Letícia das Graças Teodoro, de 24 anos, morreu na manhã desta terça-feira (15), 17 dias depois de ficar gravemente queimada no incêndio criminoso que destruiu o restaurante da família no bairro Fátima, em Joinville. A morte foi confirmada pela família. Ela é a segunda pessoa da mesma casa a não resistir ao ataque: a mãe, Alice das Graças Teodoro, de 54 anos, dona do estabelecimento, morreu em 6 de setembro. Letícia morreu nove dias depois dela.
O quadro de Letícia era o mais grave entre as vítimas. Ela teve grande parte do corpo queimada quando o fogo tomou o salão, no dia 29 de agosto, e seguiu internada na UTI, intubada e sedada, sem previsão de alta, desde o sábado do ataque.
Nas redes sociais, Leonardo Teodoro, filho de Alice e irmão de Letícia, publicou uma homenagem à irmã. “Letícia partiu deixando um vazio imenso em nossos corações. Sua presença, seu jeito único e todo o amor que sempre espalhou ficarão para sempre em nossas lembranças”, escreveu.
Mãe e filha não tinham ligação com o motivo do ataque
Longino Dias Batista, de 48 anos, chegou à Rua Fátima na manhã de 29 de agosto procurando a ex-companheira, cozinheira do restaurante, de 52 anos. Ela não estava no expediente. Ao ser informado disso, ele arrombou a grade que mantinha o comércio fechado e entrou carregando um galão de gasolina de 10 litros e um fósforo. Imagens de câmeras de segurança mostram o percurso dele, a pé e com o galão na mão, até a porta do estabelecimento.
Cinco pessoas estavam dentro do imóvel. Longino fechou a grade de acesso, impediu que o grupo saísse e começou a espalhar o combustível pelo salão. Funcionários e testemunhas perceberam o fósforo na mão dele, partiram para cima e chegaram à luta corporal para evitar que o fogo começasse. Não conseguiram. O incêndio tomou o restaurante em segundos.
Com a saída da frente bloqueada, duas pessoas quebraram a janela do banheiro e escaparam pelos fundos, feridas e com queimaduras. As outras três só saíram quando moradores da região arrancaram a grade e abriram passagem. Cinco vítimas foram levadas ao hospital. Longino permaneceu no prédio em chamas e morreu carbonizado no local.
Alice ficou entre as pessoas mais atingidas porque não fugiu. Permaneceu no meio das chamas tentando tirar dali os funcionários presos com ela e salvar o restaurante que levantou com o próprio trabalho. Ficou oito dias internada e morreu no domingo, 6 de setembro.
Marido de Letícia recebeu alta e uma funcionária também foi internada
O marido de Letícia e o padrasto dela também se feriram no incêndio. O marido recebeu alta hospitalar. Não há informações atualizadas sobre o estado de saúde do marido de Alice. Uma funcionária do restaurante também precisou de internação depois do ataque.
Ele já tinha esfaqueado a mesma mulher em 2024
Em 2024, Longino invadiu a casa onde a ex-companheira dormia com as netas, arrombou a porta com um chute e a atingiu com uma facada nas costas. O filho dela, que mora na casa da frente, ouviu os gritos, correu para defender a mãe e também foi esfaqueado nas costas ao se colocar entre os dois. Ele foi preso e passou a responder por tentativa de feminicídio e tentativa de homicídio. Depois, foi colocado em liberdade.
A mulher teria medidas protetivas contra ele e chegou a mudar de endereço para se afastar do ex-companheiro. Ainda assim, ele seguiu atrás dela, até chegar ao restaurante onde trabalhava. Pedreiro, natural de Anita Garibaldi, no Planalto Serrano, e com endereço cadastrado no bairro Rio Branco, em Brusque, Longino acumulava 44 passagens policiais até a manhã do ataque.
O que a investigação apura agora
A Polícia Científica periciou o restaurante depois que o fogo foi controlado e encontrou marcas de sangue e a carteira do agressor no interior do estabelecimento. Os laudos instruem o inquérito da Delegacia de Homicídios da Polícia Civil, responsável pelo caso, que apura a origem do combustível, a dinâmica do ataque e a extensão dos danos.
Com a morte de Letícia, o incêndio de 29 de agosto passa a ter três mortes: mãe e filha, que estavam no próprio comércio num sábado de manhã, e o autor. A mulher que ele procurava não estava no local e não se feriu. A identificação dela não é divulgada por se tratar de caso com características de violência doméstica.















