Os cabos Acauã e Probst, do 10º Batalhão de Polícia Militar, entraram no Rio Itajaí-Açu sem equipamento de resgate aquático e sem treinamento em salvamento na água para tirar da correnteza uma mulher em risco de afogamento, na Avenida Presidente Castelo Branco, no Centro de Blumenau. Quando a guarnição chegou à margem, ela já estava dentro do rio, com a água na altura do pescoço.
O rio estava cheio. O volume de chuva dos dias anteriores tinha elevado o nível da água e acelerado a correnteza, e o leito estava tomado de lodo. O acesso ao ponto onde ela se encontrava era feito por um barranco íngreme, escorregadio e instável, terreno em que qualquer escorregão jogaria o policial dentro da água.
A guarnição avaliou que não havia condição de esperar as equipes de apoio: a mulher seguia dentro do rio, em posição na qual poderia ser arrastada a qualquer momento. Sem material de salvamento aquático à disposição, os dois policiais usaram o único recurso que tinham, uma corda guardada na mochila da guarnição, e decidiram intervir na hora.
Acauã e Probst entraram no rio e avançaram contra a correnteza. Em determinado trecho, a água bateu na cintura. O lodo do fundo travava o passo e tirava o apoio, enquanto a força da água empurrava para o meio do leito. Sem colete, sem boia e sem cabo de segurança, qualquer perda de equilíbrio significava queda, arrastamento e risco de afogamento dos próprios policiais.
Ao alcançarem a mulher, os cabos encontraram uma pessoa em desespero, que se debatia e não conseguia estabelecer comunicação, o que tornou a aproximação mais difícil e mais perigosa para os dois.
Mesmo assim, atuando de forma coordenada, a dupla conseguiu segurá-la e trazê-la de volta com o auxílio da corda. A retirada da área de maior profundidade foi concluída pela própria guarnição da Polícia Militar, antes da chegada das equipes de apoio.
Com a chegada do Corpo de Bombeiros Militar, policiais e bombeiros seguiram juntos na extração. Por causa do barranco, a mulher foi fixada em maca rígida, e a maca foi amarrada a uma corda e içada até a parte alta da margem. Ela foi então encaminhada ao Hospital Misericórdia, em Blumenau, onde recebeu atendimento médico.
O que diferencia esse atendimento é a margem de risco assumida. Acauã e Probst entraram em um rio cheio, de correnteza forte e fundo de lodo, sem equipamento específico e sem formação em resgate aquático, em um cenário no qual a espera poderia terminar em morte. A decisão foi tomada no local, com o material que havia na viatura, e foi ela que interrompeu a situação de risco.
O estado de saúde da mulher após o atendimento hospitalar não foi divulgado.















