O drama de Dayla Fernanda Pedroso Ramos e Edemar Leitemperger parece não ter fim. Após denunciarem suposta negligência médica durante o parto que terminou na morte do bebê Ragnar, agora o casal também relata abandono total no acompanhamento de saúde da mãe, que segue enfrentando dores e incertezas.
Segundo Edemar, mesmo após a tragédia, o Poder Público de Balneário Camboriú não ofereceu qualquer tipo de suporte real para a recuperação da esposa, que precisou retirar o útero para sobreviver. Nem mesmo os exames básicos de acompanhamento estão sendo realizados com o mínimo de dignidade.
Na última semana, Dayla foi até o Centro Municipal de Diagnóstico e Imagem, unidade vinculada à Prefeitura, para realizar um exame que poderia esclarecer quais órgãos foram retirados durante a cirurgia. O exame estava agendado para às 9h, mas o casal ficou esperando por mais de uma hora sem ser atendido.
— Minha esposa, recém-operada, sentindo dores, ficou mais de uma hora esperando. E ninguém atendeu. O horário era às 9h, mas eles ficaram brincando com a nossa cara — desabafou Edemar nas redes sociais, visivelmente indignado.
Ele ainda completa:
— Depois de tudo que passamos com a morte do nosso filho, a Prefeitura continua tratando a gente com descaso. Eles prometeram ajuda, prometeram acolhimento. E até agora, nada.
Dor física e emocional
Dayla afirma que, até o momento, não sabe exatamente o que os médicos retiraram dela durante a cirurgia. A única informação que recebeu foi dada por uma enfermeira, horas depois do procedimento, que lhe contou sobre a histerectomia — a retirada do útero.
— Ninguém me explicou nada. Eu tô sentindo dores, e não sei se é do ovário, do colo, do que sobrou de mim. Fui pesquisar na internet pra entender o que tinham feito no meu corpo — conta, emocionada.
Velório sem dignidade e promessas não cumpridas
A dor da perda também se estendeu ao velório do bebê. O casal afirma que o hospital e a gestão municipal prometeram custear um sepultamento digno, mas o que encontraram foi um caixão de péssima qualidade, que sequer fechava direito, colocado no meio da capela, sem flores, sem qualquer suporte ou acompanhamento.
— Até no velório abandonaram a gente. Foi humilhação do começo ao fim — lamenta Edemar.
“A prefeita tá bem, e a gente aqui destruído”
O casal diz que até agora não recebeu assistência psicológica, social ou jurídica do Poder Público. Sentem-se completamente desamparados.
— A prefeita tá bem, o secretário de saúde tá bem, todo mundo tá bem. E a gente aqui, destruído. Minha esposa tá se culpando, querendo morrer, e ninguém faz nada — desabafa o pai.
Luta incansável por justiça
Eles garantem que não vão parar até que os responsáveis sejam punidos.
— Se eu não fizer justiça pelo meu filho, ele vai ser só mais um. E isso eu não vou aceitar — afirma Edemar.
O caso segue sendo investigado. O médico obstetra responsável foi afastado, e uma sindicância foi aberta pela Prefeitura de Balneário Camboriú. Até agora, porém, nenhuma medida concreta foi apresentada para reparar os danos causados ou para oferecer suporte real à família.




































