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“Tem que acabar”, desabafa mãe de jovem morto por criminoso em “saidinha” em SC

Em um relato emocionante, Rachel, mãe de Gustavo Ernst Martins, o jovem de 23 anos morto em um assalto em Balneário Camboriú, expressa sua dor e indignação. A família de Gustavo, ainda em luto pela perda recente do pai de Gustavo devido à Covid-19, enfrenta agora a brutalidade de sua morte.

“Tem que acabar”, desabafa mãe de jovem morto por criminoso em “saidinha” em SC
Foto: Reprodução
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Em um relato emocionante, Rachel, mãe de Gustavo Ernst Martins, o jovem de 23 anos morto em um assalto em Balneário Camboriú, expressa sua dor e indignação. A família de Gustavo, ainda em luto pela perda recente do pai de Gustavo devido à Covid-19, enfrenta agora a brutalidade de sua morte.

Gustavo, que se mudou para Navegantes em janeiro de 2022, foi atacado por trás com uma paulada na nuca enquanto caminhava pela rua. Rachel relata como seu filho, já no chão, sofreu uma segunda agressão antes de ser socorrido por um transeunte corajoso, que ela chama de “anjo”.

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O desabafo de Rachel vai além da dor pessoal. Ela questiona a política de saídas temporárias do sistema prisional, especialmente para condenados por crimes violentos. “Por que a vida de um agressor com histórico criminal tem mais valor do que a do meu filho?” pergunta Rachel.

Rachel também expressa preocupação com o atendimento médico recebido por Gustavo, questionando se ele foi tratado com a mesma diligência que seria dada a um filho de uma figura pública. Ela levanta dúvidas sobre a eficiência do atendimento emergencial e a comunicação com a família durante o momento crítico.

Apesar da dor e da indignação, Rachel mostra força ao perdoar o agressor de seu filho. “EU COMO MÃE, libero meu perdão sobre a vida deste criminoso, não para ele se sentir livre, mas para que eu não fique presa a ele”, diz ela.

A família de Gustavo pede que a população expresse sua indignação e cobre dos representantes políticos mudanças nas leis que, segundo eles, falharam em proteger Gustavo. Rachel encerra o desabafo agradecendo o apoio recebido e destacando o legado de amor e amizade deixado por seu filho.

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A tristeza pela morte do Gustavo é de um tamanho tão grande que é difícil colocar em palavras. Em primeiro lugar, precisamos agradecer o imenso apoio, amor e suporte que estamos recebendo por parte de amigos, familiares e até desconhecidos.

A dimensão disso revela o quanto o Gustavo era especial para todos que o conheceram. Um rapaz de somente 23 anos, cheio de vida, que contagiava alegria, esperança e paz por onde passava. Mesmo aqueles com quem o convívio foi curto, contam o quanto Gustavo marcou a vida das pessoas.

Nos emocionamos com cada história que escutamos, cada testemunho traz um pouquinho de alento ao nosso coração.

Nessa hora, de tamanha comoção, as informações acabam se desencontrando, então queremos dar o relato que ele mesmo contou ao amigo, na única vez que lhe foi permitido falar com ele.

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O Gustavo, após ter sofrido a perda do pai para o Covid em 2021, se mudou para Navegantes em janeiro de 2022 e residia lá desde então. No dia 26/12/23 havia deixado sua motocicleta em uma oficina em Camboriú para últimos ajustes e foi, à pé comprar o que faltava na redondeza. Há uns 2 quarteirões de distância, foi brutal e covardemente atacado PELAS COSTAS com uma paulada na nuca, caindo instantaneamente, atordoado, no chão.

Ainda caído, o agressor tentou arrancar, pelas costas, a pochete que o Gustavo usava e, não conseguindo devido ao fecho dela, ficou mais furioso, voltou a golpear a cabeça dele, sendo interrompido por um anjo que defendeu o Gustavo, retirando o agressor de cima dele, no que o criminoso saiu correndo.

O Gustavo não resistiu ao assalto, não teve nem condições de se defender, uma vez que o ataque foi PELAS COSTAS e já no primeiro golpe, caiu atordoado no chão.

Serei eternamente grata ao homem, o anjo que Deus enviou para defender a vida do meu filho, por ter saído em defesa dele, se colocando em risco.

Pelas mídias ficamos sabendo que o agressor era beneficiário da famigerada “saidinha de Natal”. Gostaria de saber, por que a vida de um agressor com histórico criminal, tem mais valor do que a do meu filho?

