Um professor da Escola de Educação Básica José Maria Cardoso da Veiga, escola estadual no bairro Enseada do Brito, em Palhoça, na Grande Florianópolis, foi alvo de reclamação de pais e da direção por dar aula vestindo uma camiseta do candidato à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O caso terminou com a Polícia Militar chamada à escola.
Segundo a diretora Rita de Cássia Cornejo da Silva Pereira, tudo começou um dia antes, quando alunos do ensino médio procuraram a direção para reclamar da camiseta usada pelo professor. Ela e uma assessora foram até o docente e pediram que ele tirasse a peça, em respeito à impessoalidade do serviço público.
De acordo com a diretora, o professor se exaltou, inclusive com ela, e avisou que não tiraria a camiseta e que continuaria indo trabalhar com ela. Em nota, a PMSC confirmou que ele se recusou a atender ao pedido da direção e adotou postura exaltada.

Três mães de alunos contaram que os filhos chegaram em casa falando de política e de Lula. Por isso, foram até a escola no dia seguinte e encontraram o professor novamente com a camiseta do candidato.
Quando as mães o questionaram, ainda segundo elas, o professor passou a mostrar a camiseta aos estudantes e teria perguntado: “Não é bonita essa camisa, crianças?”. Na discussão, ele também teria respondido: “Se não gostou, tira teu filho da escola”. A PMSC informou que houve um novo atrito depois de declarações consideradas provocativas feitas por ele aos presentes. Foi aí que os pais chamaram a polícia.
Quando os policiais chegaram, o professor já tinha deixado a escola, ao fim da carga horária daquele turno. A direção apresentou imagens que, segundo a PMSC, comprovam o uso da camiseta político-partidária dentro da escola. Uma delas mostra o professor com a camiseta de Lula na entrada do colégio.

Nas redes sociais, a militância do professor aparece há anos. A biografia do perfil dele no Instagram traz a frase “Em 2026 é Lula outra vez!!”.
Em maio de 2021, ele publicou uma charge sobre a operação policial no Jacarezinho, no Rio de Janeiro, que mostra um policial armado ao lado do corpo de um menino. Na legenda, escreveu: “Polícia assassina!”. No mesmo ano, postou uma foto sendo vacinado contra a Covid com a hashtag “#forabostosauro”.
Em outubro de 2022, na reta final da eleição presidencial, publicou uma foto em frente a um banner de Lula na Praça Tancredo Neves, em Florianópolis. No texto, disse que quem votaria no “Bozo” fazia isso por ódio ao Lula e ao PT, e se referiu a ele como “crápula, vagabundo, canalha e desumano”. No dia seguinte, postou a bandeira do Brasil com o L de Lula no lugar do globo e a frase “Não vejo a hora de nos vermos livres do capeta”.

No dia da eleição municipal de 2024, em 6 de outubro, o professor publicou no Facebook uma foto com uma camiseta estampada com Lula e a frase “Vou te mostrar o triplex”. Na mensagem, pediu aos amigos que não votassem em “candidato baba-ovo do inelegível” e escreveu “não façam merda”.
Em janeiro de 2025, no dia seguinte à posse de Donald Trump nos Estados Unidos, voltou a atacar quem pensa diferente. “Se vc é um desses zé ruela q ficaram contentes com a posse do Tramp, vc deve ser burro pra caralho!!!!”, escreveu, antes de chamar Jair Bolsonaro de “bostossauro” e encerrar com “Facistas não passarão”.
O caso foi registrado pela PMSC. A versão do professor não foi divulgada, e o espaço segue aberto para manifestação.






















