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Dino diz que relatório do STF mostra pedido para invadir o Supremo e expor as cabeças dele, de Moraes e Zanin

Ministro publicou trechos que atribui a documento da Polícia Judicial, com posts no X que falariam em fuzilamento, explosão e enforcamento de ministros

Relatório do STF mostra post que pede para invadir o Supremo e expor as cabeças de Moraes, Dino e Zanin
Foto: Reprodução
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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino diz ter recebido nesta sexta-feira (9) trechos de um relatório da segurança do tribunal que, segundo ele, reúne milhares de mensagens com ameaças de morte e de agressão contra ele e outros ministros da Corte. Os exemplos divulgados pelo ministro teriam sido publicados entre 1º e 6 de outubro, na semana do primeiro turno da eleição.

“Recebi hoje trechos de um relatório de Segurança do STF mostrando milhares de mensagens no mesmo sentido: ameaças de assassinato e agressões diversas”, escreveu Dino em publicação no Instagram. As páginas mostradas por ele trazem a marca da Secretaria de Polícia Judicial (SPJ), o setor que cuida da segurança dos ministros do Supremo.

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De acordo com os trechos publicados pelo ministro, o X concentraria o maior volume e a maior proporção de publicações hostis. As de maior gravidade, diz o texto atribuído ao relatório, falariam em fuzilamento, explosão, enforcamento e esquartejamento. Os nomes dos perfis aparecem cobertos por tarjas.

Em uma das mensagens reproduzidas, que teria sido postada em 5 de outubro, um perfil escreve que Dino seria o “primeiro a ser fuzilado”, “por ter proibido o acesso às armas”. Em outra, atribuída a 1º de outubro, o autor diz: “Deixa explodir o Gilmar Moraes Dino Zanin Toffoli Gonet Andrey”. Em 3 de outubro, segundo o documento, um usuário pede para “invadir o STF e fazer com moraes, dino e zanin igual fizeram com tiradentes, cabecinha em praça publica”.

Trecho do relatório da Polícia Judicial do STF divulgado por Flávio Dino

Os trechos divulgados por Dino também trazem duas publicações que seriam de 6 de outubro. “O gordóla mau curtiu sua vida de neoditador e já vai levar chumbo”, diz uma delas. A outra afirma que “Dino é carta marcada pelo que fez agora no período de eleição e também por ter travado as emendas parlamentares pra ajudar Lula. Traiu o legislativo e vai pagar com sangue”.

No texto que acompanha as imagens, Dino diz que nunca foi processado criminalmente. “Em 37 anos como servidor público nunca respondi a um único processo criminal. O ódio exposto nas mensagens deriva da repetição de mentiras, visando causar violência”, escreveu.

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O ministro afirma que quem discorda de uma decisão judicial tem o caminho do recurso. “Se as pessoas não concordam com decisões judiciais, elas podem recorrer aos Colegiados competentes. Não precisa matar o juiz que tomou a decisão, nem fazer discursos raivosos incitando perseguições e agressões.”

Dino diz que as ameaças não vão mudar a forma como trabalha. “Em nada alterarei a minha atuação profissional, pois nunca minha perna ou minha mão tremeram, nem minha voz se alterou.” E encerra com um alerta: “Se um juiz passar a ter medo de decidir um processo, à vista do suposto risco de sofrer perseguições pessoais, não existe mais Poder Judiciário. Nem Constituição.”

As mensagens citam decisões que colocaram o ministro no centro do debate nas últimas semanas. No domingo, 27 de setembro, Dino anulou uma ordem do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que mandava retirar das redes publicações sobre Nossa Senhora Aparecida ligadas ao candidato Flávio Bolsonaro (PL). No dia seguinte, o ministro Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino. Em 30 de setembro o TSE reduziu o alcance da ordem, e depois disso Dino declarou a perda de objeto do caso.

Dino também é o relator, no STF, das ações sobre a transparência das emendas parlamentares e já suspendeu repasses de emendas que não identificavam o destino do dinheiro. Antes de chegar ao Supremo, como ministro da Justiça do governo Lula, em 2023, conduziu o decreto que restringiu o acesso a armas e munições, citado em uma das mensagens.

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Não é a primeira vez que o ministro denuncia ataques. Em setembro de 2025, depois de votar pela condenação de Jair Bolsonaro na ação da trama golpista, Dino levou à Polícia Federal prints de mais de 50 publicações com ameaças. O ministro Alexandre de Moraes autorizou a investigação. Em maio deste ano, Dino contou que uma funcionária de companhia aérea viu o nome dele no cartão de embarque e disse que seria melhor matá-lo do que xingá-lo.

Fotos: Rosinei Coutinho/STF e Supremo Tribunal Federal

© Jornal Razão. Reprodução permitida com crédito e link para a matéria original: jornalrazao.com/justica/relatorio-stf-ameacas-moraes-dino-zanin

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