A candidíase de repetição pode ser frustrante, principalmente quando os sintomas voltam mesmo depois do tratamento. Embora o problema tenha tratamento, episódios frequentes merecem uma investigação mais cuidadosa para identificar os fatores envolvidos e encontrar a melhor forma de controlar a infecção.
Isso é considerado quando os episódios de candidíase vulvovaginal aparecem várias vezes ao longo do ano. A infecção é causada, na maioria dos casos, pelo fungo Candida albicans, que pode fazer parte da microbiota vaginal sem causar problemas. Quando ocorre um desequilíbrio, o fungo pode se multiplicar e provocar sintomas.
O que é a candidíase de repetição?
A candidíase de repetição é caracterizada pela ocorrência recorrente de episódios sintomáticos. Enquanto o Ministério da Saúde considera a candidíase recorrente quando há quatro ou mais episódios em um ano, o CDC, dos Estados Unidos, utiliza três ou mais episódios em menos de 12 meses.
Isso significa que apresentar uma nova crise depois de alguns meses não indica, por si só, um quadro recorrente. A frequência dos episódios e a confirmação de que os sintomas são causados pela Candida precisam ser avaliadas.
O fungo pode viver normalmente no organismo. O problema surge quando há uma multiplicação excessiva da Candida, e alterações na microbiota vaginal podem facilitar esse processo.
Também é importante evitar o autodiagnóstico. Coceira, corrimento e ardência podem aparecer em outras condições ginecológicas. Quando os sintomas persistem ou voltam pouco tempo depois do tratamento, uma avaliação profissional ajuda a diferenciar as causas.
O que pode causar a infecção?
A candidíase de repetição pode ter diferentes fatores associados, porém, em muitos casos não existe uma única causa identificável. Entre os fatores que podem aumentar o risco estão:
- uso frequente de antibióticos;
- diabetes sem controle adequado;
- gravidez e alterações hormonais;
- alterações na imunidade;
- uso de determinados medicamentos;
- infecção por espécies de Candida diferentes da Candida albicans.
O estresse também aparece como possível fator associado à recorrência, embora não seja possível afirmar que seja a causa isolada do problema. Por isso, é melhor observar o conjunto de fatores e não atribuir todas as crises a um único hábito.
Sintomas da candidíase de repetição
Os sintomas da candidíase de repetição são semelhantes aos de um episódio comum. A diferença está principalmente na frequência com que eles aparecem. Os sinais mais comuns incluem:
- coceira na vulva e na região vaginal;
- vermelhidão;
- inchaço;
- ardência;
- dor ou desconforto durante a relação sexual;
- dor ou ardência ao urinar;
- corrimento branco e espesso, geralmente sem odor forte.
Nem todas as pessoas apresentam todos esses sinais e a intensidade pode variar de um episódio para outro.
Mas a investigação ganha ainda mais importância quando os sintomas retornam após o tratamento. Nesses casos, o médico pode solicitar exames para confirmar a presença do fungo e identificar a espécie envolvida.
Isso ocorre porque algumas espécies de Candida respondem de maneira diferente aos medicamentos usados com mais frequência.
A candidíase tem cura?
A candidíase tem cura, mesmo que envolva recorrência. Nos casos isolados, o tratamento costuma ser feito com medicamentos antifúngicos por via vaginal ou oral, conforme a avaliação profissional.
Na candidíase de repetição, o tratamento costuma envolver uma etapa inicial para controlar a infecção e, em seguida, uma fase de manutenção para reduzir o risco de novos episódios.
O Ministério da Saúde prevê, para casos recorrentes, esquemas de indução e manutenção. Uma das opções descritas no protocolo é o uso de fluconazol em doses específicas durante a fase inicial e, depois, uma vez por semana durante seis meses.
Isso não significa que toda pessoa com sintomas deva seguir esse tratamento. O medicamento, a dose e a duração do tratamento variam conforme o diagnóstico e avaliação médica. Não é recomendado a automedicação.
Se você apresenta sintomas recorrentes de candidíase mesmo após o uso de medicamentos, não deixe de buscar pelo seu ginecologista.














