O empresário Luciano Hang, dono da Havan, disse que “hoje o Brasil é chinês” e que prefere os Estados Unidos a ver o país virar “uma colônia chinesa”. A declaração foi dada em entrevista exclusiva ao Jornal Razão nesta segunda-feira (19), na sede administrativa da empresa, em Brusque, a seis dias do segundo turno.
Hang respondeu a uma fala do presidente Lula (PT) no debate, citada na pergunta do JR, de que o Brasil seria entregue aos Estados Unidos caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito. “Hoje tá sendo entregue pra China. Hoje o Brasil é chinês”, afirmou. Para ele, “se nós continuarmos, nós vamos ser uma colônia chinesa”.
“Qual a diferença de ser uma colônia chinesa ou vamos trabalhar pros Estados Unidos? Eu prefiro Estados Unidos do que ser uma colônia chinesa”, disse o empresário.
“Pagando zero de imposto”
Para Hang, o problema está nos produtos vendidos por plataformas estrangeiras. “Hoje tá entrando produto sem pagar imposto pras plataformas estrangeiras, destruindo a nossa indústria, o nosso varejo nacional”, afirmou.
“Como é que nós brasileiros, nossa indústria aqui de catarinense, vai concorrer com uma empresa chinesa pagando zero de imposto? E aqui nós pagando de 80% a 120%”, questionou.
O empresário contou que, na semana passada, gravou um vídeo com três mesas de negociação na Havan: uma de um fornecedor de Guabiruba, outra do Paraguai e outra da Ásia. Segundo ele, a confecção do Paraguai e da Ásia chegava de 30% a 40% mais barata. “Pois é, mas eu tenho pena, porque são meus fornecedores, são brasileiros trabalhando. Ou seja, nós estamos destruindo toda a indústria nacional”, disse.

Palito de dente da China
Hang afirmou que montadoras chinesas produzem carros no Brasil sem pagar imposto e citou uma caixa de palitos de dente feita na China. Para ele, se o país não consegue fabricar nem palito, que exige só madeira e uma máquina, não consegue concorrer em mais nada. “Vamos ser uma empresa só de plantar mandioca?”, perguntou. “Aonde vai trabalhar nossos filhos? Aonde vai trabalhar as pessoas?”
O empresário defendeu levar fábricas de confecção e de produtos de consumo para o Nordeste, para gerar emprego na região. “Por que que eu tenho que exportar emprego pra China? Qual o motivo disso?”, questionou.
O segundo turno da eleição presidencial é no domingo (25). O Jornal Razão publica outros trechos da entrevista ao longo da semana.
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