Vinícius Valente da Silva, de 30 anos, saiu de um hostel na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, no fim da tarde de 6 de agosto, carregando apenas uma mochila pequena. Disse à administração do estabelecimento que finalmente havia conseguido falar com o amigo que tinha vindo visitar em Santa Catarina. Antecipou o check-out em um dia e foi embora. Dezenove dias depois, ninguém sabe para onde ele foi, com quem foi, nem se está vivo.
Bancário e natural de Guarujá, no litoral de São Paulo, Vinícius chegou ao estado por volta de 2 de agosto para passar as férias e reencontrar um conhecido. A família não teve mais contato com ele desde então. Por volta das 8h30 de 4 de agosto, ele estaria nas proximidades do Centro da Capital. No dia seguinte, apareceu em um hostel da Lagoa da Conceição pedindo hospedagem.
O motivo da chegada ao hostel é um dos pontos mais estranhos do caso. Segundo Antônio, primo de criação que acompanha as buscas, Vinícius acabou trancado do lado de fora da casa do amigo, com o celular e a roupa do corpo. Procurou o estabelecimento, pediu um carregador emprestado e ficou tentando contato com o morador da residência até conseguir voltar para recolher os pertences.
Diária paga a mais e mochila pequena chamaram a atenção no hostel
A proprietária do hostel informou à polícia que ele deu entrada no dia 5, com previsão de sair no dia 6, e chegou a pagar uma diária a mais, referente ao dia 7. A diária extra nunca foi usada. A mesma responsável registrou que Vinícius aparentava estar alterado no momento em que deixou o local, por volta das 17h.
Outro detalhe chamou a atenção dela. A mochila que Vinícius carregava era pequena demais para conter mudas de roupa, e o primo confirmou que ele havia saído de São Paulo com uma mala verde. A mala não aparece em nenhum relato posterior.
A partir do check-out, o rastro é só digital. Familiares afirmam que as últimas movimentações confirmadas colocam Vinícius na casa de um suposto amigo, ponto mapeado a partir dos dados de uma corrida de aplicativo de transporte e de um pedido feito por plataforma de entrega de comida, no endereço próximo ao hostel.
Homem grisalho que buscou o bancário é a última pista do caso
Depois disso, resta um único personagem físico na história, e ninguém sabe quem é. Ainda de acordo com o primo, quando Vinícius voltou para pegar as coisas, uma pessoa de cabelo grisalho o buscou e os dois saíram juntos. Daí em diante não há mais pista alguma.
Vinícius deveria retornar a São Paulo no domingo, 9 de agosto. Não embarcou. Mensagens enviadas ao aplicativo do celular dele continuaram sendo entregues até o dia 10, sem qualquer resposta. A partir de 11 de agosto, o aparelho parou de receber comunicações, indicação de que está sem wi-fi e sem dados móveis. Não há registro dele no sistema de reconhecimento facial de monitoramento de Florianópolis desde 6 de agosto.
A família procurou hospitais públicos e particulares e não encontrou nenhum atendimento em nome dele. A Polícia Científica de Florianópolis também não registrou entrada compatível com as características do bancário. Nas diligências, não houve registro de passagem por rodoviárias ou hospitais monitorados, e o caso ainda foi atrapalhado por trotes, um deles apontando que Vinícius estaria em Chapecó.
Buscas mobilizam equipes de Santa Catarina e de São Paulo
A Delegacia de Polícia de Pessoas Desaparecidas da Polícia Civil de Santa Catarina afirmou que investiga o caso e realiza todas as diligências necessárias. A Divisão de Desaparecidos do DHPP da Polícia Civil de São Paulo também apura o desaparecimento, e as duas corporações trabalham em cooperação e troca de informações. O nome e a foto de Vinícius foram inseridos no SOS Desaparecidos, programa da Polícia Militar, e no cadastro de pessoas desaparecidas da Polícia Civil. As buscas usam identificação facial e análise de câmeras de segurança para tentar apontar em que direção ele seguiu.
O que a família mais cobra é o que ainda não conseguiu. Boletins de ocorrência foram registrados em São Paulo e em Santa Catarina, e os parentes pediram a quebra dos sigilos telefônico e bancário para reconstruir os últimos passos e as transações financeiras de Vinícius. A autorização não saiu. Antônio veio de São Paulo para acompanhar as diligências e, às 15h45 da segunda-feira (24), pegou o ônibus de volta à capital paulista justamente para tentar destravar o pedido.
Eu não acho que esse menino está vivo. Vinícius não é de sumir.
Vinícius havia recebido pouco antes uma indenização de R$ 100 mil de uma ação trabalhista e atuava, na instituição bancária onde trabalhava, na área de investigação e combate a fraudes financeiras. Nenhum dos dois pontos foi associado pelas autoridades ao desaparecimento até agora. Familiares também relataram que ele faz acompanhamento psicológico e tem histórico de depressão e transtorno bipolar, após perder o pai em 2017 e a mãe em 2019.
O coordenador do SOS Desaparecidos da Polícia Militar de Santa Catarina afirmou na segunda-feira (24) que as apurações avançam e que um desfecho é aguardado ainda para esta semana. Até lá, o caso continua parado no mesmo ponto: um homem de 30 anos que saiu de um hostel com uma mochila pequena, entrou no carro de alguém que ninguém identificou e sumiu no bairro mais movimentado de Florianópolis.
Quem tiver qualquer informação sobre o paradeiro de Vinícius Valente da Silva deve procurar a Polícia Militar pelo 190 ou a Polícia Civil pelo 197.














