Nem a chuva esvaziou o cemitério. Sob guarda-chuvas, entre coroas de flores e camisetas estampadas com o rosto do morto, dezenas de pessoas se reuniram em Joinville, no Norte de Santa Catarina, para a despedida de Gustavo Tillmann Neto, de 26 anos, neutralizado pela Polícia Militar na noite da última quarta-feira (12). O velório e o sepultamento, marcados por fogos de artifício no cemitério e um buzinaço que cruzou ruas da cidade, viraram assunto nas redes sociais e dividiram opiniões.
Vídeos publicados por amigos mostram o cortejo em movimento, com braços para fora das janelas dos carros e buzinas ecoando pelo trajeto até o cemitério. No local, os estouros de fogos marcaram o momento do sepultamento, realizado debaixo de chuva, com familiares abraçados ao redor do caixão coberto por arranjos de rosas vermelhas e brancas.
Nas redes, as homenagens se multiplicaram. Uma montagem feita com inteligência artificial mostra Gustavo com asas de anjo e auréola, acompanhada da frase “Sua jornada na Terra terminou, mas seu descanso eterno ao lado do Criador apenas começou”. Amigos vestiram camisetas com a foto dele e os dizeres “A dor da ausência é grande, mas a saudade é eterna”.
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“Descansa em paz irmão, jamais será esquecido, tmj sempre”, escreveu um amigo. Outro lembrou a rotina interrompida: “Te esperei na barbearia hoje, irmão, mas você não apareceu como de costume. Vai fazer muita falta”.
A comoção, porém, não passou sem contestação. Nos comentários das publicações, internautas cobraram coerência diante do histórico do rapaz.
“Ele tentou tirar de outra família e ainda fez de refém. Foda a hipocrisia”, escreveu um internauta.
Outro questionou diretamente os amigos: “Mas a parte que ele roubou uma família e fez de refém, essa parte vocês anulam, né?”. Um dos amigos respondeu que ninguém estaria ignorando o crime. “Ninguém tá anulando nada, meu amigo. Ele também tem família, filhos pequenos”, rebateu, sustentando a versão de que Gustavo teria sido morto mesmo se rendendo, o que contraria o registro oficial da ocorrência.
Segundo a PMSC, Gustavo Tillmann Neto atirou duas vezes contra as equipes do 1º Batalhão de Pronta Resposta e morreu no revide, em legítima defesa dos policiais. Com ele, foi apreendida uma pistola Glock calibre .380, municiada e carregada. O rapaz acumulava 31 passagens criminais.
Entenda o caso
O confronto foi o desfecho de uma sequência criminosa iniciada horas antes em Guaratuba, no litoral do Paraná. Quatro criminosos armados invadiram uma chácara, amarraram três vítimas, entre elas um adolescente de 17 anos, e as mantiveram sob a mira de pistolas por cerca de 30 minutos, com armas encostadas na cabeça, exigindo dinheiro e joias.
Sem encontrar os valores, o bando fugiu levando dois carros, uma lancha e motores náuticos. Um cerco integrado entre as polícias dos dois estados foi montado, e uma equipe tática da PMSC localizou um dos veículos com a embarcação atrelada na região de Pirabeiraba, em Joinville. Na abordagem, os suspeitos atiraram e fugiram para a mata, onde Gustavo foi encontrado e, segundo a corporação, voltou a disparar contra os militares antes de ser atingido. Relembre a matéria completa sobre o confronto.
Os outros três integrantes do bando seguem foragidos. As polícias do Paraná e de Santa Catarina investigam o caso para identificar e prender os demais envolvidos.



























