O Rio Itajaí do Sul chegou a 6,68 metros na leitura das 22h25 desta segunda-feira (31) na Ponte Ricardo Kanitz, em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, e o ponto segue classificado como emergência no painel de monitoramento da Defesa Civil do município. Onze minutos antes, o mesmo medidor marcava 6,64 metros. O rio sobe enquanto a chuva forte continua caindo sobre a região.
O avanço aparece nos três pontos monitorados dentro da cidade. Na Ponte Dom Tito Buss, indicador principal do painel, o nível passou de 6,10 para 6,12 metros no mesmo intervalo. Na Ponte da BR-470, a leitura das 22h26 apontava 6,22 metros, contra 6,18 registrados poucos minutos antes. Os dois pontos estão em alerta.
A cota de alerta em vigor em Rio do Sul vai de 6,50 a 7,50 metros, faixa definida em reunião técnica entre a Defesa Civil municipal e a Defesa Civil de Santa Catarina, após a avaliação dos dados meteorológicos e hidrológicos da bacia. Com o Itajaí do Sul acima de 6,60 metros e subindo, a cidade opera dentro do intervalo que exige resposta.
Em contato com o Jornal Razão, a Defesa Civil confirmou que monitora a situação de forma permanente e que Rio do Sul já se encontra em alerta. Segundo o órgão, as equipes estão mobilizadas e, a qualquer momento, dependendo da evolução do nível dos rios e do volume de chuva, começarão a alertar diretamente os moradores das áreas de risco.
O solo é o fator que agrava o quadro. A região acumula chuva desde o fim de semana, e a água que cai agora não infiltra mais: escorre direto para ribeirões e rios formadores. Nas últimas 48 horas, Rio do Sul acumulou 73,4 milímetros. Municípios da mesma bacia passaram dos 100 milímetros, como Witmarsum, com 105,8, e Vitor Meireles, com 102,2. Vidal Ramos marcou 91,9 e Lontras, 91,5.
A Defesa Civil de Santa Catarina, em nota divulgada nesta segunda-feira, apontou que os principais rios da bacia do Alto Vale do Itajaí seguem com nível elevado e podem atingir cotas de emergência entre segunda-feira (31) e terça-feira (1º). O aviso hidrometeorológico prevê acumulados entre 50 e 80 milímetros na maior parte do estado, com chuva persistente até a madrugada.
A geografia explica por que Rio do Sul sente primeiro. A cidade fica exatamente onde o Rio Itajaí do Sul e o Rio Itajaí do Oeste se encontram e formam o Rio Itajaí-Açu. Tudo o que chove nas cabeceiras, em municípios como Ituporanga, Aurora, Vidal Ramos, Alfredo Wagner e Trombudo Central, desce e se junta no meio da área urbana. Quando os dois formadores sobem ao mesmo tempo, o efeito se soma.
Abrigos entram em cena a partir dos 7 metros
O Plano de Contingência do município estabelece que a estrutura de acolhimento é acionada quando o Itajaí-Açu atinge 7 metros. Três locais estão previstos para receber quem precisar deixar de casa: a Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Bela Aliança, na Rua Júlio Schlupp, 301; a Igreja São Sebastião, na Estrada Blumenau, 1140; e o Lions Clube de Rio do Sul, na Rua Mafalda Lingner Porto, 15, no bairro Progresso.
A madrugada é o período mais delicado. A chuva persistente prevista até o início da terça-feira mantém a tendência de elevação, e a água que já desce das cabeceiras aparece nas medições com algumas horas de atraso. No Médio Vale, o mesmo movimento é visível: em Blumenau, o Itajaí-Açu subiu 2,60 metros em 18 horas e a projeção da Defesa Civil aponta 6,70 metros por volta das 3h de terça.
Além do risco de alagamento, a Defesa Civil mantém o alerta para deslizamentos de terra e desbarrancamentos, especialmente em encostas. A orientação é observar sinais de instabilidade, como rachaduras em muros, paredes e terrenos, inclinação de árvores e postes e qualquer movimentação de solo perto de casa.
Quem mora em área historicamente atingida por alagamento deve se organizar agora, e não quando a água chegar: documentos separados, itens de valor em pontos altos e um plano de saída definido. Em caso de emergência, o contato é o 199 da Defesa Civil e o 193 do Corpo de Bombeiros, ambos com atendimento 24 horas.
A situação segue em acompanhamento e novos boletins podem ser divulgados a qualquer momento, conforme a evolução das condições meteorológicas e hidrológicas. O monitoramento em tempo real pode ser feito pelo portal da Defesa Civil de Rio do Sul.














