O barulho veio de fora e travou o salão. Dentro do restaurante que funciona como parada de ônibus às margens da BR-116, em Papanduva, no Planalto Norte catarinense, clientes ainda jantavam na noite desta quarta-feira (5) quando um ônibus de turismo avançou além do limite do estacionamento, arrancou parte da estrutura e parou encaixado contra a parede do prédio. Debaixo do veículo estava uma funcionária da casa, que minutos antes havia saído do caixa para falar com o motorista no pátio.
A vítima foi identificada como Mariane Hilko, de 33 anos, moradora da localidade de Queimados, no interior de Papanduva. Ela trabalhava no estabelecimento e morreu ainda no local.
O chamado inicial ao Corpo de Bombeiros Militar informava um acidente de trânsito com vítima presa. Durante o deslocamento das equipes, a ocorrência foi atualizada: o veículo havia atingido um estabelecimento comercial.

Ao chegar, os bombeiros encontraram o ônibus parcialmente dentro da estrutura do restaurante e a mulher presa sob o veículo. As equipes fizeram o gerenciamento de risco e iniciaram os procedimentos de atendimento, mas a vítima já não apresentava sinais vitais em razão da gravidade dos ferimentos.
Outras duas pessoas precisaram de atendimento médico. O motorista do ônibus foi encaminhado ao Hospital São Sebastião, em Papanduva, depois de sofrer forte abalo emocional e apresentar quadro de hipertensão. Uma segunda pessoa foi levada à unidade de saúde com um corpo estranho em um dos olhos, possivelmente provocado por estilhaços.
O que a polícia apura
As primeiras informações divulgadas indicavam que o ônibus, que seguia com destino a Porto Alegre, realizava uma manobra no pátio quando atingiu a trabalhadora e, com o impacto, invadiu parte da estrutura do estabelecimento.

Já as versões colhidas pela polícia com pessoas que estavam no local apontam para uma sequência anterior ao atropelamento. Segundo esses relatos, minutos antes houve uma discussão no caixa envolvendo a forma de pagamento de um grupo de passageiros, que insistia em pagar a conta em moeda estrangeira. A funcionária teria ido até o pátio pedir ao motorista que aguardasse até a situação ser resolvida.
Ainda conforme os relatos prestados à polícia, depois dessa conversa ela teria contornado a frente do ônibus quando o veículo entrou em movimento. Um dos relatos diz que a porta havia sido fechada e que o ônibus avançou, passando por cima do limite do estacionamento e permanecendo acelerado até alguém gritar para que o motor fosse desligado.
O motorista teria dito que perdeu o controle do veículo e que só percebeu que a mulher havia passado à frente do ônibus depois do impacto, afirmando não recordar de toda a sequência em razão do estresse e que jamais teve intenção de que aquilo acontecesse. Outro relato menciona que o coletivo estava com cerca de 20 minutos de atraso no embarque.
Nenhuma dessas versões está confirmada. Elas foram registradas na ocorrência e agora serão apuradas pelas autoridades, que vão definir a dinâmica exata do acidente e eventual responsabilidade.
O que sabemos até agora
- Uma mulher de 33 anos, funcionária do restaurante, morreu no local
- Duas pessoas foram atendidas, entre elas o motorista do ônibus
- O veículo atingiu a estrutura do estabelecimento e causou danos na parede e no forro
- As causas ainda não foram esclarecidas e seguem sob apuração
Em razão dos estragos provocados pelo impacto, o Corpo de Bombeiros orientou o proprietário do restaurante a solicitar uma avaliação técnica da estrutura antes da reabertura.
A Polícia Militar de Santa Catarina registrou a ocorrência como acidente de trânsito com vítima e dano ao patrimônio. Equipes permaneceram no local para isolamento da área e para os procedimentos iniciais. As circunstâncias do acidente seguem sob apuração.



























