Uma mulher de 21 anos escapou de ser morta a facadas em Indaial, no Vale do Itajaí, na noite de segunda-feira (7), porque uma amiga se colocou entre ela e o agressor no momento em que ele avançava com a faca. O companheiro dela, Jonatan de Souza Teixeira, de 32 anos, natural de Ananindeua, no Pará, foi preso em flagrante minutos depois pela Polícia Militar.
O caso aconteceu por volta das 21h10 na Rua Primeiro de Janeiro, no bairro Carijós. Um chamado anônimo alertou o Copom de que um homem com faca queria matar a companheira e que a vítima estava dentro da casa da vizinha, com o agressor tentando entrar no imóvel.
Amiga bloqueou o golpe e depois distraiu o agressor
Segundo o relato colhido pelos policiais, a amiga que interveio conseguiu, além de bloquear o golpe, distrair Jonatan por tempo suficiente para que as duas entrassem na residência e acionassem a Polícia Militar.
Enquanto esperavam a chegada da guarnição, ele continuou batendo na porta e tentando entrar a qualquer custo. A vítima disse aos militares que ele insistia em acessar o imóvel para matá-la.
Ela se trancou em uma kitnet ao lado da própria residência, tentando se proteger. À polícia, contou que o companheiro havia usado cocaína e bebida alcoólica e surtou alegando que estaria sendo traído. Relatou ainda que teme pela própria vida.
Preso xingou os policiais e resistiu à abordagem
A guarnição chegou ao endereço às 21h21. No primeiro contato, Jonatan estava bastante alterado e passou a xingar os policiais, chamando-os de “filhos da puta” e mandando que deixassem o imóvel, sob o argumento de que não tinham mandado para entrar na residência.
Durante a busca pessoal, os militares encontraram no bolso da bermuda dele uma porção de substância análoga à cocaína. Questionado, Jonatan afirmou ser usuário de drogas.
Ele tentou se desvencilhar da guarnição para fugir. Os policiais usaram spray de pimenta, força física e técnicas de controle para contê-lo. Durante a intervenção, desferiu socos e chutes contra os militares e, mesmo depois de contido, continuou chutando.
Ofensas raciais contra policial militar
Durante a contenção, Jonatan passou a dirigir ofensas especificamente a um dos policiais, chamando-o de “preto sujo”, “preto safado”, “macaco” e “vagabundo”. Segundo o registro da Polícia Militar, as expressões foram usadas de forma depreciativa contra o agente, com referência direta à cor da pele dele.
O policial declarou ter se sentido diretamente ofendido em sua honra e dignidade pelo uso da cor da pele como forma de menosprezo e manifestou o desejo de representar criminalmente contra o autor.
A faca usada na tentativa de feminicídio foi localizada e recolhida no local. O material e a droga encontrada com ele foram apreendidos e entregues na Delegacia de Polícia Civil.
Jonatan recebeu voz de prisão e foi encaminhado à delegacia. No registro policial, ele não quis prestar depoimento sobre os fatos, alegando estar em estado alterado pelo uso de cocaína e bebida alcoólica.
A ocorrência foi registrada como tentativa de feminicídio, ameaça, resistência, desacato e racismo. A tentativa de feminicídio consta como tentada; os demais crimes, como consumados. A vítima também foi encaminhada à Delegacia de Polícia Civil, onde o caso segue em apuração.















