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“Engenharia do crime”? GAECO pega servidoras “desenhando” esquema dentro de Prefeitura em SC

Investigação em Faxinal dos Guedes aponta que servidoras usavam a estrutura pública e o horário de expediente para tocar projetos e captação de clientes particulares. Fotos: MPSC

“Engenharia do crime”? GAECO pega servidoras “desenhando” esquema dentro de Prefeitura em SC
Foto: Reprodução
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A pacata rotina de Faxinal dos Guedes foi quebrada logo nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (12). Vias movimentadas por viaturas e agentes armados marcaram o início da Operação “Óphelos”, uma ofensiva capitaneada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) para desmantelar um suposto esquema de corrupção enraizado no coração da administração municipal.

A ação foi deflagrada em suporte direto à 4ª Promotoria de Justiça da Comarca de Xanxerê, órgão responsável pela tutela da moralidade administrativa, com ordens judiciais expedidas pela Vara Regional de Garantias da Comarca de Concórdia.

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O “escritório paralelo” pago com dinheiro público

As apurações reunidas até o momento desenham um cenário preocupante de desvio de finalidade do aparato estatal. Servidoras vinculadas ao setor de Engenharia da Prefeitura de Faxinal dos Guedes são o centro das investigações.

As suspeitas que pesam sobre as investigadas:

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  • Dupla jornada clandestina: Captação e atendimento de clientes particulares ocorriam durante o horário oficial de expediente, utilizando a infraestrutura, computadores e redes da própria Prefeitura.
  • Aprovações facilitadas: Uso do poder de crivo técnico do cargo para confeccionar, aprovar e fiscalizar projetos arquitetônicos e de engenharia de interesse próprio ou de parceiros comerciais, pulando etapas e burlando exigências regulatórias.
  • Concorrência desleal: Vantagem indevida frente a outros profissionais do mercado privado que não contavam com o “carimbo fácil” ou com o uso de insumos públicos.

Invasão na Prefeitura e em residências

Os quatro mandados de busca e apreensão foram executados de forma simultânea. Agentes desembarcaram tanto nos endereços residenciais das servidoras investigadas quanto nas próprias dependências do setor de Engenharia na Prefeitura Municipal.

Mídias digitais, computadores, celulares e vasto volume de documentos físicos foram recolhidos. Todo o acervo apreendido passará por análise minuciosa da Polícia Científica, que buscará cruzar dados de arquivos digitais, horários de modificação de documentos e registros de projetos para consolidar as provas.

Por que “Óphelos”? O significado oculto do nome

A escolha do codinome da operação carrega um simbolismo direto. De origem grega, “Óphelos” se traduz como lucro, proveito ou vantagem indevida. A metáfora faz alusão explícita à ganância em converter a função pública, que deveria servir ao interesse coletivo, em um balcão de negócios privados.

Por se tratar de uma investigação sensível envolvendo a idoneidade do serviço público, o processo tramita sob segredo de justiça.

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O GAECO, força-tarefa de elite composta pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar, pontuou que novos desdobramentos e nomes poderão vir à tona assim que a Justiça autorizar a queda do sigilo das apurações.

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