Candidato a deputado federal pelo MDB com o número 1588, Vini Protetor de Animais, vereador licenciado de São José e protetor há 18 anos, foi entrevistado por Kaiann Barentin no podcast do Jornal Razão. Na conversa, ele afirmou que a proteção animal em Santa Catarina “envergonha o estado”, cobrou uma política nacional para o setor, disse que dos 513 deputados federais apenas seis defendem a pauta e criticou o que chama de “protocolo da morte” da Polícia Militar, citando o caso do cão Dominó, em Itajaí.
DE PROTETOR A CANDIDATO: 18 ANOS ANTES DA URNA
Vini Protetor de Animais (MDB, nº 1588) disputa uma vaga na Câmara dos Deputados e sustenta que a decisão de entrar na política veio da constatação de que o poder público não cumpre o próprio papel. “A proteção animal hoje ela é desassistida, o poder público hoje é ineficiente”, afirmou. Segundo ele, depois de 18 anos como protetor, não havia outro caminho: “o caminho realmente é fazer parte da política e conseguir, através do nosso mandato, através de parcerias, melhorar essa questão”.
O candidato mantém o Instituto Amor Animal, sediado em São José, que segundo ele atende cerca de 150 protetoras há seis anos, principalmente na Grande Florianópolis. Hoje vereador licenciado, ele resume a própria credencial em uma frase: “Antes de ser político, eu sou um protetor. Então eu sou um protetor que virou um político.”
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O entrevistador Kaiann Barentin confrontou o candidato justamente sobre o risco de oportunismo na pauta, lembrando que, nos últimos dois anos, surgiram nomes que dizem defender a causa “sem ter retirado sequer um animal da rua”. Vini concordou com a crítica: “Todas as eleições aparece um monte de deputado com cachorrinho, com gatinho no colo. São pessoas que aparecem só para tentar buscar votos usando a causa animal.” Ele disse que vai gravar um vídeo sobre o tema e recomendou ao eleitor checar a trajetória de cada candidato: quantas leis criou e quanto já investiu em protetores.
40 PROJETOS DE LEI EM SÃO JOSÉ E O QUE JÁ VIROU REALIDADE
Questionado sobre resultados concretos, Vini afirmou que, em um ano e seis meses de mandato na Câmara de Vereadores de São José, apresentou 40 projetos de lei, todos voltados à causa animal. Entre as leis que diz ter aprovado, citou a proibição de manter animais acorrentados e a proibição da comercialização clandestina de animais domésticos no município. “A gente entende que o animal não cometeu nenhum crime pra tá preso”, disse, antes de disparar a frase mais dura da entrevista sobre criadouros irregulares: “Útero de cachorra não é emprego, vai trabalhar.”
Na parte executiva, o candidato atribuiu ao mandato e à sua atuação como diretor de bem-estar animal os mutirões mensais de castração nos bairros e o atendimento a protetoras com consultas, vacinas e cirurgias. Segundo ele, na última semana foram realizadas mil castrações em um fim de semana, com outras mil programadas para o mês seguinte, além de mutirão de vacinação. “Quando tem um vereador atuante, que tem voz ativa numa tribuna e começa a cobrar da gestão, as coisas funcionam”, afirmou.
Vini disse ter visitado cerca de 200 municípios catarinenses e que, na avaliação dele, onde não há vereador eleito pela causa animal “as coisas não andam, não funcionam”. Ele também tem um projeto ainda em tramitação nas comissões que enquadraria como maus-tratos deixar o animal 36 horas sem atendimento ou contato humano.
“NÃO FALTA DINHEIRO, FALTA PRIORIDADE”: A COBRANÇA AOS PREFEITOS
O candidato afirmou que a maioria dos prefeitos catarinenses tem pouco conhecimento sobre proteção animal e classificou o poder público como omisso. Para ele, o argumento da crise financeira não se sustenta: “Mesmo uma prefeitura que tem poucos recursos, ele tem que tirar uma parte do seu orçamento para cuidar dos animais.” E resumiu: “Pra mim, não falta dinheiro dentro de uma prefeitura, o que falta é prioridade com os animais.”