De onde vem a ideia de que uma pessoa presa e condenada por crimes violentos tem direito de se beneficiar de “um passeio” de Natal, pondo em risco muitas outras vidas?

Existe um romantismo sobre o direito do preso condenado ser sempre visto como vítima da sociedade, ao nosso ver, a vítima foi o Gustavo, um jovem de 23 anos que teve a vida interrompida, porque alguém achou que um criminoso merecia um feriado livre. Feriados que as vítimas e suas famílias nunca mais poderão passar juntos.

Quantos casos como esse precisam acontecer para que providências sejam tomadas? Quantas vidas têm que ser destruídas por um agressor já condenado?

O que acontece quando um condenado por violência doméstica é liberado nessa “saidinha”? A família de bem que fica presa? Nós que precisamos nos esconder?

Somos uma família cristã, e dessa forma, reconhecemos a soberania de Deus sobre nossas vidas e também sobre a vida do Gustavo, mas isso não exonera que a justiça dos homens deve ser feita aqui. A justiça de Deus, cabe somente a Ele, de minha parte, EU COMO MÃE, libero meu perdão sobre a vida deste criminoso, não para ele se sentir livre, mas para que eu não fique presa a ele.

Como eu aprendi e ensinei aos meus filhos, recebemos perdão pelos nossos erros, mas temos que sofrer as consequências destes. Ensinei meus filhos que depois de um copo ser quebrado o copo nunca mais será reconstituído ao seu original, da mesma forma, o perdão à vida do agressor é oferecido, mas nunca mais nossas vidas serão as mesmas. O Gustavo não volta e o vazio que ficou, nada poderá preencher.

Muitos detalhes ainda estão sem respostas, o que gera mais angústia. Não entendo por que é negado a uma pessoa, só porque tem mais de 18 anos, o direito de ser acompanhado em hospitais. Ele ficou sozinho, sem ninguém para falar por ele, contar sua história, sendo que estava visivelmente atordoado.

A família não foi contactada, mesmo todos os documentos dele estando em sua posse. Ele faleceu às 03h da madrugada, e ninguém foi contactado. Só recebi a notícia as 11h da manhã!

Onde estava o serviço social para cuidar do meu filho, quando estava no momento mais sensível e crucial da sua vida? Por que inicialmente ia ser direcionado para o hospital Unimed, a que tinha direito, e foi alterado e levado para outro? Quais foram os atendimentos de primeiro socorro que ele recebeu?

A que horas descobriram que uma pessoa brutalmente atacada a pauladas pelas costas tinha sofrido traumatismo craniano, uma vez que na única vez que lhe foi permitido, a muito custo, falar com o amigo, às 15h, nem exames haviam sido feitos?

Que procedimentos lhe foi feito? Qual a extensão do trauma?

Não estou acusando, mas desabafando um coração de mãe que vê o descaso com a vida do filho!

Será que meu filho foi atendido com a mesma atenção que o filho de um prefeito, deputado, famoso …ou um bandido?

Tudo o que havia para ser feito, foi realmente feito? Todas as tentativas para salvá-lo foram feitas? Como disse, muitas dúvidas a serem respondidas, quero realmente crer que todas as respostas a essas perguntas serão, SIM, ele foi atendido como todos devem ser, sem distinção, com todos os esforços empenhados!

Algumas destas respostas, só teremos após o laudo da necrópsia do IML.

Muita coisa precisa mudar, começando por algumas leis estúpidas que temos.

À população, pedimos que mostrem a sua indignação a situações como essas. O Gustavo não foi o primeiro e infelizmente não vai ser o último se continuar desta maneira.

Cobrem seus representantes, tanto locais como estaduais e federais, precisamos lutar pelos nossos direitos. Já está claro que a única maneira dos nossos políticos fazerem alguma coisa é através da cobrança pública. Agradecemos todas as pessoas que estão unidas nos sustentando em oração, tem feito uma grande diferença.

Agradecemos a todos que tem nos contado o quanto o Gustavo foi importante e fez a diferença em suas vidas. Estou cada vez mais admirada pelo homem maravilhoso que ele era e ainda é em nossos corações e lembranças.

O legado de amor, amizade, entrega e apoio que ele deixou é importante demais para ser esquecido. Que todos nós possamos aprender o desprendimento e intensidade de vida que ele tinha! Deus abençoe a todos.

Até o dia que nos reencontrarmos e poderemos dizer, te amo, te amo, bom dia, só podemos nos despedir como sempre, te amo, te amo, boa noite Gu!“

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