Juan Ramon Osorio Portillo passou 28 anos vendendo flores nas ruas de Balneário Camboriú caracterizado como Charles Chaplin. O rosto pintado de branco, o chapéu-coco e o colete coberto de adesivos de patrocinadores viraram parte da paisagem da cidade. Ele morreu nesta sexta-feira (21), aos 47 anos, depois de 20 dias em coma.
A morte foi comunicada pelo perfil dele no Instagram e, ao longo do dia, amigos, clientes e seguidores encheram as redes de homenagens.
Segundo relato da filha, a morte é consequência de um tumor que passou anos sem ser identificado. O AVC que Juan anunciou aos seguidores em março não se confirmou nos exames feitos depois.
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O diagnóstico que mudou
Em março deste ano, Juan contou publicamente que havia sofrido um acidente vascular cerebral (AVC). Chegou a gravar um vídeo perto do aniversário, já de volta ao trabalho, dizendo que estava recuperado.
Deus me deu a chance de continuar vivo. Isso eu tô comemorando. Passei por um AVC, agora eu tô recuperado pela bondade do meu Deus
Na mesma ocasião, agradeceu por seguir na rotina e brincou com o próprio personagem: “O Chaplin tá velho, mas tá trabalhando. Isso que é bom.”
Mas, segundo relato da filha, o diagnóstico estava errado. Uma ressonância magnética apontou o que realmente havia: um tumor na cabeça, que já estava ali havia mais de cinco anos. O câncer, ainda de acordo com a família, já havia tomado conta do cérebro.
Juan foi submetido a uma cirurgia. Entrou em coma no mesmo dia do procedimento, há 20 dias, e não chegou a acordar.
28 anos nas ruas
Natural do Paraguai, Juan adotou a nacionalidade brasileira e fez de Balneário Camboriú e Camboriú a sua casa. Foram 28 anos vivendo na região, tempo suficiente para que o personagem se tornasse mais conhecido que o nome de batismo.
A venda de flores era a principal fonte de renda dele, e a caracterização de Charles Chaplin acabou levando o trabalho para muito além do calçadão. Juan viajava para atuar em alguns dos maiores eventos do país e acumulou registros ao lado de artistas nacionais.
Ele dividiu o palco em diversas ocasiões com Zé Neto, da dupla Zé Neto e Cristiano, e teve o trabalho divulgado pelo cantor Michel Teló em uma publicação nas redes sociais. A história dele ganhou repercussão nacional e apresentou o Charles Chaplin de Balneário Camboriú a pessoas de outras regiões do Brasil.
Mesmo depois da projeção nacional, Juan seguiu com a mesma rotina: as ruas de Balneário Camboriú, as flores e a caracterização que o fazia ser reconhecido tanto na região onde morava quanto nos lugares por onde passava trabalhando.
Último pedido
O último desejo de Juan foi ser enterrado maquiado como Charles Chaplin, do jeito que viveu e como o Brasil o conheceu. A família confirmou que vai cumprir o pedido.
O velório e o sepultamento serão em Mafra, no Planalto Norte catarinense.



































