Uma rotina de oito anos dedicada à saúde dos pés deu lugar a um pesadelo financeiro, familiar e psicológico. Em um desabafo desesperado publicado nas redes sociais, a podóloga Duda Almeida, moradora de Joinville, no Norte de Santa Catarina, expôs o colapso de sua vida pessoal e profissional após se viciar em jogos de azar online. Com o aluguel do seu estabelecimento atrasado e devendo cerca de R$ 40 mil a agiotas, a profissional agora enfrenta ameaças diretas à própria vida e à segurança de sua família.
A trajetória de Duda no mundo das apostas começou de forma aparentemente inofensiva. Durante o vídeo, ela explicou que iniciou no pôquer, atividade que considerava saudável. Contudo, em busca de níveis cada vez maiores de adrenalina, migrou para o caça-níquel digital popularmente conhecido como “Jogo do Tigrinho”. O hábito rapidamente se transformou em compulsão.
“Eu devo pra muito agiota. Eu tô com a minha vida ferrada. Eu tô com o aluguel da clínica atrasado. Eu tô… devo pra muita gente. Tudo isso começou por causa de vício. Vício em jogos”, desabafou a podóloga.
Apesar de continuar atendendo na clínica e de ter criado pacotes promocionais para tentar alavancar o faturamento do negócio, a podóloga revelou que a bola de neve criada pelos juros abusivos da agiotagem tornou a situação financeira incontrolável e “aterrorizante”.
Ameaças de agressão e temor pela família
À medida que as dívidas acumulavam, a cobrança extrapolou os limites financeiros e virou caso de polícia. No relato, Duda expôs o medo constante de sofrer violência física por parte dos credores informais.
“Hoje eu recebi ameaças de agiotas dizendo que a facção vai vir atrás de mim. Eu recebi ameaças dizendo que iam me socar a cara, que iam tacar bala. Isso tá tirando o meu sono”, contou.
Os impactos do vício ultrapassaram o caixa da clínica e desestruturaram toda a rede de apoio da profissional. Duda admitiu ter endividado os próprios pais para tentar cobrir rombos financeiros, além de vivenciar conflitos conjugais severos e o afastamento de amigos próximos.
“Aqui em casa é um pé de guerra. Eu quase acabei meu casamento. Eu deixo meu filho em risco. Eu perdi amizades”, afirmou.
Tratamento, pedido de socorro e alerta coletivo
Abalada emocionalmente, a podóloga revelou que faz uso diário de medicamentos antidepressivos e compara o processo de recuperação da ludopatia (vício em jogos) ao tratamento de qualquer outra dependência química.
“É tipo vício em bebida, é tipo vício em droga. É um dia após o outro”, declarou.
Sem alternativas imediatas para liquidar os débitos mais urgentes, Duda disponibilizou uma chave Pix no vídeo publicado, pedindo contribuições financeiras e compartilhamentos para conseguir manter a integridade física e o funcionamento do seu espaço de trabalho.
No fim do relato, a profissional fez um apelo direto a quem costuma apostar valores em plataformas virtuais:
“Sai disso, gente. Sai. Sai, sai. Porque… Hoje tu ganha. Mas amanhã depois tu perde bem mais”, alertou.
Busque ajuda
Moradores que enfrentam compulsão por apostas podem buscar acolhimento gratuito na rede pública de saúde, seja por meio das unidades básicas ou nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que disponibilizam acompanhamento especializado e grupos terapêuticos de apoio.















