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Morador se impressiona com fila de viaturas do Tático atravessando a Ponte Invertida: “Isso é PMSC”

Imagens gravadas na travessia do rio São João, na divisa de Garuva com Guaratuba (PR), mostram uma sequência de caminhonetes da PMSC entrando na água pela chamada Ponte Invertida.

Morador se impressiona com fila de viaturas do Tático atravessando a Ponte Invertida: “Isso é PMSC”
Foto: Reprodução
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Uma fila de caminhonetes brancas do Tático da Polícia Militar entrou na água e atravessou o rio São João pela chamada Ponte Invertida, no extremo Norte de Santa Catarina. O vídeo, gravado na região de Garuva, na divisa com o Paraná, passou a circular nas redes sociais e chamou atenção pelo cenário pouco comum para uma cena de policiamento: nada de asfalto, semáforo ou perímetro urbano, apenas mata fechada, estrada de chão e um rio raso cortando o caminho.

Nas imagens, a primeira viatura desce o trecho de terra e entra devagar no leito do rio, com a água batendo na altura das rodas. Atrás dela, outras caminhonetes aguardam a vez paradas na estrada, alinhadas. A travessia acontece em passo lento, sem manobra brusca, e a coluna inteira passa para o outro lado.

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O QUE É A PONTE INVERTIDA

A Ponte Invertida é uma passarela de concreto de cerca de 48 metros, construída a poucos centímetros da superfície do rio São João. O nome vem da inversão da lógica: a água corre por cima da estrutura, e não por baixo. Quem atravessa, a pé ou de carro, entra na água. A ponte fica em Pedra Branca de Araraquara, zona rural de Guaratuba (PR), a cerca de 500 metros da divisa, e o acesso mais usado parte de Garuva, no lado catarinense.

Nos últimos anos o local virou destino de banhistas, motociclistas e donos de carros antigos, que sobem até ali para registrar a travessia. A passagem de veículos não é proibida, mas exige atenção redobrada. A recomendação é atravessar apenas com o nível do rio baixo e sem correnteza visível, e evitar completamente o trecho em dias de chuva.

O cuidado tem motivo. O rio São João se forma em região serrana e está sujeito às chamadas cabeças d’água, quando o nível sobe de forma rápida e repentina depois de chuva no alto da serra. Em novembro de 2024, dois homens precisaram ser resgatados na Ponte Invertida depois de serem atingidos por uma enxurrada e ficarem ilhados em cima de um carro, em ocorrência atendida pelo Corpo de Bombeiros Militar.

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POR QUE O TÁTICO CHEGA ATÉ ALI

É exatamente esse tipo de terreno que explica a presença das caminhonetes na cena. O policiamento tático da Polícia Militar opera com viaturas de tração e altura livre elevada justamente para alcançar áreas rurais, estradas não pavimentadas e localidades onde o carro de patrulha convencional não chega. Em Santa Catarina, boa parte do território fica fora dos grandes centros e depende desse tipo de deslocamento.

A região de Garuva soma dois fatores que pesam no planejamento da segurança pública. O município fica no ponto mais ao Norte do estado, colado no Paraná, e concentra ligações rurais entre os dois lados da divisa. Rotas assim encurtam caminho para o deslocamento entre estados sem passar pelos eixos principais, o que torna a presença policial na área um item permanente da rotina operacional.

O QUE DIZEM OS NÚMEROS DA SEGURANÇA EM SC

O registro que circula nas redes traz sobre as imagens a frase de que aquela é a polícia que ajuda a manter Santa Catarina como o estado mais seguro do Brasil. Os números oficiais dão sustentação ao argumento. Segundo o Atlas da Violência 2026, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Santa Catarina registrou taxa de 8,1 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, a segunda menor do país, atrás apenas de São Paulo. Pelo cálculo de homicídios estimados, o estado aparece na primeira posição.

O mesmo levantamento aponta que apenas o Distrito Federal, Goiás e Santa Catarina conseguiram manter reduções anuais sucessivas na taxa de homicídios entre 2019 e 2024. A queda catarinense acontece em um período de crescimento populacional: o estado passou de cerca de 6 milhões de habitantes em 2008 para mais de 8 milhões atualmente, alta de aproximadamente 35%.

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Os dados mais recentes da Secretaria de Estado da Segurança Pública reforçam a curva. Em maio de 2026, Santa Catarina contabilizou 22 homicídios, o menor número para o mês desde o início da série histórica, em 2008. A redução chega a 42,1% na comparação com maio de 2025, quando o estado registrou 38 casos, e a 75,6% em relação a maio de 2017, mês em que foram contabilizadas 90 ocorrências.

Vídeos como o da travessia em Garuva reforçam um ponto que os relatórios de segurança traduzem em número, mas raramente em imagem: a capilaridade do policiamento. Levar viatura para dentro do rio não é operação de exceção, é o custo de cobrir um estado onde a última casa da estrada muitas vezes está do outro lado da água.

A Polícia Militar não divulgou informações sobre a data do deslocamento nem sobre a natureza do serviço que levou o comboio até a divisa. O registro segue circulando nas redes sociais.

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