Pressionado no Jornal Nacional sobre o financiamento do filme Dark Horse, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, virou o jogo da pergunta e apontou a própria emissora que o entrevistava. O senador afirmou nesta sexta-feira (28) que o mesmo investidor que patrocinou o longa sobre Jair Bolsonaro destinou R$ 160 milhões a um programa apresentado por Luciano Huck e outros R$ 50 milhões à Editora Globo.
A cobrança partiu da apresentadora Renata Vasconcellos, que pediu ao candidato explicações capazes de convencer o eleitor de que ele não manteve relação próxima com o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado por ela como investigado pela maior fraude do sistema financeiro brasileiro.
Flávio respondeu que é preciso separar a natureza das operações. “É importante separar o tipo de relação privada que envolve esse patrocínio para um filme, que é o mesmo tipo de relação privada de um banqueiro que investiu também, deu um patrocínio de 160 milhões de reais para um programa do Luciano Huck aqui da Globo”, disse, no estúdio do telejornal.
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Segundo o senador, o aporte na Editora Globo teria custeado uma série de palestras, entre elas uma realizada em Nova York, ligada ao Valor Econômico, veículo do mesmo grupo. “Não existe nada de errado, é a mesma pessoa”, afirmou. Para ele, tanto o patrocínio ao filme quanto o direcionado ao Grupo Globo foram feitos de boa-fé.
“Não fui buscar dinheiro em Lei Rouanet”
Sobre o próprio filme, o candidato negou qualquer irregularidade e descartou o uso de recurso público na produção. “Eu não fui buscar dinheiro em Lei Rouanet, eu não fui buscar dinheiro em recursos públicos”, declarou. Ele acrescentou que o dinheiro não passou por suas mãos: “É um patrocínio para um filme privado sobre o meu pai”.
Flávio sustentou que não há nada de errado em um filho buscar financiamento privado para um filme sobre o próprio pai e afirmou que o investidor não recebeu nenhuma vantagem pelo fato de o produtor do projeto ocupar uma cadeira no Senado.
Antes de entrar no mérito, o senador abriu a resposta com uma menção à sabatina do dia anterior. “Em primeiro lugar, quero prestar minha solidariedade a você pelo ocorrido ontem, na sabatina com o próprio presidente da República, pela descortesia que ele cometeu. Da minha parte, obviamente, fiquei à vontade para fazer qualquer tipo de pergunta, como essa.”
“Não queria que essa obra de arte fosse perdida”
O candidato contou que a produção já estava em andamento quando correu atrás do patrocínio e classificou o longa como uma obra de arte. “Eu não queria que essa obra de arte fosse perdida”, declarou. Segundo ele, o pai merecia um registro cinematográfico à altura da própria trajetória, de alguém que “resistiu, inclusive, a uma facada até chegar à presidência da República”.
Contrato, planilha e investidores
A apresentadora rebateu que o assunto não está encerrado e listou o que, na avaliação do jornal, segue sem resposta: o contrato firmado com Daniel Vorcaro, a planilha detalhada dos milhões gastos na produção que o próprio candidato prometeu apresentar em maio, a identificação de todos os investidores e o valor aportado por cada um, além de quanto do dinheiro de um fundo criado no exterior chegou de fato ao filme.
“O eleitor não merece explicações mais claras sobre esse episódio, que ainda está obscuro?”, questionou Renata Vasconcellos. Flávio respondeu que era exatamente aquilo que estava fazendo diante das câmeras e afirmou já ter tratado do tema em outras ocasiões.
Ao encerrar o bloco, o senador reforçou que os aportes privados nada teriam de ilícito e traçou uma linha entre eles e o restante. “Isso aqui foi de boa-fé. Não tem nada de ilegal, está tudo correto”, disse, ao classificar a operação como “completamente diferente da relação que ele construiu junto ao atual governo”.
A sabatina ocorreu no mesmo dia em que o candidato não cumpriu agenda pública de campanha. No sábado (29), a programação prevê uma barqueata e uma motociata em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.






















