Uma pesquisadora de 28 anos que trabalhava em um instituto russo de estudo da peste morreu na Sibéria, e quase 200 pessoas que tiveram contato com ela foram isoladas. Nesta terça-feira (6), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o país vai ajudar a Rússia.
Daria Shipilova era técnica de laboratório do Instituto Antipeste de Irkutsk para a Sibéria e o Extremo Oriente. Ela foi internada com pneumonia grave no fim de setembro no hospital distrital de Shelekhov, cidade vizinha a Irkutsk, e morreu na madrugada de 2 de outubro.
Depois da morte, o hospital entrou em quarentena. A agência sanitária russa, o Rospotrebnadzor, colocou 197 pessoas em observação, a maioria internada em unidades de saúde da região. Mais de 60 funcionários ficaram isolados dentro do próprio instituto.
Suspeita de peste pneumônica
A suspeita de peste surgiu na imprensa independente russa. O site siberiano Lyudi Baikala publicou que um tubo de ensaio com a bactéria da peste pneumônica teria quebrado no laboratório em 25 de setembro, dias antes de a pesquisadora adoecer. A forma pneumônica é a mais agressiva da doença e a única transmitida de pessoa para pessoa, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O governo russo nega o acidente. De acordo com o Rospotrebnadzor, a causa da morte foi uma “pneumonia de etiologia não estabelecida”, e os exames não encontraram no corpo da pesquisadora nenhum microrganismo ligado à atividade profissional dela. O governador de Irkutsk, Igor Kobzev, afirmou que não houve novos casos entre os funcionários. Nenhum laudo que confirme ou descarte a peste foi divulgado publicamente.
O que disseram Trump e Rubio
Questionado por jornalistas na Casa Branca nesta terça-feira, Trump disse que o governo americano acompanha o caso. “Estamos olhando para isso com muita atenção. Acabamos de saber. Eles chamam de pneumonia”, afirmou. “Mas vamos ajudar, vamos ajudar o máximo que pudermos.”
O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que os Estados Unidos monitoram a situação de perto. “Não acho que seja motivo para alarme, mas é motivo para atenção”, disse. O Departamento de Estado pediu que as autoridades russas compartilhem informações precisas de forma rápida e aberta.
Fronteiras e risco
Mongólia, Cazaquistão, Quirguistão e Uzbequistão reforçaram o controle sanitário nas fronteiras. A OMS informou que a causa da morte não foi confirmada oficialmente e classificou como baixo o risco para a população em geral.
Nesta terça-feira, autoridades locais informaram que cerca de 60% das pessoas isoladas já tinham sido liberadas. Os primeiros testes feitos nos contatos da pesquisadora deram negativo.
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