A Polícia Civil de Santa Catarina prendeu nesta quinta-feira (17) três homens apontados como integrantes de uma facção criminosa que, segundo a investigação, coordenava a distância roubos, sequestros e extorsões contra motoristas de aplicativo na Região Metropolitana de Belém, no Pará. Dois foram presos em casa, em São José, na Grande Florianópolis. O terceiro já estava no presídio de Itajaí por outros crimes e recebeu nova ordem de prisão.
As prisões fazem parte da Operação Ampulheta, deflagrada pela Polícia Civil do Pará com apoio das polícias civis de Santa Catarina, Rio de Janeiro, Maranhão e Rio Grande do Sul. No Pará, a ação foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos Automotores (DRFRVA), ligada à Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO). Em Santa Catarina, os mandados foram cumpridos pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACO), da DEIC.
De acordo com a Polícia Civil, os líderes do grupo moravam em Santa Catarina e no Rio de Janeiro. Eles criavam grupos em aplicativos de mensagens e distribuíam “missões” aos comparsas no Pará: roubar motoristas de aplicativo, sequestrá-los e extorquir dinheiro. Os crimes aconteciam em Belém, Ananindeua e Marituba. Na prática, quem dava as ordens não estava na cena do crime, a mais de 3 mil quilômetros de distância.
As vítimas passavam por momentos de terror. Segundo a investigação, o grupo teria participado do roubo de mais de 10 veículos e motoristas de aplicativo nas três cidades paraenses. Em parte dos casos, as vítimas teriam sido mantidas em cárcere privado enquanto os criminosos exigiam transferências de dinheiro, inclusive via Pix.
Ao todo, a operação expediu 14 mandados de prisão temporária e 20 de busca e apreensão, cumpridos em Navegantes e São José (SC), Bagé (RS), Centro Novo do Maranhão (MA) e na capital fluminense, além das cidades da Grande Belém. As ordens foram expedidas pela Vara do Juízo das Garantias de Belém.
Até o balanço mais recente divulgado no Pará, 12 pessoas tinham sido presas na operação, somando as capturas em todos os estados envolvidos.
Os alvos catarinenses foram localizados a partir da troca de informações de inteligência entre as polícias do Pará e de Santa Catarina. Um homem de 26 anos foi preso em casa, no bairro Nossa Senhora do Rosário, em São José. Outro, de 30 anos, foi capturado na própria residência, no bairro Flor de Nápolis, também em São José.
O terceiro investigado, de 31 anos, já cumpria prisão no presídio de Itajaí por outros crimes. Contra ele foi cumprida a nova ordem judicial ligada à Operação Ampulheta. A Polícia Civil não divulgou os nomes dos três presos.
Durante as buscas, foram apreendidos documentos, celulares e veículos, e a maior parte dos veículos envolvidos nos crimes já foi recuperada. O material deve ajudar a mapear a estrutura do grupo e a divisão de tarefas entre os líderes e os executores no Pará.
A investigação ainda não terminou. Segundo a Polícia Civil, a ação busca desarticular a estrutura de planejamento dos crimes e identificar outros envolvidos.
Os três presos em Santa Catarina seguem no sistema prisional, à disposição da Justiça.















