O que era para ser uma celebração religiosa em homenagem ao Dia do Motorista e de São Cristóvão, em Indaial (SC), acabou se transformando em um dos episódios mais polêmicos do ano no Vale do Itajaí. A motociata realizada no último domingo (27) terminou com mais de 200 multas aplicadas pela Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) e gerou forte repercussão nas redes sociais, além de críticas da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC).
A fiscalização da PM foi intensa e resultou em notificações por escapamentos irregulares, ausência de capacete, uso indevido da buzina — e até por buzinaço de caminhoneiros, que participaram da carreata religiosa. Segundo o 32º Batalhão, as autuações seguiram a legislação de trânsito vigente, independentemente do caráter religioso ou simbólico do evento.
A atuação da polícia dividiu opiniões. Muitos moradores elogiaram a fiscalização e destacaram o barulho excessivo às 7h da manhã em pleno domingo. Outros, porém, consideraram a abordagem exagerada, alegando que se tratava de uma manifestação pacífica e tradicional, realizada apenas uma vez por ano.
A deputada Júlia Zanatta foi uma das primeiras a se posicionar contra a ação da PM. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela criticou o fato de a polícia ter “aberto” a motociata e, posteriormente, aplicado as autuações. “Parece até que a intenção era arrecadar. O PM aparece num vídeo se gabando das multas, isso é um absurdo”, afirmou a parlamentar. Ela ainda acusou a corporação de censura, dizendo que os comentários críticos estariam sendo apagados da página oficial do batalhão: “A página é pública, vocês têm que aguentar o povo. É o povo que paga vocês.”
As críticas ganharam ainda mais força com a viralização do desabafo de um caminhoneiro catarinense. Em um vídeo que circula amplamente nas redes sociais, o profissional — que se apresenta como motorista, armamentista e apoiador da Polícia Militar — se diz revoltado com a aplicação das multas, especialmente contra caminhoneiros que buzinaram em homenagem a São Cristóvão.
“Vizinho reclamando de buzina em carreata religiosa? Vai se f…, né? Eu moro na beira da praia e aguento 90 dias de Carreta Furacão passando com música podre no verão, ninguém faz nada. Aí uma carreata cristã de uma hora e meia incomoda?”, diz, indignado.
O caminhoneiro aponta o que considera “dois pesos e duas medidas”: “Carro de som na eleição pode, festa de futebol pode, carreta com funk pode. Mas quando é o motorista, quando é a gente, é dedo no c… e multa.”
Ele também critica o discurso de parte da sociedade que cobra mobilização da categoria em momentos de crise: “Depois vêm dizer que caminhoneiro tem que parar o país de novo. Eu quero mais é que se ferre quem reclama. A gente só toma no rabo.”
A repercussão foi tão grande que o perfil oficial da PMSC precisou se manifestar diversas vezes. Em uma das respostas, ao ser questionado sobre quantas multas a Carreta Furacão teria levado ao passar por Indaial, o batalhão respondeu de forma lacônica: “Algumas.”
Entre os comentários públicos nas redes da Polícia Militar, parte dos seguidores defendeu a atuação dos policiais: “Cumpriram a lei. Religião não é desculpa para escapamento estourado.” Outros acusaram a corporação de arbitrariedade, lembrando que eventos como a Oktoberfest e festivais na Vila Germânica não costumam sofrer o mesmo rigor. “Com 18 dias de barulho na Oktober, ninguém aparece com bloco de multa. Mas quando é carreata cristã, a polícia aparece na hora”, afirmou uma seguidora.
A PMSC sustentou que a operação teve como objetivo garantir a ordem pública, o respeito ao sossego e a integridade de todos os envolvidos no evento. Reafirmou ainda que nenhuma manifestação será isenta de fiscalização, mesmo as de caráter religioso.





