O entrevistador ponderou que o Judiciário já vem atuando sobre o tema, com promotores e juízes condenando municípios e obrigando a implementação de políticas públicas de proteção animal, e lembrou que o momento é de elaboração da lei orçamentária do próximo ano, ou seja, “o município não pode mais não colocar no orçamento a causa animal”. Barentin também registrou sua própria experiência de quase três anos à frente da Fundação do Meio Ambiente em Barra Velha, onde afirma ter enfrentado deficiência de legislação e de recursos.
Ao ser questionado sobre a onda de denúncias em massa contra municípios feita por outra candidata, o entrevistador ponderou que há oportunismo tanto em quem quer se eleger quanto em quem só quer falar mal de cidades, mas que a deficiência existe e falta capacitação aos gestores. Vini respondeu que o caminho é levar emendas parlamentares de Brasília para ajudar as prefeituras.
Sobre a divisão de responsabilidades entre Estado e cidadão, Vini afirmou que o dever é compartilhado, mas apontou onde o poder público falha: quando não tem equipe de fiscalização contra maus-tratos e quando não oferta castração, consulta, exames e vacinação. “A causa animal de Santa Catarina envergonha o nosso estado. O nosso estado é um estado milionário. Infelizmente, o investimento que vai pra proteção animal ainda é migalhas”, declarou.
CÃO ORELHA, MANINHO E DOMINÓ: OS CASOS QUE ELE DIZ NÃO PODER VIRAR ROTINA
Perguntado sobre os casos que marcaram sua trajetória, o candidato citou primeiro o cão Orelha, que classificou como símbolo da impunidade contra os animais. Segundo ele, o caso não foi esquecido pela proteção animal, ainda que a imprensa fale pouco a respeito, e a expectativa é de que haja investigação e até uma CPI para trazer clareza ao episódio.
Ele mencionou ainda o cão Maninho, na praia do Estaleirinho, em Balneário Camboriú, e o cão Dominó, em Itajaí. “A cada mês tem um caso mais cruel que o outro. Isso já está tornando rotina na nossa sociedade”, afirmou, dizendo temer que a sociedade normalize o crime contra os animais em meio à velocidade das informações, comparação que ele estendeu ao noticiário sobre feminicídio.
POLÍCIA MILITAR: ELOGIO À CORPORAÇÃO E CRÍTICA AO “PROTOCOLO DA MORTE”
O ponto mais sensível da entrevista foi a atuação policial. Barentin lembrou que o Jornal Razão já noticiou diversos casos de pit bulls soltos que atacam pessoas, que existe estigma em relação à raça e que uma lei estadual sobre o tema foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e não está mais em vigor. Diante da hipótese de uma criança atacada, perguntou como fica a atuação da PM, que às vezes precisa sacrificar o animal.
Vini respondeu que é contra tirar a vida de um animal e criticou o que chamou de “protocolo da morte da Polícia Militar”. Ressalvou, porém, que “quando o animal ele leva perigo pra tirar a vida de uma criança, eu acho que o protocolo ele tem que ser utilizado”. A crítica dele é ao uso corriqueiro: “Hoje a Polícia Militar tá matando o animal só porque se aproximou da guarnição.”
Na versão do candidato, foi o que ocorreu com o cão Dominó, em Itajaí: segundo ele, há filmagens e relatos de que o animal não representava perigo à guarnição, não atacou e não avançou em ninguém. A versão não foi confirmada de forma independente. O entrevistador ponderou que se trata de um caso complexo, que não pode ser tomado como regra, e resumiu a proposta como capacitação da guarnição e revisão do procedimento, o que o candidato confirmou. “Pra mim, a Polícia Militar de Santa Catarina é a melhor do Brasil”, disse, acrescentando que numa abordagem com seres humanos “a primeira opção não é tirar a vida”.
CASTRAÇÃO EM MASSA, CASAS DE PASSAGEM E O LIMITE PARA CRIADORES
Para Vini, o modelo ideal em Santa Catarina não é o canil tratado como “depósito de animais”, e sim a casa de passagem: o animal é acolhido da rua, recebe todo o tratamento, é castrado e vacinado e segue para adoção responsável, que ele define como o pilar mais importante da estrutura. Ele defendeu a castração como política central: “A castração em massa é a solução para o nosso estado”, afirmou, ligando o método ao controle populacional e à redução do abandono.
