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Bebê sofre queimaduras por água quente, espera 3 horas por socorro e tem atendimento negado em Capinzal

Segundo os relatos das autoridades, o hospital de Capinzal limitou-se a ministrar medicação básica e aplicar uma pomada na queimadura, recusando-se a realizar a regulação do paciente para um centro especializado sob a justificativa de que não haveria mais convênio ativo com a prefeitura de Zortéa. Fotos: Divulgação Hospital

Bebê sofre queimaduras por água quente, espera 3 horas por socorro e tem atendimento negado em Capinzal
Foto: Reprodução
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Uma grave denúncia de omissão de socorro chocou a população do Meio-Oeste catarinense neste início de semana. Um menino de apenas 1 ano e 9 meses, vítima de queimaduras de segundo grau, permaneceu cerca de três horas aguardando intervenção adequada no Hospital Nossa Senhora das Dores, em Capinzal, até ser transferido para outra unidade por falta de atendimento completo. O caso gerou indignação das autoridades do município vizinho de Zortéa, de onde a família é originária.

O incidente ocorreu na noite do último domingo (13), quando o bebê, morador de Zortéa, sofreu um acidente doméstico após o derramamento de água quente. A criança foi atendida na Unidade Básica de Saúde local com o apoio da equipe emergencial Anjos da Vida e encaminhada em caráter de urgência ao Hospital Nossa Senhora das Dores, em Capinzal.

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Segundo o relatório médico emitido pela própria instituição, o paciente apresentava queimaduras térmicas de primeiro e segundo graus na face e no tórax anterior. O documento também aponta a presença de áreas com fundo esbranquiçado ou pálido, sinal que poderia indicar um acometimento dérmico mais profundo. A área queimada foi estimada em aproximadamente 15% da superfície corporal. Diante do quadro, havia indicação clara de avaliação especializada, realização de curativos específicos e definição de uma conduta médica para a continuidade do tratamento.

Negativa de atendimento e impasse contratual

Segundo os relatos das autoridades, o hospital de Capinzal limitou-se a ministrar medicação básica e aplicar uma pomada na queimadura, recusando-se a realizar a regulação do paciente para um centro especializado sob a justificativa de que não haveria mais convênio ativo com a prefeitura de Zortéa. Em entrevista à Rádio Nativa FM 98,7, parceira do Jornal Razão, a secretária de Saúde de Zortéa, Cássia Romani, desmentiu categoricamente a alegação.

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“Sendo que a alegação do hospital é que não havíamos convênio mais ativo com o Capinzal, onde isso não é uma verdade. Esse convênio que nós temos, ele prevalece até dia 31 de dezembro de 2026. Então, temos um convênio em aberto com o hospital. O que o hospital teria que ter feito? Ele teria que ter regulado essa criança, encaminhado ela para um centro maior, solicitado uma vaga para um hospital que tem especialidade em queimadura e encaminhando-a para lá. O hospital não fez essa parte”, explicou a secretária.

Cássia ressaltou ainda a obrigação de atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), independentemente da existência de contratos locais.

“Independente de contrato, Capinzal sendo um hospital 60% SUS, ele é porta aberta. Ele teria que receber independente de contrato. Mas não o fez. Fez somente a recepção, passou uma pomada, deu um remedinho para dor e encerrou ali o atendimento. Independente de qualquer situação, estamos tratando de vida e vida não pode esperar”, completou.

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Socorro em Campos Novos e procedimentos cirúrgicos

Diante do impasse, a gestão de Zortéa acionou o Hospital Dr. José Athanásio, em Campos Novos. Mesmo sem contrato firmado até aquele momento com o município, a instituição prontamente recebeu a criança para prestar o devido socorro.

O menino precisou passar pelo centro cirúrgico e ser sedado para a extração do tecido atingido pelas queimaduras de segundo grau. A criança permanece internada sob acompanhamento pediátrico enquanto aguarda um leito em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em um centro especializado do estado (Florianópolis, Joinville ou Lages).

Repúdio das autoridades e medidas judiciais

O vice-prefeito de Zortéa, Alessandro Moro, manifestou profundo repúdio à atitude da unidade hospitalar de Capinzal e confirmou que a prefeitura avalia o cancelamento definitivo do contrato com a instituição.

“Essa conduta não é a conduta que nós buscamos aqui no município de Zortéa… E quando a gente fala de criança com uma queimadura de segundo grau, algo assim que, se nós se colocar no lugar com um filho da gente, jamais poderia ser deixado esperando por 3 horas num caso grave como esse. Então, todas as medidas serão tomadas. Repudiamos esse ato”, destacou o vice-prefeito.

Alessandro também enfatizou que o município já vinha em negociações para formalizar a parceria com o hospital de Campos Novos, convênio este aprovado em sessão extraordinária do legislativo municipal.

“Falei com a prefeita agora na parte da manhã, ela está muito triste com tudo isso que aconteceu e, assim que ela voltar, com certeza a gente vai tá sentando e vamos tomar as ações possíveis imediatas para poder resolver de vez esse problema. Mas eu acredito que ações como essa provavelmente a gente vai tá rompendo esse contrato com o hospital de Capinzal e seguindo com Campos Novos, Joaçaba, enfim”, concluiu Alessandro.

Diante da gravidade dos fatos, a Secretaria de Saúde confirmou que acionou o setor jurídico para notificar formalmente a direção do hospital e registrar denúncia no Ministério Público de Santa Catarina pela negação de socorro à criança.

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