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“Eu sou o governador da periferia”, diz João Rodrigues

Candidato do PSD disse ao Jornal Razão que encontrou mais de 600 km de ruas sem asfalto no perímetro urbano de Joinville e de Lages e propôs um programa estadual de pavimentação com o Estado pagando metade da obra.

“Eu sou o governador da periferia”, diz João Rodrigues
Foto: Reprodução
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O candidato do PSD ao governo de Santa Catarina, João Rodrigues, se definiu como “o governador da periferia” em entrevista ao Jornal Razão e disse que a campanha o levou a bairros onde milhares de catarinenses vivem sem asfalto dentro do próprio perímetro urbano. “Eu tenho andado na periferia de Santa Catarina, eu tô impressionado de ver”, afirmou.

Ele citou duas cidades como exemplo. Em Joinville, que classificou como “terra maravilhosa, povo espetacular, indústrias, uma cidade linda”, disse ter encontrado centenas e milhares de pessoas vivendo “no barro e na poeira”, com mais de 600 quilômetros de ruas sem pavimentação na área urbana. Em Lages, segundo ele, a situação se repete na mesma proporção.

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Para o candidato, rua de chão batido não é questão de estética urbana. “Barro e poeira é um problema de saúde pública. Você tem que levar dignidade pra esse povo”, disse. A crítica que faz ao governo atual nesse ponto é de ausência de discussão com quem administra as cidades: “Nunca discutiu com os prefeitos uma situação como essa. Não teve um debate sobre um planejamento.”

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A proposta que apresentou para o problema é a criação de uma Secretaria das Cidades, responsável por um programa estadual de pavimentação urbana. O desenho seria o seguinte: o Estado abre o programa, discute com cada prefeito onde estão os trechos de barro e poeira dentro da malha urbana, o município apresenta o projeto e o governo estadual banca metade do custo da obra.

A definição de si mesmo como governador da periferia veio acompanhada de uma descrição do modo como pretende despachar. Rodrigues disse que não é administrador de gabinete e que costuma sair da sala para ir até a casa da pessoa que está sofrendo. “Eu sou de estrada”, resumiu.

O exemplo que deu foi o de um paciente com fratura na perna que chega a um hospital público do Estado pronto para ser internado, é engessado, mandado para casa e colocado em fila para operar no futuro. “Eu pego o avião de Florianópolis e vou até a cidade pra saber onde é que é isso. Eu me importo”, afirmou.

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Perguntado sobre quem mandaria em um governo montado com uma aliança ampla, que reúne PSD, MDB, PP e União Brasil, a resposta foi curta. “Eu. Eu e o povo. Só tem um que manda.” Ele disse que ouve sugestões e ideias, mas que governar seria decisão dele, “do meu jeito, da minha forma, da minha maneira”.

A lógica da periferia atravessa também o que apresenta para saúde e habitação. Rodrigues afirma que Santa Catarina tem 116 mil pessoas em fila de cirurgia, algumas esperando há oito anos, e que pretende contratar hospitais privados e movimentar a rede pública nos cem primeiros dias de governo para zerar esse estoque, além de reduzir o tempo de espera para no máximo 90 dias e projetar dez novos hospitais.

Na habitação, a promessa é lançar 60 mil unidades populares ainda nos cem primeiros dias. O mecanismo apresentado é o Estado assumir a entrada de 40 mil reais exigida do mutuário no Minha Casa Minha Vida, valor que, segundo ele, o trabalhador que ganha três mil reais por mês não tem em conta. A conta que fez em entrevista chega a 2,4 bilhões de reais em entradas pagas pelo governo estadual.

O candidato sustenta que esse dinheiro volta pelo próprio canteiro de obras, com a estruturação de empreiteiras pequenas e o movimento gerado no comércio de bairro, no mercadinho, na loja de tintas e no depósito de material de construção. “Nós vamos dar uma chacoalhada na economia de Santa Catarina, sem prejuízo ao Estado”, disse.

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O argumento que costura o conjunto ele deixou explícito no fim do raciocínio: “Quem precisa de governo não é o rico, quem precisa é o pobre. Rico não precisa de hospital público, ele vai no privado. Rico não precisa de escola pública, ele vai na particular.” Ao rico, na avaliação dele, cabe ao Estado entregar infraestrutura, rodovias para escoamento da produção, segurança pública e nenhuma elevação de carga tributária.

Cinco vezes prefeito, com passagens por Câmara de Vereadores, Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados, Rodrigues aparece em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para o governo catarinense e trabalha para levar a disputa ao segundo turno. A entrevista completa ao Jornal Razão está abaixo.

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