O candidato do PSD ao governo de Santa Catarina, João Rodrigues, afirmou em entrevista ao Jornal Razão que a saúde pública catarinense não vai bem e apontou a fila de cirurgias como o maior sintoma do problema. “A saúde do Estado não vai bem”, disse, ao citar 116 mil pessoas à espera de um procedimento, algumas há oito anos.
O candidato cobrou o governo atual por uma contradição no discurso. Segundo ele, o governador afirmava até recentemente que tinha zerado a fila do SUS e, em uma entrevista, admitiu que há mais de 100 mil catarinenses aguardando. “Ora, ou zerou ou não zerou”, disse. Para Rodrigues, a explicação está na ausência de planejamento.
O tempo de espera é o segundo dado que ele usa na crítica. De acordo com o candidato, a demora em Santa Catarina varia de 400 a 500 dias, conforme a patologia e a complexidade do caso. “É isso que eu quero mudar, essa regra do jogo”, afirmou.
O plano que apresentou para os cem primeiros dias de governo prevê contratar todos os hospitais privados e movimentar a rede pública para zerar o estoque de cirurgias represadas. Ele reconhece que a fila não acaba: “Quando eu terminar, vai ter mais cinquenta mil na fila, porque isso não termina nunca.” A meta que estabelece é outra, reduzir a distância entre a indicação e a cirurgia para no máximo 90 dias.
Ainda nos cem primeiros dias, o candidato diz que pretende contratar a elaboração dos projetos para a construção de dez hospitais em Santa Catarina. Ele cita Chapecó, São José e Blumenau como cidades que precisariam de uma segunda unidade hospitalar. A Secretaria da Saúde, afirma, seria comandada por equipe técnica, e o sistema estadual passaria por regionalização.
A origem da bandeira, segundo ele, está no período em que administrou Chapecó. Rodrigues conta que recebia ligações diárias de moradores que estavam na recepção do hospital sem conseguir atendimento, com dois médicos no pronto-socorro para cem pessoas na espera. “Por ver muita gente sofrendo por falta de atendimento, cirurgias eletivas, é por isso que eu comprei as dores pra mim”, disse.
O hospital da cidade, observa, sempre foi gerido pelo Estado e nunca pela prefeitura, tocado por um grupo de voluntários que, na avaliação dele, faz um bom trabalho, mas precisaria de melhor organização estadual. É a partir dessa experiência que ele monta a comparação com a gestão atual.
A crítica se estende ao ritmo de obras na área. Para o candidato, o governo não entregou nenhum hospital novo em quatro anos. Ele cita Itapema e Mafra como convênios, e não construções estaduais, e diz que a unidade em obras na Palhoça foi projetada no governo anterior e licitada pela prefeitura. “Comemora a reforma de uma recepção de hospital. Onde é que se viu comemorar a reforma da recepção do hospital?”, questionou.
Outro ponto que usa para sustentar a tese da falta de prioridade é o caixa. Rodrigues afirma que o Estado mantém dez bilhões de reais aplicados em banco enquanto a fila cirúrgica se acumula. “Não tá certo isso. A prioridade tem que ser quem sofre. E quem sofre é quem tá numa fila prum processo cirúrgico”, declarou.
Ele cita ainda uma decisão do Tribunal de Justiça que obrigou o Estado a criar um fluxo para atender cinco mil mulheres sem atendimento, e classifica o caso como erro grave de gestão. Na mesma entrevista, o candidato disse que pretende participar pessoalmente das discussões da área, como fez quando era prefeito.
Na mesma conversa com o Jornal Razão, Rodrigues também se definiu como “o governador da periferia” e detalhou propostas para pavimentação urbana e habitação popular. Em agosto, ele havia apresentado ao Jornal Razão um plano de governo com 40 bilhões de reais em investimentos e acusou o governo de Jorginho Mello de condicionar convênios a filiações partidárias de prefeitos.
Cinco vezes prefeito de Chapecó, Rodrigues aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para o governo catarinense e trabalha para levar a disputa ao segundo turno.
























