O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou anos elogiando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e mudou o tom na reta final da eleição. As falas estão registradas em vídeo, com data, e mostram o caminho do “orgulho de todo o Brasil” até a cobrança pública de explicações.
Em 10 de novembro de 2022, em reunião com parlamentares no gabinete de transição, em Brasília, Lula disse que Moraes, então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), teve “uma coragem estupenda” e “um comportamento exemplar”. “É orgulho de todo o Brasil”, afirmou.
Em 12 de dezembro de 2025, no lançamento do SBT News, em São Paulo, Lula comemorou o fim das sanções dos Estados Unidos contra o ministro. Contou que Donald Trump perguntou se a medida era boa para ele e que respondeu: “Não é bom pra mim, é bom pro Brasil e é bom pra democracia brasileira”. Naquele mês, o contrato de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, já tinha vindo a público, revelado pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. A contratação do escritório pelo banco tinha sido noticiada pela mesma coluna em abril de 2025.
Em abril de 2026, dados da Receita Federal enviados à CPI do Crime Organizado indicaram que o escritório recebeu R$ 80,2 milhões do Master.
Em 16 de setembro de 2026, no podcast Desce a Letra, Lula ainda defendia o ministro. Disse que Moraes “prestou dois grandes serviços à democracia brasileira” e atribuiu as críticas do senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na disputa, às prisões determinadas pelo ministro, e não ao caso Master. “A raiva dele do Alexandre de Moraes é porque o Alexandre de Moraes mandou prender o cara que matou a Marielle”, afirmou. “A bronca dele é que o Alexandre de Moraes prendeu o pai dele e os golpistas que tentaram fazer o 8 de janeiro.”
Quinze dias depois, em 1º de outubro, a três dias do primeiro turno, o discurso foi outro. No podcast Flow, Lula contou ter cobrado o ministro pelo contrato do escritório da esposa. “Eu disse pro Alexandre de Moraes: você deve uma explicação à sociedade brasileira”, afirmou. Na mesma entrevista, disse que a Suprema Corte está perdendo credibilidade, que “quem quiser ir pra Suprema Corte não pode querer ser rico” e que os ministros que não cumprirem o papel com seriedade “terão que pagar um preço por isso”.
Na segunda-feira (5), depois do primeiro turno, Lula voltou ao assunto em reunião com a coordenação da campanha. “Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois dessa denúncia”, disse. Ele acrescentou que, quando a Suprema Corte está “sob a desconfiança da sociedade, algo é muito grave”.
Lula defende mandato para os ministros do STF e novas regras para a escolha dos nomes, com participação da sociedade. O segundo turno da eleição presidencial será em 25 de outubro.
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