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“Valentão da airsoft” quis brincar de polícia em Balneário Camboriú e a Polícia Civil bateu na porta dele

Conforme a Polícia Civil, o homem que apareceu de camiseta da corporação e arma em punho na rua 980 não é agente de segurança: a peça seria falsificada e o armamento, uma pistola de airsoft. Dois mandados de busca foram cumpridos em Balneário Camboriú e Itajaí.

“Valentão da airsoft” quis brincar de polícia em Balneário Camboriú e a Polícia Civil bateu na porta dele
Foto: Reprodução
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Um pedido de portão, desses que se resolvem em trinta segundos de conversa, terminou com um idoso de 69 anos encarando o cano de uma arma em plena rua 980, em Balneário Camboriú. Do outro lado, um homem de camiseta preta com o brasão da Polícia Civil bordado no peito. Dias depois, quem apareceu na porta dele foi a polícia de verdade.

A Polícia Civil cumpriu, na tarde desta segunda-feira, dois mandados de busca e apreensão contra o investigado, expedidos pelo Poder Judiciário após parecer favorável do Ministério Público. As ordens foram executadas por equipes da Delegacia de Investigação Criminal (DIC) de Balneário Camboriú e da Delegacia de Polícia da Comarca, em dois endereços ligados a ele, um em Balneário Camboriú e outro em Itajaí.

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A investigação começou depois que a corporação tomou conhecimento do vídeo que circulou nas redes e do boletim de ocorrência registrado pela vítima. Nas imagens, o investigado aparece em via pública usando uma camiseta com o brasão e a inscrição “POLÍCIA CIVIL” e portando um objeto semelhante a uma arma de fogo.

ASSISTA AO VÍDEO

Começou com fezes de cachorro

O caso chegou ao Jornal Razão em um domingo, pelas mãos do próprio morador. Segundo o relato dele, um cachorro de grande porte, solto por uma moradora, fez as necessidades bem em frente ao portão da residência. O idoso pediu que o local fosse limpo e as fezes recolhidas. A mulher teria se irritado com a cobrança.

Minutos depois, ainda conforme o relato, o morador teria sido confrontado pelo homem uniformizado. Ele teria descido de um apartamento portando uma arma e vestindo a camiseta da Polícia Civil, passando a fazer ameaças de morte. As imagens registradas durante o episódio mostram um homem de camiseta preta, com brasão bordado no peito, caminhando pela rua com uma pistola na mão. Em outro trecho, ele aparece parado em frente ao imóvel, olhando na direção de quem filma.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Razão, o idoso de 69 anos relatou medo e afirmou que nunca havia vivido uma situação como aquela.

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Nunca passei por isso

A investigação desmonta o personagem

A partir das diligências realizadas e da análise dos elementos audiovisuais, cruzados com bancos de dados oficiais, a Polícia Civil constatou o que a vizinhança já desconfiava: o investigado não integra o quadro funcional da Polícia Civil nem de qualquer outra força de segurança pública.

Não parou por aí. Conforme os elementos colhidos na investigação, a camiseta usada pelo homem seria falsificada e teria sido adquirida no mercado ilegal. E o objeto exibido na ocasião, apontado como arma de fogo pelo morador, tratava-se de uma pistola de airsoft.

Fogo na camiseta

Também foi apurado que, após a ampla repercussão do vídeo e sua divulgação pela imprensa, o investigado teria deixado os endereços relacionados à investigação e ateado fogo na camiseta utilizada durante o fato, na tentativa de sumir com a peça que o colocava no centro da história.

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Com a identificação do suspeito, a autoridade policial representou pela expedição dos mandados de busca e apreensão. As medidas cautelares receberam parecer favorável do Ministério Público, foram deferidas pelo Poder Judiciário e cumpridas na tarde desta segunda-feira.

O que vem agora

O inquérito prossegue sob responsabilidade da Delegacia de Investigação Criminal de Balneário Camboriú. A investigação busca esclarecer todos os detalhes do episódio e apurar a responsabilidade do homem por ameaça, usurpação de função pública e outras possíveis infrações.

Usurpação de função pública é o crime de quem se apresenta como agente do Estado sem nunca ter sido. Existe justamente porque a farda, mesmo falsificada, carrega um poder de intimidação que uma camiseta comum não tem. Foi o que o morador da rua 980 sentiu quando viu o brasão no peito de quem apontava uma arma na direção dele.

Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 181, pelo site oficial da Polícia Civil ou pelo WhatsApp (48) 98844-0083. O sigilo da identidade do denunciante é garantido.

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