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A impunidade que matou duas mulheres: criminoso com 44 passagens deixa mãe e filha mortas em Joinville

Letícia das Graças Teodoro, de 24 anos, morreu 17 dias depois do incêndio criminoso no restaurante da família, no bairro Fátima, em Joinville, nove dias depois da mãe, Alice das Graças Teodoro, de 54 anos. O autor do ataque respondia por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira, estava solto e somava 44 passagens policiais.

Letícia das Graças Teodoro e a mãe, Alice das Graças Teodoro, mortas após incêndio criminoso em restaurante de Joinville
Reprodução/Redes sociais
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Letícia das Graças Teodoro, de 24 anos, morreu na manhã desta terça-feira (15), 17 dias depois de ficar gravemente queimada no incêndio criminoso que destruiu o restaurante da família no bairro Fátima, em Joinville. A morte foi confirmada pela família. Ela é a segunda pessoa da mesma casa a não resistir ao ataque: a mãe, Alice das Graças Teodoro, de 54 anos, dona do estabelecimento, morreu em 6 de setembro. Letícia morreu nove dias depois dela.

O quadro de Letícia era o mais grave entre as vítimas. Ela teve grande parte do corpo queimada quando o fogo tomou o salão, no dia 29 de agosto, e seguiu internada na UTI, intubada e sedada, sem previsão de alta, desde o sábado do ataque.

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Nas redes sociais, Leonardo Teodoro, filho de Alice e irmão de Letícia, publicou uma homenagem à irmã. “Letícia partiu deixando um vazio imenso em nossos corações. Sua presença, seu jeito único e todo o amor que sempre espalhou ficarão para sempre em nossas lembranças”, escreveu.

Mãe e filha não tinham ligação com o motivo do ataque

Longino Dias Batista, de 48 anos, chegou à Rua Fátima na manhã de 29 de agosto procurando a ex-companheira, cozinheira do restaurante, de 52 anos. Ela não estava no expediente. Ao ser informado disso, ele arrombou a grade que mantinha o comércio fechado e entrou carregando um galão de gasolina de 10 litros e um fósforo. Imagens de câmeras de segurança mostram o percurso dele, a pé e com o galão na mão, até a porta do estabelecimento.

Cinco pessoas estavam dentro do imóvel. Longino fechou a grade de acesso, impediu que o grupo saísse e começou a espalhar o combustível pelo salão. Funcionários e testemunhas perceberam o fósforo na mão dele, partiram para cima e chegaram à luta corporal para evitar que o fogo começasse. Não conseguiram. O incêndio tomou o restaurante em segundos.

Com a saída da frente bloqueada, duas pessoas quebraram a janela do banheiro e escaparam pelos fundos, feridas e com queimaduras. As outras três só saíram quando moradores da região arrancaram a grade e abriram passagem. Cinco vítimas foram levadas ao hospital. Longino permaneceu no prédio em chamas e morreu carbonizado no local.

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Alice ficou entre as pessoas mais atingidas porque não fugiu. Permaneceu no meio das chamas tentando tirar dali os funcionários presos com ela e salvar o restaurante que levantou com o próprio trabalho. Ficou oito dias internada e morreu no domingo, 6 de setembro.

Marido de Letícia recebeu alta e uma funcionária também foi internada

O marido de Letícia e o padrasto dela também se feriram no incêndio. O marido recebeu alta hospitalar. Não há informações atualizadas sobre o estado de saúde do marido de Alice. Uma funcionária do restaurante também precisou de internação depois do ataque.

Ele já tinha esfaqueado a mesma mulher em 2024

Em 2024, Longino invadiu a casa onde a ex-companheira dormia com as netas, arrombou a porta com um chute e a atingiu com uma facada nas costas. O filho dela, que mora na casa da frente, ouviu os gritos, correu para defender a mãe e também foi esfaqueado nas costas ao se colocar entre os dois. Ele foi preso e passou a responder por tentativa de feminicídio e tentativa de homicídio. Depois, foi colocado em liberdade.

A mulher teria medidas protetivas contra ele e chegou a mudar de endereço para se afastar do ex-companheiro. Ainda assim, ele seguiu atrás dela, até chegar ao restaurante onde trabalhava. Pedreiro, natural de Anita Garibaldi, no Planalto Serrano, e com endereço cadastrado no bairro Rio Branco, em Brusque, Longino acumulava 44 passagens policiais até a manhã do ataque.

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O que a investigação apura agora

A Polícia Científica periciou o restaurante depois que o fogo foi controlado e encontrou marcas de sangue e a carteira do agressor no interior do estabelecimento. Os laudos instruem o inquérito da Delegacia de Homicídios da Polícia Civil, responsável pelo caso, que apura a origem do combustível, a dinâmica do ataque e a extensão dos danos.

Com a morte de Letícia, o incêndio de 29 de agosto passa a ter três mortes: mãe e filha, que estavam no próprio comércio num sábado de manhã, e o autor. A mulher que ele procurava não estava no local e não se feriu. A identificação dela não é divulgada por se tratar de caso com características de violência doméstica.

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