clima da despedida foi de brincadeira. Ao ler a sugestão de um seguidor, “Júlia presidente da Câmara, Carol presidente do Senado”, as duas riram e toparam a provocação. “Primeiro tem que vencer a eleição”, ponderou De Toni, antes de Zanatta completar: “Acho que tá na hora da mulherada”.





























