A BR-282 amanheceu parada no km 85, em Alfredo Wagner. Por volta das 6h30 desta segunda-feira (3), dois caminhões Ford Cargo carregados bateram de frente num dos trechos mais movimentados do corredor que liga a Grande Florianópolis à Serra catarinense. Um dos motoristas, um homem de 59 anos, morreu ainda no local, antes que qualquer socorro pudesse fazer diferença.
Os dois veículos seguiam carregados. Um transportava feijão; o outro, vinho. Cada caminhão tinha apenas o condutor a bordo, e foi o motorista da carga de feijão quem não resistiu ao impacto da colisão.
O condutor do caminhão carregado com vinho sobreviveu. Ele foi atendido no local e encaminhado ao Hospital Regional da Grande Florianópolis, em São José, para atendimento médico. O estado de saúde dele não foi divulgado.
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Equipes do Corpo de Bombeiros Militar atuaram no resgate, no atendimento à ocorrência e na sinalização da rodovia. A Polícia Rodoviária Federal, por meio da unidade de Rancho Queimado, esteve no local para controlar o trânsito e garantir a segurança dos demais motoristas. A remoção do corpo ficou a cargo da Polícia Científica.
O bloqueio foi total. Com os dois caminhões atravessados na pista simples, a BR-282 ficou interditada nos dois sentidos por cerca de três horas, até que os veículos fossem retirados. O congestionamento se formou rápido, num trecho onde não existe rota alternativa pavimentada à altura para quem precisa cruzar o estado.
Espinha dorsal com uma faixa por sentido
A BR-282 atravessa Santa Catarina de leste a oeste, da Capital até a divisa com a Argentina, em mais de 600 quilômetros. É o principal eixo logístico entre o Oeste produtor, a Serra e os portos do litoral, e concentra tráfego pesado de caminhões durante todo o dia. No trecho de Alfredo Wagner, porém, ela continua sendo o que sempre foi: uma pista simples, sinuosa e encravada na Serra Geral, onde qualquer invasão de faixa vira colisão frontal.
O histórico do quilômetro é conhecido de quem roda por ali. Só nos últimos dois anos, o município registrou uma sequência de acidentes graves na rodovia, incluindo colisões frontais fatais, batidas envolvendo três caminhões ao mesmo tempo e ocorrências que exigiram o deslocamento de bombeiros de várias cidades da região.
Duplicação segue no papel
As obras que deveriam mudar esse cenário seguem em fase de projeto. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes contratou estudos para a implantação de terceiras faixas entre Águas Mornas e Alfredo Wagner, num segmento de cerca de 80 quilômetros que inclui exatamente o trecho onde o acidente aconteceu.
A duplicação completa, essa, ainda não saiu do papel. O DNIT confirmou no mês passado que os projetos estão contratados em 13 lotes entre São Miguel do Oeste e Palhoça, com a previsão de que os primeiros projetos de engenharia sejam concluídos ao longo deste semestre. Entre as soluções estudadas para a região está uma variante com túnel no Alto da Boa Vista, entre Rancho Queimado e Alfredo Wagner, justamente por causa do relevo que torna o traçado atual tão perigoso.
O setor produtivo cobra pressa. Lideranças empresariais do Oeste catarinense defendem que a rodovia seja duplicada integralmente e não em pedaços, e o governo do Estado chegou a pedir ao governo federal a estadualização da BR-282 para destravar o processo por meio de concessão.
Enquanto isso, os números seguem pesando. Santa Catarina é o segundo estado do país com mais acidentes em rodovias federais e o terceiro em número de mortes.
Com a retirada dos caminhões, o trânsito foi normalizado no km 85. As causas da colisão serão apuradas pelas autoridades responsáveis.



