Sobre criadores comerciais, o candidato adotou tom mais moderado. Disse não ser a favor nem contra e respeitar o livre comércio, mas exigir protocolo de bem-estar: veterinário acompanhando o criadouro, número máximo de crias por fêmea e aposentadoria reprodutiva depois disso. Ele lembrou ainda que é “super favorável” à criação de raças usadas em equipes de salvamento e resgate e como cães de apoio a pessoas com deficiência.
Vini também reconheceu que recebe denúncias falsas com frequência, muitas delas motivadas por brigas de vizinhos. “O tempo que eu tô indo lá pra verificar uma denúncia falsa, a gente podia tá salvando mais uma vida de um animal”, disse, lembrando que a falsa comunicação também é crime. Sobre maus-tratos, ampliou o conceito para além da agressão física: local insalubre, sem cobertura contra chuva e sem acesso ao sol também configuram, segundo ele, a infração.
POR QUE BRASÍLIA E NÃO A ASSEMBLEIA: EMENDAS E POLÍTICA NACIONAL
Questionado sobre por que saltou o Legislativo estadual e mira direto a Câmara Federal, Vini apresentou dois motivos: competência legislativa e dinheiro. “São 513 deputados federais, nós temos apenas seis deputados eleitos no Brasil que defende a bandeira da causa animal”, afirmou, dizendo que por isso as leis seguem brandas e a impunidade prevalece. Ele defende uma política nacional de proteção animal, hoje inexistente, e citou países desenvolvidos como referência.
O segundo argumento é orçamentário: segundo ele, um deputado federal movimenta cerca de R$ 200 milhões em emendas parlamentares, além das emendas de bancada. “Não se faz política pública de proteção animal sem recurso”, resumiu, prometendo destinar as próprias emendas integralmente à pauta. Ele afirmou ainda que Santa Catarina tem 16 deputados federais e que “a maioria deles não destinou nenhum real de verba pra proteção animal”, informação que ele mesmo pede ao eleitor conferir.
Barentin cobrou o candidato sobre a complexidade do mandato federal, lembrando que em Brasília passam diariamente pautas de segurança pública, saúde, educação, infraestrutura e a votação do Orçamento, e questionou sua capacidade de articulação diante de uma casa com centenas de deputados e ideologias distintas. Vini respondeu que está preparado e citou parcerias com os deputados federais Bruno Lima, Felipe Becari e Mateus Laiola: “eu sou mais um que quero me juntar àquele exército pra tornar aquele time mais forte”.
O entrevistador também trouxe a articulação institucional em Santa Catarina, citando a recém-criada Semae, secretaria estadual de meio ambiente, e sua diretoria voltada à causa animal, a Adibea. Vini disse que somará esforços independentemente de quem for eleito governador e avaliou que o programa estadual de castrações em algumas cidades é “o início, mas ainda fica muito aquém daquilo que a gente precisa”. Barentin lembrou ainda que os dois se encontraram em Brasília no lançamento do programa federal SimPatinhas, que classificou como avanço, desde que não pare no cadastro.
A CAMPANHA E O PEDIDO DE VOTO
Sobre o bastidor da campanha, num cenário em que o próprio entrevistador registrou a queixa comum de todos os candidatos sobre o custo dos anúncios após a mudança na política de impulsionamento da Meta, Vini disse apostar no histórico. “Eu não caí de paraquedas na proteção animal. Eu cheguei na proteção animal quando praticamente não existia nada”, afirmou, pedindo ao eleitor que pesquise seu nome no Google e nas redes.
No pedido de voto final, ele sustentou que a cadeira da proteção animal nunca foi ocupada por Santa Catarina e que o estado está entre os que não elegeram um representante da pauta na Câmara. “Cada dia é um crime mais cruel do que o outro, e isso me incomoda, e eu sou o cara que vou chegar em Brasília e vou lutar pra mudar essa realidade”, concluiu. O registro da candidatura, conforme o TSE, está aguardando julgamento.






















