Tijucas terá show nacional com a banda Raça Negra na festa de aniversário de 166 anos do município. O evento será realizado no dia 13 de junho, nos fundos do Casarão Gallotti, no centro da cidade, com entrada gratuita para os moradores. A confirmação foi feita pela Prefeitura ao Jornal Razão.
A programação começa às 19h com a abertura oficial da festa. Em seguida, sobe ao palco a cantora Bia Barros. A apresentação principal está marcada para as 21h, quando a Raça Negra, uma das bandas mais conhecidas do pagode brasileiro, comanda o palco.
Toda a operação de cozinha e bebidas durante o evento será conduzida por entidades sociais do município, com a receita revertida em ações das próprias instituições. Estão confirmadas o Lar Santa Maria da Paz, a APAE, a AMA e a Rede Feminina de Combate ao Câncer.
A aposta do prefeito
Conforme a Prefeitura de Tijucas, a contratação de um show nacional para o aniversário do município faz parte de uma estratégia maior de posicionamento da cidade. O prefeito Maickon Sgrott (PL) tem defendido publicamente que Tijucas precisa ocupar um espaço de protagonismo regional historicamente exercido por outras cidades vizinhas. Para a gestão, eventos de grande porte funcionam como vitrine, atraem visitantes, movimentam o comércio e reforçam a identidade do município.
O réveillon na virada de 2025 para 2026 foi o primeiro grande teste dessa estratégia. A festa, realizada na orla, foi o maior réveillon da história de Tijucas, com público recorde para um evento na praia. O resultado consolidou a aposta da gestão em transformar Tijucas em um novo polo de eventos e investimentos no litoral catarinense, ao lado de Itapema, Bombinhas e Balneário Camboriú.

A praia que não servia
Por décadas, Tijucas conviveu com o discurso de que a sua faixa litorânea não servia para o turismo e desenvolvimento econômico. A foz do Rio Tijucas, marcada pelo assoreamento histórico e pelo aspecto barrento da água, fez com que gerações de tijuquenses crescessem ouvindo que a praia da cidade não tinha vocação para o sol e mar.
A sensação de que Tijucas teria perdido o bonde do desenvolvimento litorâneo, enquanto cidades vizinhas explodiam economicamente, é parte da memória coletiva do município.
A gestão atual tenta mudar essa narrativa. A construção dos molhes da Boca da Barra, com investimento previsto de R$ 53 milhões, é o principal marco dessa virada. A Licença Ambiental de Instalação foi protocolada no Instituto do Meio Ambiente em março de 2026 e está em fase final de avaliação técnica. Quando concluídos, os molhes prometem estabilizar a foz do rio, melhorar a navegabilidade e abrir caminho para um novo ciclo de atração de estaleiros, marinas e turismo náutico, setor que já é uma das maiores fontes de receita fiscal da cidade.

O modelo Florianópolis
A estratégia de Tijucas mira no exemplo da capital catarinense. Conforme dados divulgados pela gestão municipal de Florianópolis, a arrecadação de Imposto Sobre Serviços (ISS) na cidade saltou de R$ 401,9 milhões em 2021 para R$ 856,2 milhões em 2025, um crescimento de aproximadamente 113% em quatro anos. O resultado, segundo a Prefeitura da capital, foi alcançado sem aumento de tributos. O salto de receita foi puxado pela expansão dos setores de serviços, tecnologia, turismo e, principalmente, pela aposta em grandes eventos.
O Ironman Brasil, prova internacional de triathlon, movimenta sozinho mais de R$ 80 milhões por edição em hotéis, restaurantes, transporte e comércio na capital. A Maratona Cultural consolidou Florianópolis como polo de eventos artísticos. O setor de tecnologia, parcialmente alimentado pelo ambiente cultural da cidade, já responde por mais de 25% do PIB da capital. Em 2020, durante a pandemia, Florianópolis reduziu o ISS de eventos e hospedagem para a alíquota mínima de 2% e manteve a política mesmo após a recuperação econômica.
A leitura da gestão de Tijucas é de que esse modelo pode ser replicado em escala adequada ao município. Os shows funcionam como porta de entrada para um ciclo maior de geração de renda, ocupação hoteleira, fluxo turístico e oportunidade comercial.
O pacote histórico de obras
A festa de 166 anos chega em um momento em que Tijucas dá o pontapé para o maior pacote de obras da sua história. Ao todo, são R$ 164,47 milhões em investimentos previstos para 2026, dos quais R$ 64,47 milhões em 48 intervenções de curto prazo, distribuídas em todos os bairros, e R$ 100 milhões em três obras estruturantes de médio prazo.
Além dos molhes, integram esse pacote a nova ponte sobre o Rio Tijucas, orçada em R$ 37 milhões, e a Arena Esportiva, de R$ 10 milhões. O plano foi destravado em 23 de abril, quando a Câmara de Vereadores de Tijucas aprovou por 11 votos a 1 a operação de crédito de R$ 83 milhões com a Caixa Econômica Federal, dentro do programa FINISA.

Em paralelo, o município aguarda o início das obras do Câmpus Tijucas do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), com investimento total estimado em R$ 28 milhões via Novo PAC, e segue com a construção da primeira escola de tempo integral, no Loteamento Bosque da Mata, no bairro Areias, orçada em R$ 11,65 milhões.
Na saúde, a Prefeitura executa a construção da primeira Unidade Básica de Saúde Tipo IV do município, no bairro Joáia, com investimento de R$ 5,6 milhões via Novo PAC. A obra fica na Rua Marlinho Geraldo, número 426, e segue padrão estabelecido pelo Ministério da Saúde para comportar pelo menos quatro equipes de Saúde da Família, ampliando o atendimento médico, odontológico, de enfermagem, vacinação e procedimentos para os moradores da região.
Como será a festa
A festa será realizada nos fundos do Casarão Gallotti, marco arquitetônico do centro de Tijucas. A estrutura abre ao público às 19h, com a apresentação da cantora Bia Barros, e segue até a apresentação principal da Raça Negra, marcada para as 21h. A entrada é gratuita para os moradores. Toda a operação de alimentação e bebida será conduzida pelas quatro entidades sociais parceiras, com a receita revertida em ações dessas instituições.
Conforme a Prefeitura, o evento abre o calendário de comemorações dos 166 anos de Tijucas e marca, segundo a gestão, a entrada do município em uma nova fase do seu desenvolvimento.